Jornal dos Desportos

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Prova individual reata hoje

Álvaro Alexandre - 12 de Outubro, 2016

Jovens angolanos festejam primeira

Fotografia: Paulo Mulaza

A efervescência pela conquista do título inédito, no Campeonato Africano de Vela, da classe Optimist, continua a ser de euforia no seio da comunidade angolana. Na Baía de Luanda, os "embaixadores nacionais" atribuíram a consagração à Nação e manifestaram a promessa de manter o espírito patriótico, para vencerem o campeonato individual.

Na areia branca da praia da Ilha de Cabo, os 16 atletas festejaram ao estilo angolano a conquista do título. Os gritos e assobios dos campeões africanos misturaram-se na canção das ondas. Eram almas exaltadas e encantadas. Entre a inocência e a consagração, o mar era testemunha da alegria.

O principal obreiro da conquista da medalha de ouro, Decáprio Fernandes, enalteceu o sacrifício dispendido pelo grupo de adolescentes. Entre fortes emoções, o angolano disse que valeu a pena consentir o sofrimento.

Para Decáprio Fernandes, "a conquista do título não foi fácil". Os angolanos enfrentaram "duas poderosas selecções, e a mais terrível foi a da Argélia, que se apresentou na máxima da sua força para dificultar os anfitriões", uma vez que "têm reduzidas hipóteses na competição individual".

Decáprio Fernandes atribuiu a vitória ao povo angolano, por tudo quanto tem passado, nesses 41 anos de liberdade. "Vamos atribuir como presente a primeira medalha de ouro de uma competição africana de vela ao sofrível povo de Angola", disse.

Sem desprezar os demais concorrentes, Decáprio Fernandes promete ajudar ao país a conquistar da segunda medalha de ouro na competição, que decorre na Baía de Luanda.

Em meio da euforia, o líder da competição individual africana, Osvaldo da Gama, destacou o mérito ao desempenho ímpar de Decáprio Fernandes. Para si, o colega de selecção "teve uma actuação decisiva na conquista do título de campeão africano, por equipas".

"Foi um excelente virar de resultado, pois a prestação da Argélia na primeira regata e na última mexeu connosco", disse. Angola perdeu na primeira regata diante da poderosa Argélia. Na segunda regata, os angolanos chamaram a si a supremacia e igualaram o resultado. Na terceira e última regata, Angola teve um mau arranque. "Graças ao Decáprio, que puxou pelo grupo, derrotamos o adversário", disse Osvaldo Gama.

Com a conquista da medalha de ouro, por equipas, Osvaldo da Gama está focado na competição individual. "O país espera de mim um resultado que possa alegrar a todos. Estou concentrado nas quatro últimas regatas. Farei tudo para me manter na linha de frente para erguer a taça de campeão na quinta-feira", promete.

EM BUSCA DE OURO
Prova individual reata hoje


 A prova individual do Campeonato Africano da classe Optimist reata hoje, a partir das 12h00, na Ilha do Cabo, com o duelo activado entre velejadores angolanos e sul-africanos. Os aficionados aguardam com grande expectativa o despique entre o angolano Osvaldo Gama e o sul-africano Matt Ashwell, principal carrasco dos anfitriões.

Com o título africano, por equipas, a embelezar a galeria da Federação Angolana do Desporto Náutico, o quarteto do seleccionador nacional, Moisés Camota, volta a assumir a tarefa, com o pensamento direccionado na  dobradinha. Nada está consumado. Muita coisa pode acontecer no topo da tabela. A balança sofre pressão nos dois pratos: os angolanos pressionam  num, e os sul-africanos, moçambicanos e argelinos, no outro.

À entrada da sétima regata do Campeonato Africano de Optimist, Osvaldo da Gama (Angola) lidera com 11 pontos, seguido por Lourenço Simão (Angola) com 31, Matt Ashwell (África do Sul), 31; Decáprio Fernandes (Angola), 58; João Luacuti (Angola), 80; Emilio do Rosário (Angola), 81; Titos Cossa (Moçambique), 72 pontos; Beninson Nzunzi (Angola), 76; João Artur (Angola), 76 e Zakari Mokhtari (Argélia) 56.

FEMININO
Na classe feminina, a moçambicana Denise Parruque pretende levar o troféu para Maputo. Com elevada performance, a menina do Índico continua a liderar a competição com 73 pontos, à entrada da sétima jornada. Chiara Fruet (África do Sul) persegue a moçambicana com 98 pontos.

Mais abaixo estão  Rym Isra Dia (Argélia), 143; Racha Touabi (Argélia), 148; Aline Lourenço (Angola), 182; Anna Grolleman (Ilhas Seicheles), 217; Maria Júlio (Angola), 231; Juliana Miguel (Angola), 236; Helen Jansen Van Vuuren (África do Sul), 254; Philipha Ross (Zimbabwe), 277 e Joana Brito (Angola), 279. 
 AA


APÓS CONQUISTA
Diamantino Leitão amplia objectivos

Depois da conquista do troféu de primeiro classificado, do por equipas, o presidente da Federação Angolana de Desporto Náutico, Diamantino Leitão, ampliou os objectivos. O dirigente está crente numa vitória,  na empreitada que retoma hoje. "Das duas etapas, uma já está ganha. Tudo correu muito bem. Os miúdos são excepcionais e somos os melhores do continente, por equipas. Transmito energias positivas à nossa jovem selecção. Venceremos a outra prova", determinou.

Quando as coisas se complicaram no lado do combinado, dirigido por Moisés Camota, o presidente da Federação Angolana de Desporto Náutico, Diamantino Leitão, confessou que perdeu a crença na vitória. "Em alguns momentos, pensei que não era possível vencer a prova" confessou.

O responsável descreveu que "na última largada, tudo estava complicado, e quando parecia perdido, os miúdos repuseram e deram a volta ao resultado". O segredo da vitória está no trabalho diário realizado nos diversos clubes, por treinadores, atletas e pais. A competição é o culminar do trabalho de base, segundo Diamantino Leitão.

Para a prova de hoje, está crente no triunfo nas regatas individuais do Campeonato Africano de Vela de Optimist. "Angola está muito bem qualificada. Os dois primeiros atletas são nossos. Nos seis primeiros lugares, temos cinco lugares. E, no Top-10, temos sete lugares. Estamos muito bem posicionados. Vamos gerir as posições consolidadas. Com calma, vamos conquistar o título individual, que há muitos anos perseguimos", pressagiou.^

O presidente da Federação Angolana do Desporto Náutico reconheceu a fragilidade na classe feminina. "As nossas meninas precisam de trabalhar mais. O que se passa, não faço ideias. Sei que tínhamos atletas com idade avançada para competir na prova de Optimist. As mesmas não deixaram sucessores. Agora, temos de apostar na massificação para nos tornarmos os melhores nesse escalão. Os clubes vão ter de trabalhar mais, e vamos apoiá-los",destacou. 
AA

ARGÈLIA
FALTA DE SORTE

O treinador da selecção da Argélia, Marzougui Faylel, disse que perderam o título por falta de sorte, e Angola tirou vantagem por conhecer o espaço que alberga a prova. "No confronto geral, empatamos e fomos melhores. Só não ganhamos a prova, porque nos faltou um pouco de sorte", lamentou.
Marzougui Faylel disse que começaram a final com uma  vitória ao ganhar aos angolanos na primeira regata.

"O desastre partiu da derrota que consentimos na segunda partida. O desempate esteve favorável do nosso lado, mas os últimos dois minutos foram fatais. Perdemos o Africano a partir daquele período. Os angolanos surpreenderam -nos e cortaram a meta na posição vantajosa",  disse.

MOÇAMBIQUE
Vitória de Angola é dos PALOP


O seleccionador de Moçambique, Hélio da Rosa, lamentou a perda do título, mas manifestou satisfação pela conquista de Angola. "Um campeão não fica satisfeito com a perda do troféu. Viemos a Angola para revalidar a Taça Africana, mas não foi possível. Angola e Argélia apresentaram-se bem na prova. Também não perdemos tudo, ficamos com a medalha de bronze", disse meio desanimado.

O moçambicano congratulou-se com a conquista da primeira Taça Africana por Angola. "Felicito a vitória da vela. O grupo foi um digno vencedor. Angola soube honrar a nossa região. Moçambique ficou pelo caminho, e os anfitriões impediram o domínio dos países do norte do nosso continente", desabafou.
AA