Jornal dos Desportos

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Quenianas apanhadas no doping

27 de Agosto, 2015

Julius Yego obteve um lançamento histórico no campeonato do mundo de atletismo que decorre na cidade chinesa de Pequim até ao próximo domingo

Fotografia: AFP

O tempo em que o Quénia tinha os melhores atletas do mundo apenas nas provas de fundo e meio-fundo está definitivamente encerrado. No Mundial de Beijing, os africanos estão a mostrar-se a principal potência do atletismo como um todo. Ontem, Julius Yego venceu o lançamento do dardo com impressionantes 92,72 metros, a terceira melhor marca de todos os tempos nesta prova.

O recorde mundial (98,48m), do checo Jan Zelezny, dura desde 1996 e parece insuperável. Com o resultado de ontem, Julius Yego torna-se no segundo melhor entre os 'mortais' no dardo, atrás apenas do finlandês Aki Parviainen, que lançou 93,09 metros, em 1999. Na história, só outros dois atletas chegaram à casa dos 92 metros.

A época de Yego surpreende, porque, até o ano passado, tinha 85,40 metros como a melhor marca da carreira. Foi o 16º do ranking mundial de 2014 e já é o terceiro da história em 2015. Uma evolução que só tem comparação com a do também queniano Nicholas Bett, que foi 25º do mundo nos 400 metros com barreiras, no ano passado, e agora é o campeão mundial numa prova que o Quénia nunca teve tradição.

Esse novo cenário é reflectido no ranking mundial. O Quénia, que ganhou 12 medalhas no Mundial de 2013, em Moscovo, já tem 11 em Pequim. Com seis de ouro, três de prata e duas de bronze, lidera o quadro de medalhas com sobras. Mas também veio do Quénia os dois primeiros casos de doping da competição, de atletas dos 400m rasos e 400m com barreiras.

Ontem, o país africano ganhou também nos 3.000 metros com obstáculos, prova na qual tem enorme tradição. A nova campeã mundial é Hyvin Kiyeng Jepkemoi, de 23 anos. No pódio em Pequim, a queniana teve a companhia da tunisiana Habiba Ghribi e da alemã Gesa Felicitas Krause.

Quenianas apanhadas no doping
As quenianas Koki Manunga e Joyce Zakary foram suspensas de forma provisória pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF) depois de terem sido apanhadas em exames antidoping, durante o Campeonato Mundial de Pequim, anunciou ontem a entidade.
"Koki Manunga e Joyce Zakary aceitaram a suspensão provisória, depois de exames efectuados em 20 e 21 de Agosto", anunciou a IAAF em comunicado.

Ambas são atletas de ponta do Quénia. Joyce Zakary é especialista dos 400 metros e Koki Manunga, nos 400 metros com barreiras. A IAAF explicou que os exames foram realizados no hotel antes da competição, mas não divulgou detalhes sobre o tipo de substância encontrada. As atletas "foram apanhadas por uso de um produto que serve para mascarar uma substância desconhecida, provavelmente, a nandrolona, e foram informadas poucas antes do Quénia conquistar a primeira medalha da sua história nos 400 metros com barreiras, com o ouro de Nicholas Bett", de acordo com SportNewsArena.com, site queniano de informações desportivas.

Na segunda-feira, Joyce Zakary participou nas séries classificativas do 400 metros e tinha se classificado para as meias-finais, com tempo de 50s71, novo recorde queniano. A atleta de 29 anos não se apresentou para a partidada meia-final no dia seguinte. Já Koki Manunga foi eliminada nas séries dos 400 metros com barreiras, com tempo de 55s82, muito longe da sua melhor marca, recorde nacional, estabelecido em 11 de Julho, em Nairobi.

400 METROS RASOS
Sul-africano ganha ouro


Os recordes (pessoais, nacionais, mundiais) no atletismo são excepção, não regra. Na fortíssima final dos 400 metros rasos no Mundial de Pequim, o medalhista de bronze fez o equivalente à oitava melhor marca da história. A vitória ficou com o sul-africano Wayde van Niekerk, que completou a prova em 43s48.

Em todos os tempos, só cinco apresentações foram mais rápidas. Quatro do recordista mundial Michael Johnson, entre 1995 e 1999, uma de Harry Reynolds (em 1988, para bater o recorde mundial) e outra do também norte-americano Jeremy Wariner (na final do Mundial de 2007).  Mesmo assim, Van Niekerk não sobrou, pelo contrário. Foi seguido de perto pelo norte-americano LaShawn Merritt, bicampeão mundial e campeão olímpico em

Pequim'2008, que bateu o seu recorde pessoal: 43s65, e assumiu o quinto lugar do ranking de todos os tempos. Já o actual campeão olímpico, Kirani James, de Granada, completou a prova em 43s78, equivalente ao oitavo lugar do ranking histórico dos 400m. A final foi tão forte que o actual vice-campeão olímpico, o dominicano Luguelín Santos, bateu recorde nacional (44s11) e ficou fora do pódio. Então líder do ranking mundial, Isaac Makwala, de Botswana, ficou só em quinto.

800 METROS
David Rudisha
conquista ouro

O queniano David Rudisha, campeão olímpico e recordista mundial dos 800 metros, confirmou o favoritismo no Campeonato Mundial de Atletismo, e arrebatou a medalha de ouro disputada no Estádio Ninho do Pássaro, em Beijing. O corredor levou a melhor com o tempo de 1min45s84, bem acima da marca que estabeleceu nos Jogos Olímpicos de Londres, de 1min40s91, e também da alcançada pelo bahamense Amel Tuka, a melhor de 2015, de 1min42s51.

O atleta centro-americano ficou com a medalha de bronze na prova. A prata foi atribuída ao polaco Adam Kszczot, que esteve quase dois décimos atrás do medalhista de ouro. Com a vitória, David Rudisha volta a ser campeão mundial após quatro anos, já que depois de vencer em Daegu, em 2011, ficou fora da edição de Moscovo. Detentor do título até esta terça-feira, o etíope Mohammed Aman foi desqualificado nas meias-finais e não conseguiu defender o ouro obtido na capital russa.

SALTO COMPRIMENTO
Rutherford
é campeão
mundial 


Actual campeão olímpico, o britânico Greg Rutherford ampliou o seu domínio também ao Campeonato Mundial de Atletismo, ao vencer a prova do salto em comprimento, com o melhor desempenho do ano na modalidade. O atleta assustou os fãs, já que foi para a quarta tentativa apenas com a marca de 8,29 metros, além de dois saltos queimados. A condição de favorito foi confirmada com o britânico a atingir 8,49 metros, o que o fez abrir mão de uma última presença na pista do Estádio Ninho do Pássaro, em  Pequim.

A medalha de prata ficou com o australiano Fabrice Lapierre, com marca de 8,24 metros, e a de bronze com o chinês Jianan Wang, com 8,18 metros.
O campeão mundial destronado, o russo Aleksandr Menkov, ficou apenas na sexta posição, com 8,02 metros, a melhor das últimas tentativas em que não queimou o salto.