Jornal dos Desportos

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Prémio de Hamilton causa polémica

17 de Dezembro, 2014

Troféu BBC ao piloto da F-1 Lewis Hamiltom teve reacção negativa do futebolista Joey Barton e do golfista Ian Poulter

A atribuição de título de Personalidade Desportiva do Ano a Lewis Hamilton causou polémica na Inglaterra. A vivência do bi-campeão mundial “num paraíso fiscal” e o “domínio de tecnologia no qual o equipamento tem papel fundamental” são as justificações apresentadas por dois grupos que questionam a grandeza do título do inglês na Fórmula 1.

O prestigiado prémio, decidido por votação aberta ao público, é concedido pela empresa estatal BBC e considera-se que o contributo britânico pague a cerimónia. Lewis Hamilton vive em Mónaco, desde 2008, para fugir dos impostos no seu país natal.

O jogador de futebol Joey Barton, que actua pelo Queen’s Park Rangers, criticou duramente o prémio atribuído ao Lewis Hamilton.
“Exilados fiscais não deveriam concorrer, porque são pagos e votados por pessoas que pagam os seus impostos; não deviam ter vencido, pois é um péssimo exemplo para os britânicos. Que dia triste para a nossa história”, disse.

Joey Barton questionou: “Quais os precedentes que isso causa?”.
Há quem defenda que o golfista Rory McIlroy tenha merecido vencer o prémio. O também golfista Ian Poulter disse que a atribuição do prémio era “uma completa piada” e questionou a conquista de Lewis Hamilton, devido à influência da superioridade do seu Mercedes durante a época, o que podia ser provado pelo facto do seu único concorrente ao título ter sido o companheiro Nico Rosberg.“O prémio de tecnologia do ano vai para o carro prateado!”, vociferou por meio do seu twitter.
Lewis Hamilton foi o primeiro piloto de Fórmula 1 a receber o prémio desde Damon Hill.

RASPANETE
DA MERCEDES


Tal como nas pequenas guerras entre irmãos, as lutas de poder entre colegas de equipa na Fórmula 1 precisam de pais (ou chefes) assertivos. Com o fim do campeonato mundial, a Mercedes revelou a “técnica” utilizada para terminar de uma vez com a guerra entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg, que atingiu o pico no Grande Prémio da Bélgica, quando um toque entre os pilotos logo à segunda volta, obrigou o britânico a abandonar. Os principais responsáveis da Mercedes ficaram tão enfurecidos que proibiram Lewis Hamilton e Nico Rosberg de falar um com o outro ou com alguém da equipa até a Mercedes dar indicações em contrário, de acordo com a revista britânica Autosport.

 Na segunda-feira seguinte à prova de Spa, uma longa reunião traçou o plano para evitar que a guerra atingisse proporções ainda maiores. Só então a dupla de pilotos foi autorizada a voltar a Brackley, sede da equipa.

Foi aí que começou um verdadeiro raspanete, disfarçado de lição de moral, tal como explicou o patrão da Mercedes, Toto Wolff.
“Chamámos os pilotos à fábrica e foi lá que caíram em si. Dissemos-lhes que o acontecimento de Spa não podia voltar a acontecer, porque tivemos de colocar as peças nos carros que supostamente só usavam em Monza ou em Singapura.

 Os mecânicos trabalharam pela noite fora, muitos ficaram privados de ver as suas famílias, tudo para eles destruírem o esforço à segunda volta”, disse Wolff à publicação.Depois do raspanete, veio a ameaça: “Dissemos: ‘Não façam isso de novo. Se o fizerem temos de decidir qual dos dois vai continuar’”, contou Wolff.
O responsável reconhece que a posição de força salvou a época à Mercedes: “Saímos daquela situação muito mais fortes, porque dissemos de forma clara que nenhum piloto vai interferir na equipa. Porque somos apenas uma equipa”.

FORMULA 1
Hamilton quer correr mais sete anos


Actual campeão do mundo de Fórmula 1, o piloto inglês Lewis Hamilton, da Mercedes, afirmou que gostava de  continuar por “outros sete anos” na principal categoria do automobilismo.

“Sinto que ainda me restam sete anos na Fórmula 1. Esse é o meu objectivo. Ganhei o meu primeiro título em 2008, agora, após ter conseguido o segundo, não há limite. Quero continuar a correr e a competir”, disse à BBC Sport.

Hoje com 29 anos, Hamilton, ficava na competição até os 36 anos, como admitiu. Na próxima temporada, o finlandês Kimi Raikkonen, da Ferrari, vai ser o piloto mais velho do grid, com 35 anos. No extremo oposto, com 17 anos, o holandês Max Verstappen, da Toro Rosso, vai  ser o mais jovem.

Lewis Hamilton foi eleito “Personalidade do ano 2014” pela BBC Sports, no domingo. O piloto superou o golfista Rory McIlroy e a atleta Jo Pavey na votação.
“Não tenho palavras. Foi um ano fantástico. Agradeço o enorme apoio de minha família, minha equipa, meus amigos e todos os adeptos. Nunca deixei de sentir o apoio em cada corrida”, disse o inglês, visivelmente emocionado, após receber o prémio.

“Estou extremamente orgulhoso de estar rodeado de tantos talentos, nunca pensei que chegaria a estar com alguns dos maiores atletas do Reino Unido. Sempre levo com orgulho a bandeira britânica por todo o mundo”, disse o inglês.

O ex-jogador de futebol escocês e lenda do Liverpool Kenny Dalglish e o ex-jogador de rugby Jonny Wilkinson, campeão do mundo em 2003, foram os encarregados de entregar o prêmio a Hamilton, em Glasgow, na Escócia.