Jornal dos Desportos

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Quicanga desdenha desafios

05 de Dezembro, 2014

Tony Quicanga considerou insultuoso o desafio feito a si por Tó Morgado

Fotografia: José Cola

O tri-campreão mundial de boxe, da versão UBC, Tony Kikanga considerou insultuoso o desafio feito a si por Tó Morgado. Falando em reacção à pretensão do seu desafiante disse mesmo que "nunca vai acontecer".

"Eu acho que o meu nome merece um pouco de mais respeito, não mereço ser destratado assim. Nunca vai acontecer, eu subir ao ringue com um indivíduo que não luta há cinco anos, não tem ranking africano nem nada. Eu sou campeão mundial, e o único pugilista angolano no activo, dei nome à federação angolana de boxe e mereço ser protegido", disse, agastado.

O campeão que aguarda por um combate para a defesa do título entende que instituições como o Ministério da Juventude e Desportos e a Faboxe deviam impedir que pronunciamentos desafiantes como o de Morgado viessem a público.

"Em condições normais este senhor devia ser punido pela federação e pelo Ministério que têm a obrigação de me proteger, enquanto campeão mundial, reconhecido pelo Presidente da República e por instituições internacionais do boxe mundial", disse.

Com 41 anos, o pugilista angolano, que reside em Portugal desde 1990, até ao ano passado, onde representou o Health Club de Lisboa, somou o terceiro título da UBC, depois de várias conquistas na TWBA.

Em recente entrevista à TPA, Toni Quicanga disse não haver em Angola nenhum outro pugilista profissional no activo, o que motivou o desafio de Tó Morgado e reacção de outros pugilistas pelo país.

José Gomes, outro pugilista, também se mostrou indignado e disse estar pronto se o campeão mundial quiser jogar consigo. "É uma pena que eu não consiga aumentar o meu peso para chegar ao de Quicanga, mas se ele quiser baixar o seu peso, estou pronto, só para mostrar que aqui fazemos alguma coisa", desafiou David Massiala, outro pugilista.

Faboxe espera
oficialização

Um combate entre o detentor do título mundial e um aspirante sem ranking africano, como é o caso entre Tó Morgado e Quicanga é possível, desde que se compulsem os regulamentos e haja vontade das partes, admitiu Carlos Luís, presidente da Federação Angolana de Boxe (Faboxe).
A instituição aguarda que as intenções que se manifestam sejam oficializadas.

"Um desafio é um desafio. Caso se observem as condições para a realização deste desafio, realiza-se. Acho que é salutar que haja desafios entre pugilistas. Esperamos que se tornem oficiais e accionamos o que for necessário", disse.

Carlos Luís disse que para si um pugilista profissional é aquele que tem um contrato com um "manager", gestor de carreira, que vai negociar e criar condições para que o pugilista faça competições.

"Penso que temos pugilistas, o que falta são "managers" profissionais que permitam os nossos profissionais desempenharem a sua carreira sem sobressalto", disse.