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Regina Dumbo refora BP Angola

Silva Cacuti - 01 de Agosto, 2019

Velocista angolana vai receber subsdio financeiro

Fotografia: Agostinho Narciso | Edies Novembro

A velocista paralímpica Regina Dumbo "Geny" é desde terça-feira um dos activos com que a empresa petrolífera angolana, BP-Angola, conta a fim de transportar o seu símbolo para as pistas de atletismo por onde desfilar. O contrato que transforma a campeã da CPLP em embaixadora foi rubricado pela atleta e por Hélder da Silva, director Geral da empresa.
Leonel da Rocha Pinto, presidente do Comité Paralímpico Africano, esteve entre as testemunhas.A jovem corredora do Huambo é a última de um grupo de cinco atletas com os quais a empresa tem parceria de patrocínio, depois de José Sayovo, Bifília Buyo, José Chamoleia e Esperança Gicaso.
A parceria com Regina esteve prevista em 2017, quando José Sayovo passou a embaixador honorário e a empresa firmou acordos com Bifilia, Chamoleia e Esperança Gicaso. Na altura, alegou-se a falta de condições técnicas para a parceria com a atleta mais jovem (16 anos), entre os embaixadores. Num ambiente de satisfação, Hélder Silva lembrou que a parceria com o Comité Paralímpico Angolano tem dado frutos. Destacou que a BP-Angola, além da sua actividade principal de explorar, desenvolver e produzir petróleo e gás, tem uma agenda social com foco em vários sectores incluindo o desporto paralímpico.
Leonel da Rocha Pinto, por seu turno, reiterou o compromisso de fazer tudo para honrar o compromisso de exibir a logomarca da BP.
"Esta é uma parceria que vai ajudar-nos a continuar na senda de conquista de ouro", disse.
A atleta, pouco expansiva, esforçou-se para exteriorizar a felicidade.
"Estou muito contente. Agradeço ao Comité Paralímpico e à BP-Angola. Vou treinar muito e esforçar-me para as pessoas continuarem a apostar em mim", disse.
O acordo de parceria entre atletas e BP obriga aos primeiros exibirem os símbolos da empresa, enquanto estiverem em competições, ao passo que a empresa, além de equipamentos e logística, oferece um subsídio monetário ao seu embaixador.

HISTÓRICO
Embaixadora vem da Ecunha


Nascida no município da Ecunha, província do Huambo, terra da exuberante ilha dos amores, Regina Josefina Vieira Dumbo \"Geny\" eleva-se à condição de pérola da localidade aos 16 anos de idade.
Através do atletismo adaptado, o seu nome soa por Angola e galga o espaço pelo mundo graças às performances que patenteia. Um exercício exemplar de superação, depois de um hediondo episódio de violência doméstica lhe ter escurecido a visão para sempre aos cinco anos de idade.
A pequena órfã de pais busca forças nas agruras que a vida lhe coloca a cada dia. Descoberta por técnicos do Comité Paralímpico Angolano nos areais do bairro Calundo, arredores da cidade do Huambo, Geny meteoricamente se colocou na linha da frente do desporto paralímpico angolano.
Nas peugadas de José Sayovo, Esperança Gicaso, Befília Buyo e outros, Geny mantém a passada. Começou a praticar o atletismo em 2015. Hoje, sem que estejam completos quatro anos de prática, soma um pecúlio de 12 medalhas internacionais, das quais 10 em ouro. As mais recentes são as que arrecadou no meeting de Tunes, Tunísia, nas provas de 100 e 200 metros.
A saga de Regina Dumbo começou em Luanda nos Jogos da SADC, em 2016, onde a medalha de prata nos 400 metros foi um cheirinho do potencial. Repetiu a medalha nos Jogos da CPLP que a capital angolana recebeu em 2016.
Fora de Angola, Regina Dumbo só sabe fazer ouro. No meeting de Marrocos, em 2018, medalhou em primeiro lugar nos 100, 200 e 400 metros. De volta à CPLP, em São Tomé e Príncipe (2018), arrebatou ouro nas mesmas distâncias. Ainda no mesmo ano, nos Jogos da Região 5, em Botswana, arrebatou ouro nos 100 e 200 metros.
A velocista começou o ano competitivo no meeting de Tunis e, como descrito acima, não deixou os créditos em mãos alheias.
Geny é forte candidata a medalhas no campeonato do mundo a realizar-se de 2 a 5 de Novembro no Dubai. É também aposta nos Para-Jogos Africanos de Marrocos em Janeiro de 2020 e Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020.
          
CUSTOS DE VIDA
Parceria minimiza sacrifícios


O treinador José Guilherme, que descobriu e combateu o cepticismo do pai de Regina Dumbo quanto ao seu enquadramento na prática desportiva, exulta com o acordo firmado entre a atleta e a empresa BP-Angola. A expectativa é de que as condições estejam criadas não só para que desportivamente o talento de \"Geny\" resulte na elevação do nome de Angola, mas também possa, por esta via, materializar as ambições sociais como a formação académica. Geny frequenta a oitava classe numa escola de ensino especial do Huambo e não esconde o desejo de ser advogada.
\"Há muito talento cá no Huambo. Infelizmente, esta possibilidade não abrange a todos ao mesmo tempo, mas incentiva os demais colegas a trabalhar confiantes. Enquanto treinadores, sentimo-nos motivados, porque há talentos que podem chegar ao mais alto patamar\", disse.
Lembrou que do Huambo saiu o Elias, atleta de futebol, consagrado MVP do Mundial do México; José Camoleia e, agora, desponta a Geny. Sobre o dia-a-dia da corredora, José Guilherme disse que tem sido um sacrifício.
A atleta não consegue ter uma preparação regular, porque tem dias que não consegue valor para pagar o mototaxista que a leva às sessões de treino.
\"Vive a mais de seis quilómetros dos locais de treino e algumas vezes tem de se deslocar a 21 quilómetros para efectuar treinos específicos na Caála. Estudante e órfã, espero que as carências venham a ser minimizadas com essa parceria\", comentou.