Jornal dos Desportos

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Protesto contra a mulher?

Silva Cacuti - 12 de Março, 2018

Estou mais inclinado a admitir a primeira.

Fotografia: Santos Pedro

Não vou postar, aqui, um \"acaba de me matar\", porque além de não me rever, não me ocorre o que ia colocar na foto, para um protesto contra a mulher, este Ser/origem.
Aliás, muitas vezes o post \"acaba de me matar\" , deixa em minha opinião, o corpo do nosso protesto muito dissimulado, difícil de interpretar.
Contudo, é de consenso que o \"acaba de me matar\" é um movimento de protesto, muito criativo, nascido das zonas suburbanas da nossa capital.
Em pleno Dia Internacional da Mulher, quando bem se podia produzir uma enciclopédia sobre como as sociedades (os homens em particular) pensam \"mulher\", através de mensagens e actos em prol da data, eis, que surgiu um protesto, silencioso, mas grosseiro, contra a mulher.
A mensagem ficou dissimulada, e ganhou a dignidade de um \"acaba de me matar\". Está difícil entender.
Não consigo facilmente compreender as motivações que levaram o Petro de Luanda abandonar a homenagem à mulher, promovida pela Associação Provincial de Andebol de Luanda, ao realizar o torneio de andebol feminino (Março Mulher) em parceria com a Associação Angolana Mulher e Desporto (Amud).
A equipa do Catetão jogou o torneio, mas deixou para as calendas gregas todas as homenagens feitas na cerimónia de encerramento.
Não está claro, se a intenção era partir para o protesto. Se sim, contra quem? Em dia de homenagens múltiplas à  mulher, assusta-nos a ideia de que tal protesto tenha como alvo a figura da mulher. Podia ser contra os organizadores da homenagem, mas também torna-se incompreensível, na medida em que os clubes participantes foram notificados atempadamente acerca do programa de encerramento.
Quando chamaram a equipa tricolor, terceira classificada, para receber o diploma de mérito atribuído pela organização, fêz-se silêncio. Nem sequer um adepto ficou incumbido de representar a equipa.
A equipa do Petro não foi a única que abandonou o recinto da homenagem. As atletas precisavam de descansar. Os dirigentes, cuja tarefa não os obrigou a esforços físicos, deviam deixar alguém a representar o clube, como fez a Marinha de Guerra.
A  situação\"cadeira vazia\", à moda de deputados desentendidos, deixou  duas perspectivas. Uma, a de alguma desorganização, e outra, a de sabotagem a homenagem à mulher. Estou mais inclinado a admitir a primeira.