Jornal dos Desportos

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Problemas financeiros dificultam viagem

Silva Cacuti - 06 de Março, 2016

Selecção nacional de boxe está reforçada com Pedro Gomes e trabalha motivada para lograr o passe de acesso à terra do Samba

Fotografia: Dombele Bernardo

A situação económica de Angola está a criar dificuldades às selecções nacionais desportivas. A menos de três dias para o arranque do torneio pré-olímpico, que se disputa de 9 a 20 do corrente, em Yaoundé, Camarões, a Federação Angolana de Boxe faz das "tripas o coração" para embarcar a equipa do seleccionador nacional Enrique Carrion. Angola deve chegar a Capital camaronesa até à próxima quarta-feira, data limite para as delegações inscritas se apresentarem no palco do evento desportivo.

Em declarações ao Jornal dos Desportos, o presidente da Federação Angolana de Boxe, Carlos Luís, assegurou que a equipa nacional enfrenta dificuldades relativas à aquisição de divisas (dólar norte-americano ou euro) para a materialização da viagem e o seu embarque, inicialmente previsto para hoje.

"Tínhamos o embarque previsto para amanhã (hoje), mas estamos com dificuldades na obtenção de divisas para consumar a viagem", disse.

Carlos Luís acrescentou que tudo está a ser feito para que até na noite de amanhã a equipa embarque, "senão as coisas ficam mais complicadas".

"Temos a confiança de que amanhã vamos conseguir dar alguns passos e, se possível, saímos daqui num destes voos da noite. Se não o fizermos, fica difícil encontrar uma rota que nos permita estar em Yaoundé no dia nove. Temos informações de que o aeroporto de Douala está encerrado para obras", acrescentou.

Carlos Luís disse também que Angola pode ser representada por cinco ou seis atletas, mas não revelou os nomes.

"Ainda não definimos os atletas que vão, provavelmente hoje (ontem). Vamos abordar este assunto com a equipa técnica", disse.

O pugilista Pedro Manuel Gomes, melhor angolano no ranking internacional (20º) de boxe e medalha de bronze nos Jogos Africanos, já trabalha com o grupo escolhido e pode ser uma das opções do seleccionador nacional. Carlos Luís esclareceu o imbróglio.

"Não é que tenha sido afastado. Pedro Gomes está a trabalhar com o grupo. No momento da convocatória, não esteve na chamada oficial, mas nunca esteve de fora", clarificou.

Lembrar que o boxe angolano esteve na edição passada dos Jogos Olímpicos, Londres 2012,  com Tumba Silva, que acabou por ser desqualificado por falhar as pesagens oficiais.


AMANHÃ
Selecção cabo-verdiana vai aos  Camarões


A selecção cabo-verdiana de boxe deixa o arquipélago amanhã com destino a Yaoundé, Camarões, com vista a participar no torneio de qualificação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro'2016 que se realiza de 9 a 21 deste mês.

A comitiva cabo-verdiana vai ser composta por nove integrantes, designadamente, sete pugilistas, um seleccionador e um dirigente.

A equipa realizou os treinos de preparação no Pavilhão Desportivo Vavá Duarte, na Cidade da Praia, com o seleccionador cubano Lazaro Contrera. O grupo tem como intuito atacar o título nas categorias de 49, 56, 60, 64, 69, 81 e +91 quilogramas.

Esta competição torna-se de vital importância para o boxe cabo-verdiano, dentro deste ciclo olímpico, de forma a suprimir as ausências registadas no âmbito internacional desde 2010 e pelo facto de se enquadrar nos Jogos Olímpicos do Rio’2016, de acordo com o presidente da Federação Cabo-verdiana de Boxe, Flávio Furtado.

Angola e Cabo Verde trocaram experiências em dois eventos realizados nas cidades de Luanda (2014) e de Mindelo (2015). As duas selecções nacionais tinham como estratégias a preparação de pugilistas para a fase de qualificação aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro'2016.

No top internacional disputado em Luanda, em Dezembro de 2014, a selecção de Cabo Verde perdeu por 0-8 frente a Angola. Na época, o presidente da Federação cabo-verdiana, Flávio Furtado, reconheceu que o país de Agostinho Neto "demonstrou estar mais bem preparada e mais forte".


Preocupação
Diplomacia do Rio
esclarece dúvidas


A diplomacia do Comité Rio'2016 está em velocidade de cruzeiro. Depois de passar por Lisboa e Londres, o grupo está espalhado pela Europa e Ásia para esclarecer os meandros da situação dos Jogos Olímpicos, que se disputa de 4 a 21 de Agosto do ano corrente.

Um dos pontos que incomoda os potenciais participantes é a situação das infra-estruturas desportivas e de alojamento. O ministro do Turismo do Brasil informou aos portugueses que as obras de infra-estruturas para os Jogos Olímpicos vão estar prontas a tempo e vão ser um legado para a cidade do Cristo-Rei e do Brasil.

Em declarações à Lusa, Henrique Alves assegurou que "já há obras prontas, avançadas e por concluir". O avanço dado às infra-estruturas, defendeu, deve-se "a uma estratégia adoptada de forma muito correcta entre as parcerias público-privadas".

O membro do governo de Dilma Rusself justificou que 70 por cento de recursos aplicados é "privado" e há uma consciência de todos da importância que os Jogos Olímpicos desempenharam para o Barcelona'1992 e Londres'2012. Para o Rio de Janeiro, "tem tudo para ser maior ainda". Portanto, a metodologia eleita deu certo para evitar a hecatombe que se deslumbrava.

O autarca do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, havia colocado em dúvida a conclusão das obras do metropolitano (linha 4 – Barra da Tijuca/Copacabana) até o início dos Jogos Olímpicos, mas o governo estadual também garantiu que tudo vai estar pronto.

As obras de infra-estruturas são, segundo Henrique Alves, também “um legado importante nas áreas de acessibilidade, na área de saneamento, na área de estruturas” para a cidade do Rio de Janeiro.

O ministro disse que o Brasil gastou cerca de 10 mil milhões de dólares (9,1 mil milhões de euros) para a realização dos Jogos Olímpicos.

“Não queremos que esse legado seja apenas de obras físicas, mas que seja um legado, sobretudo, na questão turística, que é o grande ganho do país para depois mensurar os Jogos Olímpicos que realizou”, afirmou Alves.

Alves disse que o Brasil vai receber 202 países para os Jogos Olímpicos, que vai ter uma assistência estimadas em cinco mil milhões de telespectadores no mundo. O Comité Rio'2016 já vendeu 11 milhões de bilhetes de ingressos e está prevista a presença de 25 mil jornalistas.

“É a grande oportunidade do Brasil mostrar-se como é, um país tão encantado como um país continental, de tantas diferenças regionais importantes de cultura, gastronomia, música, belezas naturais. O Brasil tem tudo, nesse momento, para se mostrar ao mundo como um país hospitaleiro, carinhoso, de muita diversidade turística,