Jornal dos Desportos

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Problemas na via j esto resolvidos

Pedro Futa e Srgio v. Dias - 30 de Dezembro, 2019

Fotografia: Dr

Os problemas que afectavam as principais vias da 64ª edição da São Silvestre de Luanda, prova que acontece amanhã, a partir das 17h00, foram superados pelo Governo da Província. Em declarações ao Jornal dos Desportos, Bernardo João, presidente da Federação Angolana de Atletismo, garantiu estarem criadas as condições para a prova.

“Temos as condições garantidas para o arranque da prova. Havia alguns constrangimentos, como buracos e a falta de iluminação em certas vias, mas foram superados pelo Governo provincial”, garantiu.

A prova vai contar com mais de dois mil atletas inscritos, entre federados, paralímpicos e populares que têm o seguro garantido pela triunfal.

O grande calcanhar-de-Aquiles para o elenco liderado por Bernardo João é a falta de divisas para pagar os atletas estrangeiros. “Envidamos  esforços junto dos bancos, para conseguir os 16 mil dólares norte-americanos, para os prémios dos atletas estrangeiros, mas infelizmente não conseguimos e vamos contar apenas com os atletas nacionais”,disse o presidente da Federação.

Além do seguro de vida, esse ano a Federação Angolana de Atletismo, ofereceu aos participantes um programa de treino de oito semanas, que vai ajudá-los a ficar em forma, para correr confortável o percurso de 10 

quilómetros.

A São Silvestre começa no Largo da Mutamba, passa pelas avenidas Amílcar Cabral, Revolução de Outubro, Ho-Chi Min, Alameda Manuel Van-Dúnem, Largo do Kinaxixi, Rua da Missão, Avenida 4 de Fevereiro e Largo do Baleizão, respectivamente. Vale lembrar que o término da corrida está previsto para o Estádio dos Coqueiros, na Baixa de Luanda, capital do país. 

Estrangeiros assumem domínio

É já amanhã, terça-feira, que se dará o tiro de largada para a 64ª edição da São Silvestre, a tradicional corrida pedestre de fim-de-ano, que percorre várias artérias da capital do país, Luanda, num percurso de 10 quilómetros. Angola, a grande anfitriã, vai mais uma vez chamar para si o pódio da competição, que teve como primeiro vencedor, em 1954, um filho da terra, que atendia pelo nome de Isidoro Louro, uma vez que não haverá participação estrangeira.

 Apelida por muitos de Demóstenes de Almeida, o certame testemunhou além do triunfo de 1954, os de 1955 e 1956, para este ilustre corredor angolano, que abria, assim, o caminho para uma série de nove conquistas seguidas de outros compatriotas.

 Foi neste seguimento que António Esperança triunfou em 1995, 1958, 1959 e 1960, um percurso de glórias que viria ser interrompido pelo também angolano, originário do Namibe, Joaquim Morais, dois anos depois. O antigo velocista da cidade da rara Welwitchia Mirábilis assumiu as honras da casa, subindo ao pódio nas edições de 1962 e 1963, respectivamente, já que no ano de 1961 a prova não se realizou.

 Em 1964, o moçambicano António Repinga não deixou os seus créditos por mãos alheias, abrindo, desse modo, um ciclo de vitórias de atletas estrangeiros que se prolongaria por 11 anos. Depois da vitória de António Repinga em 1964, o português Manuel Oliveira subiu ao pódio nos dois anos subsequentes (1965 e 1966) e em 1967 passou o testemunho para o seu compatriota Anacleto Pinto. 

 Já em 1968 e 1969 os troféus da São Silvestre de Luanda foram para o sul-africano Franye Vanzyl e em 1970, o atleta Koos Kaizer voltou a fazer as honras para Portugal.

 Em 1971 e 1972 o zimbabweano Bernardo Dzoma acabou por ser o galardoado, batendo a concorrência nas respectivas edições. Já em 1973, como que a provar a sua capacidade de “sprint” o sul-africano Franye Vanzyl reassumiu a conquista da prova.

 Em 1974, Upanga Holua volta a dar a alegria para o país. O fundista angolano venceu esta edição, mas um ano depois e numa altura em que a Nação enfrentava, ainda, a ressaca da conquista da sua Independência Nacional, assinalada a 11 de Novembro de 1975, o moçambicano José Muinga viria se tornar vencedor. Depois seguiram-se dois triunfos em 1976 e 1977 de Serguey Osipov e Vacil Ivanenk, da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Em 1978 houve nova interrupção na corrida.

IMPÉRIO ETÍOPE

 A partir de 1979 começa império dos etíopes, cabendo neste ano a Berhanu Guirma a conquista do lugar mais alto do pódio. O mesmo Guirma, que abriria, assim, um ciclo de 20 anos conquistas para corredores da Etiópia, voltou a triunfar em 1980, 1981 e 1982. Em 1983 ganhou a corrida o português José Sena, para depois em 1984 e 1985, Bekele Debele e Hebite Negash voltarem a colocar a Etiópia na galeria dos vencedores.

 Manuel Matias, fundista português, mais uma vez deu alegria para nação ibérica, conquistando o título em 1986. Logo a seguir ocorre mais uma época de bonança para os fundistas etíopes que subiram ao pódio das edições de 1987, 1988, 1989, 1990, 1991 e de 1992, respectivamente, por intermédio de Telesa Fentessa, Malesse Faisa, Dube Gillo, Addis Segagy, Hajie Bulbula e Wergi Nogusu. 

 Em 1993 e de 1994, Tandai Chimusaca, do Zimbabwe, superou a concorrência. Seguidamente Amagassafa Araya, da Etiópia, ganha em 1995, ano em que antecede a brilhante vitória do angolano Aurélio Mitty em 1996, que quebra desse modo uma “travessia de deserto” do país, que se arrastou por 22 anos.

 Em 1997 o império etíope volta apoderar-se da prova, com a consagração de Abraham Asefa, ao passo que no ano seguinte Abner Chipu volta a colocar os sul-africanos no pódio, depois de um jejum de 25 anos.

 Em 1999 e 2000 sucessivamente, João Ntyamba, na época dos mais referenciados fundistas angolanos, arrebatou os troféus destas duas edições, seguindo-se, depois, uma frequente alternância do pódio desta histórica corrida pedestre de fim-de-ano.

 Nesse sentido a partir de 2001 e por um período que se estendeu por 15 anos começou uma alternância no pódio desta montra do atletismo nacional e internacional entre atletas etíopes, quenianos e eritreus. Yibeital Adamassu, da Etiópia, conquista edição deste ano e John Korir, do Quénia, a de 2002. 

 Apesar do período de bonança dos etíopes, quenianos e eritreus, o angolano José Ndala intrometeu-se pelo meio e vence, com todo mérito, em 2003. Em 2004 subiu ao pódio Zersnay Tadesse, da Eritreia, em 2005 Paul Tergat, do Quénia, enquanto em 2006 Tolossa Ambesse voltou a fazer a diferença para a Etiópia

 Em 2007 o queniano Elijah Nyabuti volta a subir o pódio, abrindo depois o caminho para mais um ciclo de três conquistas consecutivas de fundistas etíopes. Ibrain Jeilan (2008), Ali Mohamed (2009) e Haile Gebrselassie (2010) foram os obreiros deste ciclo.

 O eritreu Zersenay Tadese subiu ao pódio em 2011 e no ano seguinte passou o testemunho para o etíope Atsedu Tesfaye, que com a conquista de 2012 eleva para 20 o número de troféus obtidos por atletas do seu país nesta corrida pedestre.

 A atitude dominadora dos etíopes voltou a ser testada pelos atletas quenianos Stanley Blwot, Stephen Kibee Alex Olitiptip venceram em 2013, 2014 e 2015.

 Em 2016, Francisco Caluve fez as honras para Angola, vencendo essa edição que contou apenas com a participação de atletas nacionais. Já em 2017, as honras da conquista da prova couberam mais uma vez a um angolano, no caso Simão Manuel, fundista do 1º de Agosto, ao cronometrar 31 minutos e 29 segundos, enquanto em 2018 o queniano Mukua  Nyudusi com tempo de 30 minutos e 20 segundos, foi o vencedor.