Jornal dos Desportos

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Pistas degradadas na provncia da Hula

Gaudncio Hamelay, no Lubango - 22 de Dezembro, 2018

Terras altas da Chela esto sem Estdios com pista de tartan

Fotografia: ARO MARTINS | EDIES NOVEMBRO | HULA

A degradação das pistas e a falta de material desportivo marcaram negativamente o ano de 2018 na Associação Provincial de Atletismo da Huíla, dirigida por Ana Isabel. As dificuldades resultantes da crise financeira não impediram a execução da massificação em toda a extensão territorial da Chela.
A falta de material desportivo teve implicações na formação de atletas. Na Huíla, todas as especialidades não registaram marcas \"muito positivas\" nas competições nacionais e internacionais. Os atletas treinaram e correram com materiais adaptados. Os \"bons materiais técnicos\" custam caro.
A título de exemplo, está difícil formar atletas na especialidade de 400 metros barreira por falta de barreiras. Os atletas treinam sem bloco e não conseguem melhorar a partida. Para Ana Isabel, a Huíla faz \"atletismo do antigamente\".
Movida pela vontade de crescer, Ana Isabel e o seu elenco colocaram em marcha programas de fomento e de desenvolvimento de atletismo. Na hora de colher \"a safra foi satisfatória\". A esperança é alta, depois da visita do Secretário de Estado para a Política Desportiva, Carlos Almeida, ao Lubango.
\"Sua Excelência Secretário de Estado, Carlos Almeida, prometeu-nos solucionar a questão da pista de tartan. A Huíla é um viveiro do atletismo nacional. Os clubes de Luanda têm aqui os seus núcleos. Então, urge termos uma pista de tartan\", disse Ana Isabel.
Na hora de balanço, a presidente da Associação Provincial de Atletismo da Huíla reitera que \"mais vale uma promessa do que nada, pois, a esperança é a última a morrer\".
Quem se recusam a morrer e mantêm-se vivos, sãos os seis clubes que movimentam ao todo mais de meio milhão de atletas, entre fundistas, velocistas e lançadores. As participações nas provas internas e nacionais de pista, de estrada e corta mato foram importantes. Nos provinciais da Huíla, o pódio da classe juvenil feminino foi composto por Clube da Saúde, Interclube da Huíla e Ferroviário da Huíla. Em juvenil masculino, Clube de Assessoria Jamba Sport, Interclube da Huíla e Benfica do Lubango completaram o pódio.
A realização com êxito do Campeonato Nacional de corta mato, no Lubango, encanta a gestão de Ana Isabel. As consagrações de atletas do Clube de Assessoria Jamba Sport na prova rainha e do Clube da Saúde, no escalão juvenil feminino, \"deram brilho\" ao atletismo huilano. No Nacional de pista, a Huíla obteve os terceiros lugares em juvenil feminino e masculino, através de atletas do Clube da Saúde e do Interclube da Huíla.
O Clube de Assessoria Jamba Sport cedeu alguns atletas ao Petro de Luanda, no âmbito de um acordo entre as partes. A formação de jovens começa a surtir os efeitos desejados.
O escalão júnior é que menos absorve atletas. O grosso desse grupo está na classe masculina. Interclube da Huíla e Clube de Assessoria Jamba Sport são os mais fortes. Os atletas integrados nas selecções nacionais presentes nos Jogos da CPLP e da SADC já saíram de outros 13 municípios da província, além do Lubango, o que \"vem provar o trabalho de massificação nas escolas\".

COMPETIÇÕES INTERNACIONAIS
Huílanos dominaram selecções nacionais

A integração de atletas huilanos nas selecções nacionais de atletismo, presentes nos Jogos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC),  foi o ponto mais alto do processo de massificação no ano de 2018.
Gabriel Camati (Interclube da Huila), Cristina Vieira, Saltiano Faria e Manuel Chivela (Assessoria Jamba Sport) e Francisca Walende (Clube da Saúde) prestigiaram a província. A medalha de bronze de Saltiano Faria, nos Jogos da CPLP, compensou os esforços dos treinadores de formação da Huila.
Ana Isabel solicita à Federação Angolana de Atletismo para rever os métodos de convocação dos atletas e de escolha de treinadores para as selecções nacionais. O objectivo é potenciá-los e não destrui-los.
\"Só vai à selecção nacional, quem tiver mérito e não por indicação, conforme se tem constatado. A Huila deu muitos atletas à selecção e o treinador é de Luanda\", revelou Ana Isabel.
A antiga fundista justifica que \"esses treinadores não são especialistas de fundo e meio fundo\", mas querem trabalhar com atletas dessas especialidades. Uma questão levanta-se: \"Que trabalho esse treinador vai dar aos meninos, se desconhece a metodologia de fundo ou meio fundo?\".
Outro erro dos treinadores de Luanda é \"convocar os atletas e não pedem ao treinador dos mesmos o plano de treino do clube a que pertencem\". Por inerência, \"os resultados são negativos para o país\".
Ana Isabel lamenta a falta de estágios em 2018. Os clubes e as selecções nacionais viveram constrangimentos que afectaram o rendimento dos atletas. A dirigente rebate contra a presença de atletas para a selecção, saídos de sua casa.
\"Em 2019, devemos evitar isso. Chega de atletas viajantes. O país precisa de justificar o dinheiro gasto com troféus\", disse.

TALENTOS
Clima e altitude contribuem para formação


A Huíla é uma das províncias com tradição na formação de novos talentos de atletismo no país. O bom clima e a altitude são factores que contribuem para a lapidação de atletas, nas especialidades de fundo e meio fundo, com boa qualidade. Ao longo de 2018, a Associação Provincial movimentou 3.986 atletas de alta competição, em representação do Clube Desportivo da Huíla, Clube da Saúde, Interclube da Huíla, Benfica do Lubango, Clube de Assessoria Jamba e Ferroviário da Huíla.
O Projecto Okuhateka solidificou a sua posição na formação nas escolas. Em 2018, controlou oito mil crianças em 14 municípios da província. Os formandos despontam nas especialidades que variam entre as provas de 50m a 1200 metros.
Nas provas oficiais da Federação e da Associação, a Huila dispõe de atletas para as especialidades de 100, 200, 400, 800, 1,5 mil, 3 mil e 5 mil metros. Na última categoria, o número é \"muito reduzido\". Os clubes locais não têm escalões seniores para acolherem os fundistas. Para se manterem na pista \"ou fazem 2000m ou 2500 metros obstáculos\". As provas de 10 mil a 5 mil são dominadas por atletas de clubes de Luanda.
Ana Isabel lamentou a falta de um transporte para apoiar os clubes. Nas provas provinciais e nacionais, enfrentaram dificuldades nas deslocações. Vem aí a São Silvestre de Luanda e muitos clubes estão a fazer as contas.
O aumento de praticantes contrasta com as condições dos clubes. O atletismo cresceu desde que o novo elenco tomou posse. Para Ana Isabel, a mudança do paradigma resulta de uma estratégia para ajudar a vontade do Interclube de Angola, Petro de Luanda e 1º de Agosto, que investem nos atletas huilanos. Os clubes locais, que haviam desistido da formação, estão a retomar o processo. Os clubes Benfica do Lubango, Ferroviário da Huíla e Clube da Saúde ressurgiram com atletas oriundos do projecto de massificação Okuhateka. O renascimento é um trabalho de todos os dirigentes desportivos locais.
\"Não é exagero. O atletismo estava a morrer na Huila\", disse com muita tristeza.