Jornal dos Desportos

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Red Bull sob pressão

30 de Setembro, 2015

A Red Bull está mergulhada numa panela de pressão. Depois de quatro anos de glória, a equipa taurina está em dificuldades, para encontrar um fornecedor de motores para os próximos anos. A situação pode afastá-la da F1, mas a retirada do Campeonato Mundial pode ter um custo alto para a marca dos energéticos.

A Red Bull tem um acordo com a FOM, que prevê a permanência na grelha da F1 até 2020, de acordo com o jornalista Joe Saward. Se sair antes, os rubro -taurinos vão arcar com uma multa de 330 milhões de libras (cerca de 500 milhões de dólares). Saward escreveu: “Dietrich Mateschitz tem caminhado nas florestas da Áustria, considera deixar a F1, mas é improvável que isso aconteça, em troca de grandes somas de dinheiro em prémios extras do grupo da F1, a Red Bull concordou ficar no desporto por dez anos (até 2020) e acredita-se num sistema de sanções, o que significa que a punição caia de mil milhões de dólares para 100 milhões de dólares por ano”.

O especialista em F1 esclareceu, que "isso significa que a Red Bull pode deixar o desporto, se estiver disposta a pagar 500 milhões de dólares para o grupo da F1". "Considerando a conta, seria melhor para Mateschitz manter o seu dinheiro, fazer o máximo da trapalhice em que a equipa está e tentar não estragar tão monumentalmente no futuro", completou.  Outra opção, sugerida por Saward, é a compra da  maioria das acções da CVC Capital.

"O negócio teria um custo alto, mas é uma opção que Mateschitz já considerou anteriormente", escreveu. O chefe da Red Bull, Christian Horner, avaliou que a equipa dos energéticos vive um momento “crítico” na preparação para a época'2016. A equipa de Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat não tem acordo com nenhuma das fornecedoras de motores da F1. O dono da marca dos energéticos, Dietrich Mateschitz, já deixou claro, que se não conseguir um motor competitivo para o próximo ano, vai tirar as duas equipas do Mundial: Red Bull e Toro Rosso.

Com o rompimento iminente com a Renault, a Red Bull conversou com a Mercedes, mas a negociação não foi adiante. As conversas emperraram em Mateschitz, que "nunca gostou da Mercedes", de acordo com Niki Lauda. Nesse cenário e a ter em conta que o motor Honda não interessa a ninguém, excepto a McLaren, a Ferrari aparece como a única opção para os rubro -taurinos. Em declarações à emissora britânica Sky Sports, Horner afirmou que a situação actual é “crítica”, já que os preparativos para a próxima época estão fora do prazo.

O responsável também não negou que a Ferrari tenha oferecido a versão 2015 dos seus motores. “A actual situação é bem crítica, pois, enquanto estamos sentados, não temos motores. O importante para nós, é ter um motor de primeira linha. Antes de mais nada, precisamos de concluir a nossa situação com o actual fornecedor, mas Dietrich deixou a situação muito clara”, disse Christian.

A actual fornecedora da Red Bull, a Renault, assinou uma carta de intenção de compra com a Lotus. Se a transacção se confirmar, a fabricante francesa volta a ter uma equipa própria na F1. Com o início dos testes de pré-época, programado para Março, a Red Bull corre contra o tempo para definir o futuro. Indagado sobre qual o prazo final para a construção do RB12, Horner respondeu: “Já estamos muito atrasados”.

O chefe de equipa ressaltou, que "para a Toro Rosso é mais crítico do que para a Red Bull” em função das longas semanas de atraso.
Durante o fim de semana, em Suzuka, Red Bull e Ferrari voltaram à mesa de negociações. O chefe da equipa italiana, Maurizio Arrivabene, não quis dar detalhes sobre a conversa. “A Mercedes, Honda e Renault fazem carros e motores. Estamos a conversar com todo o mundo. Há uma oferta e a oferta precisa de atender à necessidade. Todo o negócio é assim. Não posso dizer nada além disso”, concluiu.

NEGOÇIAÇÕES
Niki Lauda acusa Dietrich Mateschitz


A época'2015 da F1 está a chegar perto do final, o título de Lewis Hamilton, está a encaminhar-se lentamente. Os dramas do ano, parecem centrados no fornecimento de motores, para 2016. A Mercedes, com as melhores unidades de potência da categoria, é objecto de desejo para diversas equipas, principalmente a Red Bull que vê o seu futuro como um horizonte incerto. 

Niki Lauda, dirigente dos prateados, tratou de descartar a possibilidade, de acordo com os austríacos. O tricampeão mundial assegurou que as duas partes mostraram interesse em negociar, mas as conversas não fluíram muito por causa de Dietrich Mateschitz, dono da companhia de energéticos. Agora, os tetracampeões são claros: ou conseguem motores Ferrari ou fecham as portas.

“Preciso de ser claro. Christian Horner e Helmut Marko mandaram-nos uma carta a dizer que gostariam de ter os nossos motores. Disse ‘sim, mas primeiro precisamos de falar com Mateschitz’, já que ele, por algum motivo, nunca gostou da Mercedes”, contou Lauda. Niki Lauda revelou, que "algo aconteceu no passado", mas desconhece as razões. "Fui ver  Mateschitz, já que o conheço e perguntei se estava interessado. Disse-me ‘sim, mas, mas, mas...’. A partir desses ‘mas’, não seguimos as negociações”, revelou.

Com isso, a cúpula da Mercedes tratou de pensar noutra equipa, para receber motores. Com a dúvida sobre a permanência da Lotus na grelha, os alemães passam a lidar com a possibilidade de fornecer para uma nova equipa. E, com isso, a inesperada Manor pinta como candidata, quase certa, conforme Lauda.

“Precisávamos de tomar uma decisão enquanto Mercedes. O que fazemos com os motores, já que não sabemos, se a Lotus vai continuar? Então, decidimos dar motores a Manor”, revelou. Toto Wolff, chefe de equipa das Flechas de Prata, tratou de desmentir Lauda.

O dirigente afirmou, que "as negociações com a Manor vão ficar paralisadas até a questão da Lotus se resolver”. “Gostamos muito da Manor. Existe toda uma questão de competição. Se a Manor conseguir um carro bom e o motor certo, vai ser interessante ver como a equipa se desenvolverá”, considerou Wolff.