Jornal dos Desportos

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Pistorius um mito esquecido

15 de Setembro, 2016

Óscar Pistorius foi referência nos Jogos Paralímpicos de Londres em 2012

Fotografia: AFP

Óscar Pistorius  foi o primeiro atleta com deficiência, a disputar os Jogos Olímpicos, mas a façanha foi praticamente esquecida, depois de condenado por assassinato. Ainda não surgiu um nome paralímpico para repetir a proeza, mas tudo indica que é uma questão de tempo.

Com próteses de fibra de carbono, Pistorius, atleta biamputado, entrou para a história olímpica com o tempo de 45 segundos e 44 centésimos registados na estreia nos 400 metros rasos, nos Jogos de Londres-2012.

Actualmente, poucos mencionam o feito, desde que foi condenado a seis anos de prisão devido a morte da namorada. E as suas marcas também começaram a cair: na terça-feira, o neozelandês Liam Malone superou o recorde paralímpico nos 200 metros, durante os Jogos Rio-2016.

Num momento de muita atenção para o desporto paralímpico, muitos perguntam quem pode repetir Óscar Pistorius? Um dos nomes mais citados é o do alemão Markus Rehm, do salto em distância e conhecido como 'Blade Jumper', que sonha disputar os Jogos de Tóquio-2020.

Sem uma perna, amputada após um acidente marítimo, Rehm afirma que tem o nível dos atletas olímpicos. De facto, a  sua melhor marca pessoal, de 8,40 metros, é superior aos 8,38 m que rendeu  a medalha de ouro ao americano Jeff Henderson no Rio-2016.

Rehm conquistou, na segunda-feira, o ouro paralímpico com a equipa alemã de estafeta 4x100 m, desistiu em Julho de participar dos Jogos Olímpicos do Rio, porque a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) não estava convencida de que a sua prótese proporcionasse um impulso extra.

"Depois dos Jogos Paralímpicos do Rio vou continuar a conversar com a IAAF para encontrar uma solução para competir no Mundial de Londres-2017, mesmo sem o ranking.

Posso ganhar as minhas medalhas em competições paralímpicas, mas seria excelente representar o nosso desporto diante de mais pessoas, e mostrar que somos bons atletas, que não temos de esconder-nos", disse à AFP. Também chamou a atenção, o ouro do argelino Abdellatif Baka nos 1.500 metros na categoria T3 (atletas com baixa visão), que venceu a prova com o tempo de 3:48.29, melhor que o do medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio, o americano Matthew Centrowitz (3:50.00).

Neste caso, no entanto, é preciso recordar que a final dos 1.500 m da Rio-2016 foi considerada fraca tecnicamente, e com uma táctica em que todos os atletas se pouparam para o sprint final. O recorde mundial na prova, por exemplo, foi estabelecido pelo marroquino Hicham El Guerrouj, em 1998, em 3:26.00.

Sete meses depois de competir em Londres e reconhecido em todo o planeta, Pistorius matou a tiro a namorada Reeva Steenkamp. Ele disse que a confundiu com um ladrão. O seu pioneirismo desapareceu rapidamente. De um herói do desporto  tornou-se um detido vigiado para que não cometa um suicídio.

No Engenhão,  Estádio Olímpico, onde podia conquistar ainda mais vitórias, o seu nome praticamente não é citado. E, quando um atleta sul-africano recebe uma pergunta sobre Pistorius, os assessores de imprensa da delegação mudam de assunto, mas alguns respondem, como é o caso de Arnu Fourie.

"Óscar, obviamente faz falta, ele fez muito pelo desporto, não só no país, mas no mundo. O que ele fez não pode ser apagado", disse. Pistorius encarou uma longa batalha para chegar a Londres-2012, dentro e fora das pistas.

Depois de ser vetado de Pequim-2008, porque a IAAF considerava que as 'blades' representavam uma vantagem,  conseguiu uma autorização do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS).

"Pistorius foi um capítulo há alguns anos, eu quero escrever um novo capítulo, levar as coisas a outro nível, quero fazer as coisas um pouco diferente", disse o alemão, que não deixou de destacar o legado do sul-africano.

"Fez muito pelo desporto, sem dúvida, mas temos de pensar no futuro e espero que muitos atletas alcancem níveis incríveis", afirmou o alemão.