Jornal dos Desportos

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Modalidades

Regulamentos retiram Clube Náutico

Rosa Napoleão - 25 de Março, 2015

Nadadores da Ilha de Luanda só competem nas provas da FAN desde que obedeçam às regras da FINA

Fotografia: M. Machangongo

As constantes alterações aos regulamentos da competição da Federação Angolana de Natação (FAN) estiveram na base da ausência do Clube Náutico da Ilha de Luanda no Campeonato Nacional Absoluto de natação em piscina de 50 metros, decorrido na Piscina do Alvalade. Em declarações ao Jornal dos Desportos, Nelson Benjamim, técnico adjunto do Clube Náutico, disse que a agremiação da Ilha de Luanda não está de acordo com as alterações constantes ao regulamento de competições e não compreende os objectivos fundamentais, na quantidade de atletas que pontuam por provas.

“Sempre defendi, enquanto treinador do clube e entusiasta pelo desporto angolano, em particular a natação, que a FAN deveria fomentar e sustentar o desenvolvimento deste desporto em cooperação com os clubes, disciplinar as actividades dos mesmos e nunca servir-se deles ou tomar decisões que quebrem o princípio da imparcialidade”, disse.

Nelson Benjamim ressaltou que “no princípio só se podia inscrever 12 atletas e apenas dois podiam pontuar, mas com o tempo passou para quatro atletas na zona de pontuação e, por fim, 12”. Para o treinador “esta situação tem causado um certo desconforto na classificação dos atletas e no clube náutico em particular”. Para a nova modalidade de pontuação, o Clube Náutico defende a inscrição de maior número de atletas, contrariamente ao número definido.

A afinidade de alguns membros da Federação Angolana de Natação com certos clubes retira a imparcialidade que a instituição deve ter na organização de eventos desportivos. O Clube Náutico da Ilha de Luanda, às vezes, tem contacto com algumas medidas tomadas pela Federação, depois do domínio dos seus adversários. Essa situação deixa agastada a equipa da Ilha.

Por outro lado, alguns atletas do Clube Náutico da Ilha de Luanda manifestaram desmotivação por causa de falhas de organização de competições, como a falta de anúncio de resultados a seguir às provas. Para os atletas, a situação já devia merecer outro tratamento à semelhança das competições internacionais.

Nelson Benjamim defende que “a cooperação disponibilizada por alguns pais entusiastas e com condições sociais, nunca foi correctamente avaliada por quem de direito”. As posições e decisões da FAN estão a potenciar a saída de atletas nadadores para o estrangeiro, onde buscam as condições para evoluír no desporto de eleição, segundo Nelson Benjamim.

DECISÃO
Regras da FINA
para o “Náutico”


O Clube Náutico da Ilha de Luanda vai participar nas provas sob a égide da Federação Angolana de Natação desde que as mesmas obedecem aos regulamentos da Federação Internacional de Natação (FINA) e da Confederação Africana da modalidade. A decisão foi tomada em função dos últimos imbróglios que ditaram a não participação do clube da ilha de Luanda, no campeonato nacional absoluto. Nelson Benjamim ressaltou que o clube pretende assegurar a evolução dos atletas e estancar a fuga para o exterior, onde encontram meios e condições para a prática da natação.

O campeonato nacional absoluto de 50 metros, realizado na piscina do Alvalade, contou apenas com a participação dos clubes 1º de Agosto e Onda Sport Club. A formação do Rio Seco voltou a dar alegria aos adeptos sagrando-se campeão com 50.810 pontos, em masculino, e 34.641 pontos na classe feminina.

Alguns experts contactados pelo Jornal dos Desportos manifestaram preocupação sobre a decisão do Clube Náutico da Ilha de Luanda. Os especialistas asseguraram que um “braço de ferro” entre as duas instituições pode reduzir a prática da modalidade a dois clubes e consequentemente os níveis competitivos dos atletas. “Um país com 18 províncias organiza um campeonato nacional absoluto com duas equipas, das quais uma é recém-formada.  ROSA NAPOLEÃO