Jornal dos Desportos

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Recordes alegram fãs

21 de Dezembro, 2015

Danny Kent resgatou a imagem da Grã-Bretanha

Fotografia: AFP

A época 2015 da Moto3 foi mais um prato cheio para o fã de boas corridas. Como tradicionalmente acontece, a classe menor do Mundial de Motociclismo trouxe disputas até a última curva e, de sobra, viu o título ser definido na prova final do calendário, apesar do excelente início de campeonato de Danny Kent.

Aos 21 anos — 22 desde o último dia 25 —, o britânico teve momentos irrepreensíveis na época, como, por exemplo, as corridas de Austin e da Argentina, onde venceu com margens atípicas para a Moto3, mas estragou a vantagem na segunda parte da época e quase viu o título escapar.
Na primeira dúzia de corridas da época, Kent somou 224 pontos contra 114 de Miguel Oliveira. Nas seis etapas finais, o português virou o jogo para cima do rival da Kiefer, acumulando 140 pontos, contra 36 do inglês.

O esforço hercúleo de Miguel levou a disputa pelo título para a prova final, em Valência. E para apimentar ainda mais a luta, Danny teve uma performance apagada na classificação ao conquistar apenas o 18º lugar da grelha. O rival da Red Bull KTM Ajo, por outro lado, abriu a segunda fila.

Na corrida, Oliveira fez o que lhe cabia, uma vez que a vitória era a sua única opção de título, mas Kent decidiu por uma abordagem bastante cautelosa e até mesmo irritante. Sem se envolver em confusão, o número 52 fez uma boa saída e depois passou bastante tempo entre 14º e 12º.

Com o desenrolar da disputa, acabou atrás de Hiroki Ono, o seu companheiro de Kiefer, que decidiu colocar emoção na luta. Depois de ser ultrapassado pelo líder do Mundial, o jovem estreante cansou de acompanhar o britânico e decidiu atacar, mas nada que ameaçasse o título de Danny, que chegou ao circuito Ricardo Tormo com 24 pontos de vantagem.

A situação de Danny ficou ainda melhor na última volta, quando Niccolò Antonelli caiu e levou junto Romano Fenati e Éfren Vázquez. Assim, o nono posto foi suficiente para o número 52 ficar com o título, mesmo com o triunfo de Miguel.

Com o resultado, Danny encerrou dois jejuns para os britânicos: desde 1969, quando Dave Simmonds foi campeão das 125cc, nenhum piloto do Reino Unido tinha conquistado o titulo da categoria menor. No contexto do Mundial de Motociclismo, foram 38 anos sem títulos ingleses desde a conquista de Barry Sheene.

Outra marca da época 2015 foi a ausência de pilotos espanhóis no topo do pódio. Depois de anos de um relativo domínio da Espanha, o país do Rei Felipe VI ficou sem triunfos na categoria de entrada pela primeira vez desde 1999, ano em que Emilio Alzamora conquistou o título. O espanhol ficou com a taça sem vencer uma única etapa.

A ausência de vitórias não significa que os espanhóis fizeram feio. Jorge Navarro ficou com o prémio de melhor estreante e fechou a época com o sétimo posto no Mundial de Pilotos, mantendo a tradição da Estrella Galicia 0,0, que teve os melhores novatos também em 2012 (Álex Rins) e 2013 (Álex Márquez).

Mas além do Reino Unido e de Portugal, que conquistou o melhor resultado da sua história, quem sai de 2015 realmente fortalecida é a Itália. Além de Enea Bastianini, Fenati e Antonelli, que conquistaram três posições dentro do top-5 da classificação, o país tem um belo futuro pela frente, especialmente com a chegada de Nicolò Bulega, primeiro italiano campeão do Campeonato Espanhol de Velocidade, e que vai defender a equipa de Valentino Rossi em 2016. O jovem piloto fez uma bela estreia como wild-card em Valência.

TECNOLOGIA
Suzuki incorpora a seamless


O piloto de testes da Suzuki, Nobuatsu Aoki, afirmou que conduzir a GSX-RR com a embraiagem seamless é como jogar videogame. Depois de muita espera, a fábrica japonesa lançou a embraiagem ultra-rápida numa série de testes privados em Sepang, na Malásia. Desde a etapa de Mugello, quando a Aprilia introduziu a embraiagem seamless, a Suzuki tornou-se na única fabricante da grelha da MotoGP a não contar com a tecnologia.

“Dá muita diferença”, disse Aoki em entrevista à publicação britânica ‘Crash.net’. O veterano piloto elogiou a tecnologia: “Cada vez que sobe a marcha numa embraiagem normal, ele corta. Mas com o seamless, isso não acontece. A cada mudança de marcha, ganha talvez dois metros. E é muito fácil de pilotar. É como PlayStation, uma coisa automática. É incrível”.

Além de oferecer uma pequena vantagem na aceleração, outro bónus do seamless é a suavidade da mudança de marchas. “Para fazer uma volta rápida, talvez não haja mudança, mas especialmente quando a aderência do pneu dianteiro cai e a moto começa a mover-se na travagem, a embraiagem seamless é mais estável”, explicou.

Aoki, que disputou um total de 168 corridas no Mundial de Motociclismo entre 1990 e 2008, conquistou uma vitória nas 250cc e quatro pódios na classe rainha. O veterano acredita que o seamless é a maior inovação do motociclismo desde o controlo de tracção. “Na história do motociclismo é um grande passo. O controlo de tracção foi um grande passo e este é o próximo”, opinou.

ÉPOCA 2015
Ano de glórias
e popularidade

A MotoGP fecha 2015 com muitos motivos para celebrar. Embora o tumulto entre Valentino Rossi, Marc Márquez e Jorge Lorenzo tenha deixado uma marca na história do Mundial, a confusão não apaga o que foi a 67ª época da categoria rainha do Mundial de Motociclismo. Antes mesmo de as luzes se apagarem na recta de largada do GP do Qatar, a Federação Internacional de Motociclismo (FIM) e Dorna, promotora do campeonato, já tinham motivos para festejar.

A Suzuki cumpriu a promessa de voltar à grelha da MotoGP e a Aprilia decidiu antecipar o seu regresso para usar 2015 como um ano de testes para a próxima época. Além da volta das duas marcas, o Mundial também testemunhou o renascimento da Ducati.

Sob a batuta de Gigi Dall’Igna, a casa de Bolonha trouxe uma Desmosedici mais forte, mais competitiva e deu a Andrea Iannone e Andrea Dovizioso oportunidades mais concretas de lutar pelo pódio. A meta inicial era lutar pela vitória, mas, ao fim das 18 etapas do ano, o sonho do triunfo foi mais uma vez adiado.

Mesmo assim, a fábrica de Borgo Panigale têm razões de sobra para comemorar. A Ducati soube aproveitar muito bem os benefícios do regulamento Aberto, e aqui cabe um elogio à Honda e Yamaha, que permitiram concessões para a fábrica rival em favor de um desporto mais competitivo e evoluiu com o projecto da Desmosedici para tirar o atraso dos anos anteriores.

A Honda e a Yamaha vieram fortes como sempre. A fábrica dos três diapasões conquistou o maior presente do ano: a tríplice coroa. No aniversário de 60 anos da Yamaha Motor, a equipa de Jorge Lorenzo e Valentino Rossi conquistou os títulos de Equipas, Construtores e Pilotos.

Para aumentar ainda mais a alegria em Iwata, Rossi, aos 36 anos, voltou ao auge, naquela que para muitos foi a sua melhor época nesses 20 anos de Mundial de Motociclismo. O italiano foi ao pódio com frequência, venceu, fez poles, teve boas disputas e foi o promotor de sempre para o desporto que tanto ama.

Jorge Lorenzo conquistou o quinto título da carreira no Mundial, o terceiro na MotoGP, e fecha o ano como o piloto que mais venceu, embora não seja uma unanimidade entre os fãs, nem mesmo os espanhóis.

Do lado da Honda, a coisa não saiu tão bem como esperado. A RC213V continua uma moto incrível, mas o motor de 2015 não é dos melhores já produzidos em Saitama. Com dificuldades para lidar com a agressividade do propulsor japonês, Márquez deitou e rolou, literalmente, e acabou fora da luta pelo título ainda em meados da época.

Dani Pedrosa também não teve vida fácil com o protótipo 1000cc japonês, mas foi o físico que cobrou um preço alto do  número 26. Após a prova do Qatar, o espanhol colocou a sequência da carreira em dúvida por conta da síndrome comportamental, mas uma nova cirurgia, seguida por uma ausência de três provas, conseguiu manter o pequenino piloto em actividade.

Como já fez tantas vezes antes, Dani Pedrosa trocou o rótulo de ‘piloto acabado’ pelo de ‘renascido’ e apareceu mais forte na recta final da época, inclusive com uma vitória espectacular no Japão.