Jornal dos Desportos

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Quenianos dominam Luanda

Silva Cacuti - 01 de Janeiro, 2015

Atletas afectos ao Kabuscorp do Palanca voltaram a erguer o troféu na corrida de fim de ano realizado na capital angolana

Fotografia: AFP

O queniano Stephen Kosgei Kibet confirmou ontem o favoritismo que lhe era atribuído e venceu a 59ª edição da corrida de fim de ano, a São Silvestre de Luanda, com o tempo de 28min35d. Os compatriotas Mathew Kisório, com o tempo de 28min41s  e Alex Korio, com 28min45s completaram o pódio. O record da prova (27min44s) estabelecido em 2011, por Zerzenai Tadese, persiste de pedra e cal.À terceira foi de vez. Nos últimos dois anos, Kibet correu três vezes em Luanda em busca da consagração. Foi a sua primeira vitória em solo angolano, mas nunca ficou fora do pódio. Foi  3º classificado na São Silvestre de 2012 e segundo, na Meia Maratona de Luanda em 2013.

Agora, mostrando-se mais adaptado ao clima angolano, o corredor ao serviço do Kabuscorp do Palanca não deixou que mais alguém lhe tirasse o ceptro.A prova teve o tiro de largada dado com cinco minutos de atraso (18h05), numa altura em que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inamet) indicava céu pouco nublado, vento de nordeste 10 nós (20Km/h), 27 graus de temperatura, humildade relativa de 72 por cento. A Mutamba estava apinhada de gente. Cerca de 1500 das quase 2500 pessoas que acorreram ao local, a partir das 14h00, estavam inscritos. Os demais eram assistentes, forças da ordem, jornalistas e técnicos de diversos serviços.

Francisco Ngueva é um jovem morador do bairro Uíge. Tinha uma aposta por vencer. Deixou à guarda do tio 15 mil kwanzas para dar ao primo, se não cortasse a meta antes dos 40 minutos. Estava ansioso e foi um dos protagonistas da confusão que se gerou antes do tiro de largada. Saiu voado para cumprir a promessa e embolsar o valor da aposta. Depois de correr dois minutos  e meio, estava na zona do Largo da Maianga e tinha a língua do tamanho de uma gravata. Na zona da Gráfica Popular, só conseguia caminhar. Estava encharcado de suor e convencido de que perdera a aposta. Enquanto isso, os quenianos monopolizaram a prova quando seguiam na zona do Largo das Heroínas. O grupo era de cerca de 15 corredores. Bernard Kiptum, Teshome Asfha (único etíope do grupo da frente) Mathew Kisorio e Stephen Kosgei Kibet revezavam-se na liderança.

Na zona da Robert Hudson, Kibet ataca e apenas Korio lhe consegue oferecer resistência. Pagou caro pelo esforço. Quando precisou dele, foi superado por Mathew Kisório, que ficou na segunda posição. Foi uma prova rápida, feita na casa dos 28 minutos.Bastos Filipe, do Cuanza Sul e atleta do 1º de Agosto, foi o melhor angolano, quedando-se na 16ª posição da tabela geral.

SPRINT DECIDE
TÍTULO FEMININO

As quenianas Josephine chepkoech, Stacy Ndiwa e Irene Cheptai precisaram do "sprint" para decidir quem sairia de Angola coroada como campeã da São Silvestre.  Josephine foi mais feliz e por décimos de segundo foi considerada vencedora com 32min20s, o mesmo tempo cronometrado por Stacy, na segunda posição. Irene ficou a um segundo das duas primeiras. Entre as angolanas, Adelaide Machado foi a primeira a cortar a meta.

STEPHEN KIBET
"Foi um regresso feliz"

O queniano ao serviço do Kabuscorp do Palanca, Stephen Kibet, exteriorizou o seu regozijo por ter vencido a tradicional corrida de fim do ano "São Silvestre de Luanda"  disputada ontem  na capital do pais, depois de, na sua primeira presença, em 2012, não ter conseguido mais do que a terceira posição."Foi um regresso muito feliz, pois na primeira vez que cá estive lutei para triunfar, mas não foi possível. Hoje sabia que não seria fácil, porque contava com a concorrência de atletas que investiram para a vitória. Espero voltar mais vezes e procurar vencer o maior número de possível", disse

Ausente na edição passada, em virtude de estar envolvido na Maratona dos Estados Unidos da América, o  fundista queniano elogiou o nível de organização patenteado pelo certame mais mediático no continente africano. "As condições de acomodação e a disciplina de todos intervenientes foi fundamental para o sucesso", disse.O campeão apontou o subida da Revolução de Outubro como o troço mais difícil da prova. Stephen Kibet disse que um esforço suplementar é exigido para se impor diante dos adversários que apresentaram boa resistência. Porém, notou que o facto da corrida ter iniciado uma hora depois do habitual também deu mais qualidade ao evento. HELDER JEREMIAS


JOSEFINE CHEPKOECH
"É uma alegria vencer"


A vencedora da prova, Josefine Chepkoech, considerou a São Silvestre de Luanda como uma das melhores competições em que já esteve envolvida. A queniana garante a presença na próxima edição com o compromisso de defender o título alcançado na sua estreia.A também atleta da equipa do Palanca apontou as altas temperaturas entre as maiores adversidades, sem excluir a réplica das atletas nacionais e estrangeiras ao longo de todo o percurso, sobretudo, na recta final em que travou um duelo renhido com a sua compatriota. Josefine Chepkoech disse que já tinha ouvido falar sobre a São Silvestre de Angola, mas confessa:  "fiquei surpreendida com o nível e o lindo percurso".

Ao fazer uma comparação com as outras provas em que esteve presente, a queniana afirmou que "o circuito da cidade de Luanda é muito agradável, ao contrário do que sucede noutros lugares de relevo acidentado"."É uma grande alegria vencer esta maratona, porque sempre tive muitas informação positivas sobre como era agradável competir em Angola. Consegui realizar um desejo e quero partilhar esta alegria com todos aqueles que tornaram possível a minha vinda", desabafou.
HÉLDER JEREMIAS