Jornal dos Desportos

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Renault investe no Alonso

04 de Janeiro, 2016

Fernando Alonso conquistou dois títulos de campeões mundiais vestido com equipamento da Renault

Fotografia: AFP

A Renault volta à Fórmula 1 com equipa própria em 2016,. mas a grande novidade da equipa francesa só vai chegar na época 2017. O ex-proprietário da equipa Minardi, Giancarlo Mainardi, assegura que os bi-campeões mundiais estão a trabalhar no regresso de Fernando Alonso.

O espanhol levou à equipa francesa ao pódio de campeões em duas ocasiões, feios que se esperam repetir, a partir de 2017. Fernando Alonso tem contrato de três anos com a McLaren, mas os franceses estão apostados em rompê-lo para tentar lutar por vitórias na categoria máxima de automobilismo mundial.

Na próxima época, a Renault entra na grelha de partida com Pastor Maldonado e Jolyon Palmer. No entanto, a presença dos dois pilotos não inviabiliza o programa da equipa. Minardi assegurou que com a compra da Lotus e regresso como fabricante, "os franceses têm todos os incentivos para serem fortes em cada departamento. Agora, estão a buscar os melhores recursos humanos, melhores técnicos e melhores pilotos".

A revelação de Minardi ressalta que Carlos Ghosn, presidente da Renault, "está a trabalhar para romper o contrato de Fernando Alonso com a Honda". Para o espanhol, seria a terceira vez em Enstone. A informação deixa os dois pilotos contratos em situação de incómodo. Minardi frisou que "Pastor Maldonado e Jolyon Palmer não podem dormir tranquilo".

O ex-proprietário da equipa Minardi justifica que "a vaga de Palmer corre mais risco, uma vez que Maldonado oferece o dinheiro da petrolífera PDVSA como patrocínio". Um outro nome para reforçar o recurso humano é francês. Alain Prost está a ser "namorado" para exercer o cargo de director da Renault F1, segundo Giancarlo Minardi.

A possível contratação de Alonso tem outros handicaps. O espanhol manifestou o desejo de permanecer na McLaren, onde espera aposentar-se da carreira. No ano corrente, o bicampeão completa 35 anos de idade.

Fernando Alonso estreou-se na Fórmula 1 em 2001 na equipa Minardi. Na época, havia sido vendida por Giancarlo ao australiano Paul Stoddart. Nos anos seguintes, correu pela Renault em dois períodos: entre 2003 e 2006 (com dois títulos mundiais) e 2008 a 2009.

ROMAIN GROSJEAN
"PISCA" RENAULT

Romain Grosjean corre na época'2016 da F1 na equipa Haas, mas o coração do piloto franco-suíço continua com a Renault. O piloto manifestou o desejo de voltar a Enstone num carro de ponta dentro de alguns anos. A acontecer, vai sentir saudades da Lotus, que passou a chamar-se Renault.

A vontade de lutar por títulos é grande. Assegurou que amaria ser campeão com uma equipa do seu país. A abertura da porta vai condicionada à produção de um carro para ser campeão dentro de três ou quatro anos. "Isso seria o ideal, como francês, seria algo gigante", disse. Grosjean explicou que tem muito carinho por todos da fábrica em Enstone e que os membros da Lotus são como familiares.

"Enstone é um grande capítulo na minha vida. O pessoal é meu amigo, minha família; conheço cada cantinho daquela fábrica. Cheguei a passar Natal. Então, definitivamente, não foi nada fácil tomar a decisão de sair. Pelo menos, não vamos ficar tão longe no paddock", disse. O francês lembrou que a Renault já tem títulos mundiais e explicou que a Lotus sofreu no final da sua trajectória por falta de verba.

"É uma equipa campeã mundial, venceu em 2005 e 2006, nem faz tanto tempo assim. Há muito potencial em Enstone, sempre soube disso, mas é difícil prová-lo, quando não se tem as ferramentas necessárias", completou. No seu último ano de Lotus, Grosjean carregou a equipa nas costas e anotou 51 pontos, que lhe deu o 11º lugar.

PLANO DE SECESSÃO
Ferrari exalta Bernie Ecclestone

O chefe supremo da F1, Bernie Ecclestone, não tem planos de deixar o comando do desporto aos 85 anos de idade. Sergio Marchionne, presidente da Ferrari, vê o dirigente britânico como um grande personagem e peça fundamental para o desenvolvimento da categoria, mas entende que a idade avançada de Bernie faz com que a F1 tenha a necessidade de pensar num plano de transição.

Bernie Ecclestone não tem planos de deixar a chefia do desporto por um bom tempo. Entretanto, Sergio Marchionne clama por um início de sucessão no comando da F1. O mandatário de Maranello entende que é chegada a hora da F1 preparar o futuro, apesar de Ecclestone ter sido muito elogiado por Marchionne pela sua longevidade, personalidade e vigor em trabalhar no comando do desporto.

Responsável pelos direitos comerciais da F1, Bernie responde por 5,3 por cento das acções da categoria, mas não tem a menor intenção em desfazer-se da sua parte do negócio.

“Ecclestone sabe que não vai estar aqui eternamente. Talvez isso também esteja conectado ao futuro da FOM (Formula One Management). O verdadeiro desafio para Bernie é organizar-se. Ele precisa trazer um sistema, onde talvez algumas responsabilidades possam ser desenvolvidas de maneira diferente”, declarou o empresário italiano.

Marchionne disse que "a F1 precisa demais do máximo da habilidade de Bernie em desenvolver esse desporto da melhor maneira", porquanto "todos têm responsabilidade de entregar um certo nível de continuidade de gestão da F1 com a FIA e a FOM". O italiano rematou que "isso não é fácil", em exaltação à figura do chefe supremo da F1.

“Bernie é um grande personagem, mas é um grande homem e tem uma força incrível. Não sei o que eu faria, quando estiver na sua idade. O que tem feito ao longo dos últimos dez anos é incrível! Felizmente, ele ainda está lá”, elogiou.

Na visão de Marchionne, cabe ao Ecclestone iniciar o processo de transição no comando da F1 e tornar o desporto cada vez mais atraente. “Bernie deve pavimentar o caminho para preparar o futuro para o mundo da F1. Essa questão da idade ainda está lá. Devemos perguntar a nós mesmos: estamos a apelar aos jovens?”, questionou.

Marchionne ressaltou que “esse desporto tem um grande potencial, o qual ainda não tem sido explorado na sua totalidade". "Precisamos torná-lo interessante, porque fica chato, se tudo for previsível”, fazendo menção indirecta também ao domínio recente imposto pela rival Mercedes. “Precisamos tentar entregar um pouco mais de imprevisibilidade, de modo que os resultados sejam imprevisíveis”, finalizou.

ESTREANTE
Verstappen augura título


Além de Lewis Hamilton, grande campeão em 2015 na F1, a categoria teve como destaque a performance de um piloto visto com enorme desconfiança em razão da sua pouca idade. Pouco a pouco, mostrou que não está no Mundial a passeio. Max Verstappen, que fez a sua estreia no GP da Austrália aos 17 anos, foi criticado, envolveu-se em polémicas, mas ao fim de 19 corridas foi ovacionado por muitos por conta da sua personalidade e do seu estilo agressivo. Não é à toa.

O holandês, hoje com 18 anos, conquistou três prémios da FIA pelo seu desempenho no ano passado: Melhor Estreante, Maior Personalidade e Melhor Ultrapassagem de 2015. O menino Max quer mais. Almeja, num projecto de médio prazo, chegar ao título mundial. Para o holandês, não importa que a taça de campeão do mundo seja conquistada pela Toro Rosso ou pela Red Bull, marca responsável por alçá-lo à F1, ou por qualquer outra equipa.

O que vale para o jovem, acima de tudo, é chegar ao topo do desporto, independente da equipa que estiver a representar. “O meu objectivo, em última instância, é ser campeão do mundo. E não sê-lo apenas uma vez. Esse é o meu sonho. Não importa com qual equipa torne isso realidade”, declarou o piloto da Toro Rosso em entrevista à emissora britânica Sky Sports.

Em 2015, Verstappen conquistou resultados bem relevantes como os quarto lugares nos GPs da Hungria e dos Estados Unidos, acumulando 49 pontos na época. O saldo é bastante positivo para Max, mas o próprio entende que ainda há muito para aprender.

“É bom estar outro ano aqui. Aprende-se muita coisa. Ainda me falta um longo caminho a percorrer, sou muito jovem. Por isso, não me importaria em passar outra época aqui”, afirmou Max ao falar sobre o seu segundo ano como piloto da Toro Rosso. O seu vínculo com a Red Bull continua no mínimo até 2018.

O jovem holandês concluiu: “Aproveitei muito a minha primeira época. Fiz várias ultrapassagens, somei pontos e terminei em quarto em duas ocasiões. Isso foi o que mais teve destaque. A época foi melhor do que esperava”.

MCLAREN
Espanhol mantém a fé


O mais difícil dentre os anos vividos por Fernando Alonso na F1 definitivamente ficou para trás. Ano Novo, vida nova. O bicampeão sonha com dias melhores em 2016. Mais do que isso, o piloto espanhol abre o seu segundo ano como piloto da McLaren disposto a viver dias mais competitivos. Para tal, Fernando acredita muito na capacidade de trabalho não apenas da equipa de Woking, mas, principalmente, da Honda. 

Alonso mantém a fé num ano completamente diferente para a McLaren e espera que a fábrica de Sakura consiga recuperar os 2s de desvantagem que tem em relação às outras fornecedoras de motor do Mundial: Renault, Ferrari e Mercedes, algo que ficou muito evidente em velocidade em linha recta.
Confiante no potencial de evolução da Honda, Alonso não espera grandes mudanças no chassi, mas aposta todas as suas fichas em contar com um motor mais confiável e, principalmente, mais potente em relação ao que a fábrica japonesa entregou em 2015.

“Não tivemos como melhorar o carro em algumas partes do ano. Está um pouco mais claro, quais são os pontos fortes do carro e temos de explorar um pouco mais nesta direcção”, declarou o piloto em entrevista ao site da revista britânica ‘Autosport’.

“Sabemos que a unidade de potência tem sido a nossa principal limitação. Então, não vamos ter mudanças radicais para 2016 em termos do carro, projecto e filosofia. Sabemos do déficit que temos nas rectas em comparação com outros carros”, salientou.

Alonso ressalta que se aplicarem algumas das soluções e tudo funcionar conforme o esperado, o ganho em tempo de volta vai ser muito grande. "Há soluções que são lógicas e parecem boas. Agora, é necessário manter a motivação bem alta, porque o ano de 2016 vai ser um ano diferente", disse.

PILAR PARA REPARAÇÂO
Sofrimento une McLaren e Honda

O ano do calvário e do sofrimento para a McLaren ficou no passado. 2015 vai ficar marcado como um dos piores anos da história para a lendária e multicampeã. A equipa britânica viveu dias de equipa caduca, no fundo da grelha. Lidou com inúmeras quebras, sobretudo, do motor Honda e também do enfado dos pilotos campeões, Fernando Alonso e Jenson Button.

O ano de 2016 chegou. O ano novo traz um clima de optimismo e a certeza de que tudo só pode ser pior do que a época que se foi e não vai deixar saudades. Éric Boullier, director de corridas, entende que tanto a McLaren quanto a Honda cresceram em meio ao sofrimento. A dor, que caracterizou as inúmeras quebras, trocas de motor e queixas de pilotos e da cúpula da equipa de Woking, uniu e fortaleceu ainda mais a relação entre a equipa e fornecedora, segundo o engenheiro francês.

É possível crescer no amor ou na dor. No caso da McLaren-Honda, Boullier entende que a segunda opção é a mais válida. “Talvez na dor, você constrói uma relação forte com o seu parceiro. Com a Honda, temos uma relação muito mais madura”, disse o dirigente em entrevista ao site norte-americano ‘Motorsport.com’.

O responsável disse que “o lado positivo é que a Honda entendeu o comprometimento que precisam para vencer novamente". "Tiveram de reajustar um pouquinho o seu nível de recursos, o que é bom, e há algumas coisas positivas a partir disso”, destacou Boullier. O engenheiro ressaltou que o principal problema da McLaren em 2015 foi a dificuldade para lidar com a falta de potência e confiabilidade do motor construído em Sakura.

O director de corridas avalia que o trabalho da McLaren até é positiva. “Quanto à empresa em si, a McLaren, tivemos de nos unir e de mudar aquilo que precisávamos mudar na forma como operamos. Se olhar para a performance ao longo da época, tivemos de correr atrás dos pilotos de ponta. Tivemos de lidar com regulamentos restritos, de modo que há algumas coisas positivas de alguma forma”, disse.

Boullier referiu que tiveram de "sofrer juntos a dor" e vão sair dessa "confusão toda muito mais fortes e muito mais eficientes, como uma equipa”.
O número 2 da McLaren, abaixo só de Ron Dennis, defendeu o projecto ousado do chassi da McLaren para 2015 e prometeu manter a filosofia para o carro deste ano. A equipa britânica desenvolveu um chassi mais compacto. Na visão de Boullier, foi uma maneira arrojada para tentar bater, no futuro, a dominante Mercedes.

“Não se esqueça que, durante a época, não pudemos mudar nada do que queríamos (no motor). Um dos elementos básicos, que envolve a recuperação de energia do motor, não entregou aquilo que era esperado. Isso nos atrapalhou demais, porque nos custou vários segundos por volta durante a corrida”, explicou, novamente, ao coloca a culpa pela má performance da equipa em 2015 nos motores fornecidos pela Honda.

Boullier expeliu que "para bater a Mercedes, tem de fazer algo melhor". É nesse diapasão que a McLaren decidiu trabalhar, trilhando por outro caminho. A Honda não foi prejudicada pelo projecto e jamais a McLaren determinou à sua parceira um tamanho específico para os seus motores.

“Isso jamais impactou no motor como um todo. Dissemos-lhes que queríamos o carro o mais compacto possível. Mas nunca impusemos em termos de tamanho de qualquer elemento”, finalizou.