Jornal dos Desportos

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Pirelli admite exagero

15 de Maio, 2013

Piloto espanhol não tira os pés do chão apesar da vitória em Madrid

Fotografia: AFP

Alvo de críticas ao fim do GP da Espanha, a Pirelli admitiu o excesso de pit stops na corrida espanhola e prometeu mudanças nos pneus para as próximas etapas. A fornecedora da categoria acredita que consegue promover alterações nos compostos até ao GP da Inglaterra, no fim de Junho.
A Pirelli recebeu diversas críticas no fim-de-semana por causa do desgaste excessivo dos pneus, que levaram os pilotos a fazerem até quatro pit stops durante a prova em Barcelona. Foi com este número que Fernando Alonso venceu a corrida. Ao todo, os 22 pilotos realizaram 79 pit stops.

“O nosso objectivo é que cada carro faça entre dois e três pit stops em cada corrida. Está claro que quatro paragens é demais”, reconheceu o director desportivo da Pirelli, Paul Hembery. “Mas isso só havia acontecido uma vez antes, na Turquia, no nosso primeiro ano na Fórmula 1”, destacou.
Hembery não deu detalhes sobre as mudanças a operar, mas estipulou como prazo o GP da Inglaterra, em Silverstone, a 30 de Junho. “Vamos tentar fazer algumas mudanças a tempo de serem efectivadas em Silverstone, com o objectivo de resolver os problemas rapidamente”.
A promessa de mudanças acontece após a Pirelli apresentar um novo pneu duro na Espanha, após reclamações de pilotos e equipas. Mesmo assim, os carros sofreram com o rápido desgaste. Alguns dos compostos não duraram 10 voltas na pista.

Uma das equipas mais críticas aos pneus da Pirelli, a Red Bull elevou o tom na segunda-feira. O seu presidente, Dietrich Mateschitz, atacou os compostos da fornecedora.
Para o dirigente, a categoria está a deixar de ser uma competição de pilotos para se tornar um duelo para descobrir quem administra melhor os pneus nas pistas. “Não se trata mais de uma corrida. É apenas uma competição de pneus”, criticou Mateschitz, em entrevista ao site autosport.
“A verdadeira corrida de carros é diferente. Dadas as actuais circunstâncias, nós não conseguimos tirar nem o melhor dos nossos pilotos e nem o melhor dos nossos carros. Não há mais disputas reais entre pilotos nos treinos ou na luta pela “pole”. Todos estão a economizar pneus para a corrida”, analisou.


Fernando Alonso e Kimi Raikkonen
Apontam favoritismo da Mercedes


Depois de ter ganho no último final de semana o GP de Espanha, Fernando Alonso aponta a Mercedes como a principal candidata ao título de Mónaco, próxima etapa do mundial.
“Eles vão chegar como favoritos ao Mónaco. Eles estão na pole position desde as últimas três corridas. Já lá estavam no ano passado com Michael Schumacher e seria uma surpresa se não chegarem à primeira posição no Mónaco", declarou o espanhol.
Mesmo que a Mercedes tenha largado na frente nos últimos anos, a Red Bull terminou no lugar mais alto do pódio em 2012, 2011 e 2010, duas vezes com Mark Webber e uma com Sebastian Vettel.

Ainda assim o favoritismo é dado à equipa devido às condições da pista de Monte Carlo.
"É mais difícil ultrapassar em Mónaco, então talvez eles possam manter boas posições por mais tempo. É algo que precisamos entender e precisamos fazer um trabalho melhor no sábado" analisou o piloto.
Actualmente, a Mercedes é a quarta na classificação geral do mundial de construtores da Fórmula 1. Até ao momento, somente Lewis Hamilton chegou ao pódio, em duas ocasiões.
Nas duas vezes, na Malásia e na China, Hamilton ficou em terceiro lugar. Mesmo sem grandes resultados, a escuderia também é apontada como grande favorita ao título em Mônaco pelo finlandês Kimi Raikkonen, que foi vice-campeão em Espanha.

"Como Fernando disse acho que a Mercedes, infelizmente, será muito rápida lá e será difícil ultrapassá-la. A única diferença que eles têm feito contra a maioria de nós está no último sector, onde é apertado. Então pode-se esperar que, a partir do que eles fizeram no ano passado, devem ser bem rápidos lá", comentou Kimi.


Monolugar

McLaren pode voltar
A pintura laranja em 2014


A McLaren pode retornar às origens a partir de 2014. Segundo o chefe da formação britânica, Martin Whitmarsh, a equipa estuda a possibilidade de voltar a utilizar a cor laranja nos carros, a partir da próxima temporada, primeiro ano sem o patrocínio da Vodafone, que termina no final do actual campeonato.
"Eu realmente gosto da ideia. Laranja é uma cor óptima, especialmente para a McLaren", afirma o dirigente, em entrevista ao site russo F1 News.
"Nós a usamos no nosso carro de turismo e fica óptimo. Vamos continuar a avançar nesse sentido", disse, apontando o principal empecilho para a escuderia voltar a usar a cor.

"A F-1 é um pouco diferente. Os modelos de negócios mais modernos são uma das principais tarefas da equipa, que deve promover as marcas dos patrocinadores. Se tivermos a sorte de encontrar um patrocinador que aprove a cor laranja, poderemos ter esta cor novamente na F-1", concluiu
A McLaren utilizou a pintura laranja desde a sua fundação, em 1966, até a temporada de 1972, quando terminou o patrocínio com a empresa de cosméticos britânica Yardley.
A partir daquela data, a equipa inglesa passou a usar carro preto e branco com sinais vermelho e dourado até adoptar o vermelho e branco da Marlboro entre 1974 e 1996.

Desde então, passou a usar pintura predominantemente prateada desde 1997, adoptando as cores do cigarro West. Em 2006, no primeiro ano sem tal patrocínio, chegou a adoptar provisoriamente o laranja durante os testes de pré-temporada em Barcelona, mas voltou ao prateado com a formalização do contrato com a Vodafone.


PARA GP DO CANADÁ
Director da Pirelli confirma mudanças


O alto desgaste dos pneus no Grande Prémio da Espanha, no último final de semana, fez com que a Pirelli confirmasse mudanças para as próximas provas. Um dos maiores exemplos que evidencia a degradação foi o número de paragens feito pelos pilotos. 13 dos 19 que concluíram o circuito pararam nas boxes em quatro ocasiões.
“Nunca tivemos a intenção de ter provas de quatro paragens. Vamos fazer as alterações na construção dos pneus. Vamos levar um pouco da concepção dos pneus de 2013, mas também alguns dos elementos dos produtos de 2011 e 2012 que tão bem nos serviram durante esse período. Queremos voltar a ter duas ou três paragens”, declarou Paul Hembery, director desportivo da fornecedora.

A ideia é que os novos pneus sejam utilizados no GP do Canadá, sétima prova da competição marcada para o dia 9 de Junho. Ainda segundo o dirigente, um dos motivos que determinaram a rápida degradação é a impossibilidade de realizar testes com condições semelhantes à F1 actual.
“Provavelmente, subestimámos a performance. Não podemos testar com os carros actuais e todos temos acesso a um Renault de 2010, que completa voltas quatro ou cinco segundos mais lento do que os actuais carros de F1 fizeram no domingo. Por isso, acabou por ser uma combinação de factores”, comentou o britânico.

Além das reclamações pelo rápido desgaste, os pneus apresentaram algumas coisas atípicas nas últimas corridas, no Bahrein e em Barcelona. Nos dois casos, os pneus de Lewis Hamilton e Paul di Resta furaram sem um motivo, o que também é estudado.
“Visualmente, as falhas foram espectaculares, o pneu ficou inflado. Foi algo que há tempos a F1 não via, não gostámos daquilo. E isso também influenciou as opiniões na media, o que acabou por influenciar o pensamento dos fãs”, concluiu Hembery.