Jornal dos Desportos

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Modalidades

Projecto movimenta milhares de petizes

Gaudêncio Hamelay, no Lubango - 21 de Novembro, 2015

Antiga fundista Ana Isabel lidera projecto que visa descobrir novos talentos

Fotografia: Arão Martins

O projecto de massificação do atletismo nas escolas das comunas, dos municípios da província da Huíla, denominado Okuhateka (correr), iniciado em Abril do corrente ano,  movimenta 8.324 crianças com idades compreendidas entre os 12 aos 17 anos, em ambos sexos.

Quando se iniciou o projecto, as pessoas cépticas, duvidaram do sucesso. Passados seis meses, os resultados são bem visíveis e satisfatórios. O projecto abrange 12 municípios dos 14 que compõem a província da Huíla.

 O Okuhateka tem o apoio do governo provincial da Huíla, empresa cervejeira N’gola, Coca-Cola Sul de Angola, direcções da Educação, Saúde, Juventude e Desportos. A acção tem ainda o suporte das administrações municipais, que facilitaram na criação dos núcleos naquelas parcelas.

 Já “correm” com a criação de núcleos do projecto, nos municípios de Chicomba 239 alunos, Jamba 1.979, Matala 345, Cuvango 879, Quipungo 724, Gambos 1.850, Chibia 885, Cacula 140, Lubango 2.125 e Chipindo (criou-se apenas o núcleo).

 O objectivo básico da concepção do projecto, pela antiga fundista Ana Isabel, visa a descoberta de novos talentos e propagar a modalidade de atletismo pelas escolas públicas e privadas dos bairros, comunas e municípios da província da Huíla e com perspectiva de expandir noutras paragens do país.
 Esta intenção, está a dar passos positivos, de acordo com a mentora do projecto Ana Isabel que  enalteceu o programa, por ter atingido localidades onde a modalidade de atletismo nunca foi sentida, a nível da província. “Os administradores municipais gostaram e louvaram o projecto”, pontualizou. 

Ana Isabel sublinhou, que os talentos identificados nos municípios ao longo deste período, a direcção do projecto vai dar o devido direcionamento. “É por isso, que pegamos nestes talentos,  para fazer um campeonato provincial e depois disso vermos as marcas obtidas nessa competição. E, vamos dar o encaminhamento a esses petizes”, disse.

 Referiu, que como em qualquer modalidade desportiva, há várias etapas e níveis de evolução. Por esta razão, argumentou a antiga fundista, “neste momento estamos no âmbito social, quer dizer que estamos na fase da descoberta dos talentos nos municípios e esses valores não vão ficar por aí. Vai dar-se o devido tratamento”, ressaltou.

 As marcas alcançadas pelos talentos que despontam nos municípios para pessoas que nunca treinaram, são aceitáveis, manifestou Ana Isabel, quando fazia o balanço do que foi feito ao longo dos seis meses da fundação do ambicioso projecto de massificação.

 Acrescentou que essas marcas, quase igualam a de um corredor federado, filiado em clubes da capital huilana. Citou que uma criança que nunca praticou a modalidade se percorrer a distância de 4 km em 14 minutos é de louvar. Avançou que se tiver um clube interessado nesse petiz leva o atleta para não ficar desamparado, “isto, se não tivermos em condições de dar continuidade. O nosso projecto neste momento é direccionado no âmbito social”, destacou a mentora do projecto.

Lançado à sensivelmente seis meses, o projecto liderado pela antinga fundista angolana já começou a dar os primeiros frutos, para a satisfação da empresa.


Reconhecimento

Patrocinador satisfeito com resultados

Os resultados alcançados pelo projecto de massificação de atletismo Okuhateka, encantam o director geral da empresa cervejeira N’gola e Coca-Cola Sul de Angola, João Pedro Lopes.

João Pedro Lopes reconheceu ser um projecto ambicioso, que a empresa como patrocinadora oficial, sentiu que devia acarinhar.

  “Pertencemos ao projecto, e face aos resultados obtidos em todos os municípios da província, estamos satisfeitas com os resultados. Portanto, é de louvar que ao fim ao cabo, os objectivos foram concretizados, apesar de que ainda há um caminho a percorrer”, regozijou-se.

 Fruto disso, o director geral da empresa cervejeira Ngola e Coca-Cola Sul de Angola, Pedro Lopes, garantiu continuar a apoiar ao projecto, por estar ligado à questão social e desportiva no país.

 Referiu que a empresa agradece, todo o empenho e a concretização pela equipa liderada pela antiga fundista Ana Isabel.

 Apontou, que é um programa que a empresa abraçou, porque vai de encontro aos valores que a N’gola e Coca-Cola tentam defender. “São valores de empreendedorismo, dinamismo, inspiração para os mais jovens, valores de uma vida saudável e são os valores de contributo para a Nação”, destacou João Pedro Lopes.  Disse que os objectivos básicos da criação do projecto, foram tentar propagar o atletismo pelos municípios, mas podíamos ter feito isto de forma leviana ou seja promover umas corridas ali ou aqui. “E, tínhamos patrocinado essa motivação. Mas não. O projecto liderado pela antiga fundista Ana Isabel foi muito mais além disso”, reconheceu.

João Pedro Lopes sustentou, que os mentores do projecto passaram primeiro pelas bases, a começar por formar os treinadores, professores de educação física para que fossem eles próprios os alicerces desta propagação.

A população do atletismo, referiu o responsável, não é fácil como em qualquer outro desporto, pois vai levar  tempo para colher os frutos preconizados com a implementação do projecto. Mas considerou importantes os alicerces, que foram dados pelo projecto de massificação de atletismo nas escolas da província da Huíla, denominado Okuhateka.

 Salientou, que a presidente do projecto foi uma corredora Olímpica, além dos feitos invejáveis conquistados em provas nacionais e internacionais durante a sua carreira desportiva e que de certa forma tenta levar a paixão a gentes do nosso país.

 Por este motivo, ressaltou João Pedro Lopes sentir-se inspirado, por este tipo de acções que realmente levam o país para frente, com iniciativas desse género.
 Avançou, que só os que movem e saem da zona de conforto,  inspiram a paixão para os outros. “E o meu comprometimento dentro das nossas possibilidades, é continuar a apoiar este tipo de iniciativas”, destacou.
                

DEZEMBRO
Projecto promove provincial


O município do Lubango (sede) acolhe nos dias 5 e 6 de Dezembro, a primeira edição do campeonato provincial de atletismo, promovido pelo projecto de massificação Okuhateka.

 Manuel Pereira, coordenador do núcleo do município do Lubango, assegurou que como anfitrião todas condições  estão a ser criadas para o sucesso da prova, que vai envolver os melhores petizes dos 14 municípios da província da Huíla.

 Afirmou que as delegações de outros municípios, vão ser compostos por oito elementos dos quais três petizes do sexo masculino e três do feminino, um técnico e um motorista.

O município do Lubango compete com quatro atletas, em masculino e igual número em feminino.  As provas vão decorrer na pista do Estádio de Nossa Senhora do Monte nas disciplinas dos 80, 100, 300, 1.200 e 1.000 metros, corridas de estafeta 4x100, saltos e os lançamentos.

 José Pedro, coordenador técnico-adjunto, informou que a realização do campeonato provincial permite colmatar os erros técnicos detectados nos talentos lançados aquando das deslocações aos municípios, assim como ter a apreciação sobre as marcas que vão sendo conseguidas.


FORMAÇÃO
Professores exercem
papel de grande relevância


Os professores de educação física jogam um papel preponderante, no projecto de massificação de atletismo denominada “Okuhateka”, afirmou no Lubango a mentora Ana Isabel.

Informou que ao longo da implementação do projecto, os professores beneficiaram de quatro acções formativas, em que foram ministradas várias matérias ligadas à modalidade, com destaque para as básicas de primeiros socorros, plano de treinos teórico, atletismo nas  três vertentes (técnicas de corridas, saltos e lançamentos), técnicas de metodologia de como dar aulas às crianças de tenra idade, entre outros.

 Estes cursos, contribuíram para a ampliação e aprofundamento dos conhecimentos teóricos e práticos desses professores, dos conteúdos e formas específicas de actuação ao nível motor junto das crianças.

 A mentora do projecto elucidou, que os professores precisam de efectuar actividades práticas, de forma a adquirirem experiência necessária para leccionar com êxitos as aulas de educação física e organizarem encontros e torneios desportivos escolares.

 “São os professores de educação física, que ensinam o ABC do atletismo, nas escolas. Por isso, urge a necessidade de serem capacitados, para não mutilarem as crianças em tenra idade”, manifestou.

Juka Fernandes, coordenador técnico do projecto, reconheceu que sem os apoios de entidades colectivas e singulares, com destaque a empresa cervejeira N’gola e Coca-Cola Sul de Angola, direcções da Educação, Saúde, Juventude e Desportos, administrações municipais, não era possível realizar o sonho almejado no projecto.
            

FUTURO

Massificação passa por  etapas


O processo de descoberta de novos talentos, em qualquer modalidade desportiva, passa por várias etapas e níveis de evolução, considerou em entrevista ao Jornal dos Desportos no Lubango, o director geral da empresa cervejeira N’gola e Coca-Cola Sul de Angola.

 João Pedro Lopes afirmou existir grandes clubes nacionais, bem conhecidos, que têm inclusive várias modalidades, porém o acesso a estas agremiações muitas vezes é limitado.

 Explicou que o acesso, está limitado pela distância, pela própria motivação pessoal em ir inscrever-se num clube. E que por questões financeiras, as modalidades no inicio amadoras, são pagas.

 Acrescentou que quando um atleta principiante atinge um nível de competência, os clubes começam a interessar-se  por esses jovens.

 Na óptica do responsável, este é um modelo, que muitas vezes é um engano. “Se fizermos uma analogia ao futebol, por exemplo, também há escolas que às vezes não dão importância as escolas de formação e quando precisam de bons profissionais de futebol, recorrem a jogadores estrangeiros porque não há massa crítica de base”, frisou.

 De acordo com João Pedro Lopes, na modalidade de atletismo, neste caso em particular, é encarado da mesma forma.
  
 Daí ser importante fazer-se um trabalho de base. E esse trabalho de base, sustentou Pedro Lopes, “é o trabalho que o projecto Okuhateka, de princípio, está a angariar para levar o desporto às pessoas que nunca praticaram e eventualmente não conhecem o atletismo; fazer com que elas se motivem; treinar pessoas para motivar dentro de uma certa comunidade esses jovens, para quem nasçam os talentos”.

Esclareceu, que o projecto Okuhateka, identificou muitos talentos. Por isso, é preciso levar a motivá-los e encaminhar para um outro clube e noutra instância de nível superior.

  “Encontramos aqui os talentos, agora é preciso alavancar as aptidões dos petizes. Estamos a dar matéria-prima aos clubes para eles alavancarem.

Quanto ao trabalho de base, alguém tem de o fazer. E esse trabalho, que às vezes fica por fazer devido à pouco coragem de certas pessoas e equipas que vão as bases buscar, alimentar e transmitir um pouco da paixão da prática desportiva”, frisou.

 A descoberta de talentos também é objectivo do projecto liderado pela antiga fundista Ana Isabel, salientou.