Jornal dos Desportos

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Renault pode anunciar compra da Lotus

20 de Novembro, 2015

Cyril Abiteboul deu a entender ao afirmar que as negociações estão em estágios finais

Fotografia: AFP

A Renault está muito próxima de voltar a ter uma equipa própria na Fórmula 1 depois de cinco anos de ausência. Foi o que o director da fabricante francesa, Cyril Abiteboul, deu a entender ao afirmar que as negociações com a Lotus, arrastadas por meses, estão em estágios finais, faltando apenas a aprovação do CEO Carlos Ghosn.

Inclusive, o anúncio da compra pode acontecer durante o GP de Abu Dhabi, a realizar-se entre 27 e 29 de Novembro.

“Algum tipo de anúncio deve ser feito em Abu Dhabi ou após Abu Dhabi ou até mesmo antes”, despistou Abiteboul em entrevista ao site Motorsport.com. “Francamente, esse é o tipo de oportunidade da qual estamos a falar. Pode ser um pouco antes ou um pouco depois”, acrescentou.

No meio a uma grave crise financeira, em que acumulou 1,4 milhão de dólares apenas de dívidas com o tesouro britânico, além de estar em débito com muitos dos seus fornecedores, a Lotus deverá ser vendida para quitar os calotes.

A fase turbulenta já é reflectida no dia a dia da equipa durante os finais de semana de corrida. Em Suzuka, no Japão, a equipa operou com apenas parte das instalações disponíveis e se viu obrigado a pedir comida por meio de serviço dellivery para alimentar os seus engenheiros e mecânicos - normalmente, as equipas contam com cozinheiros.

Na Hungria, a Lotus deixou de disputar um dos treinos livres por falta de pneus, situação solucionada somente após o pagamento de um débito com a Pirelli, fornecedora de pneus da F1.

“Estamos conscientes do nosso processo, mas precisamos conectar isso à realidade dos negócios. Mas não há absolutamente nenhuma data acordada pela simples razão de que não estamos muito certos onde o processo vai nos levar”, explicou o director da Renault.

Como equipa, a empresa francesa foi bicampeã do Mundial de Construtores, em 2005 e 2006, temporadas em que o espanhol Fernando Alonso terminou em primeiro lugar entre os pilotos.

Actualmente, a Renault fornece motores para a Red Bull e a Toro Rosso, porém a parceria, desgastada pelas reclamações da equipa austríaca, está inviabilizada para seguir adiante.

HAMILTON GANHA
QUADRO DO ÍDOLO

Após homenagear Ayrton Senna com uma pintura no capacete com o qual disputou o GP Brasil de Fórmula 1, no último final de semana, o britânico Lewis Hamilton ganhou um presente que guardará para toda a vida: um quadro com o retrato do ídolo brasileiro.

Das mãos de Viviane, irmã do brasileiro tricampeão mundial, o piloto da Mercedes foi retribuído com uma pintura em preto e branco do rosto de Senna para decorar a sua casa em Mónaco.

Na sua conta no Instagram, Hamilton agradeceu: “Obrigado a Vivienne (sic) Senna por me presentear com esta linda pintura do meu ídolo, seu irmão, Ayrton Senna. Não posso esperar para te encontrar novamente, Brasil!! Até a próxima”, escreveu na última segunda-feira.

Antes de correr em Interlagos, o britânico de 30 anos havia dito que gostaria de conquistar a inédita vitória no Brasil como uma saudação a Senna.

No entanto, Lewis terminou em segundo, atrás do companheiro de equipa, o alemão Nico Rosberg. Esta foi a nona vez que Hamilton guiou no Autódromo José Carlos Pace, onde conquistou o seu primeiro título mundial, em 2008.

Neste ano, Hamilton igualou o seu maior ídolo como tricampeão de F1, porém superou o brasileiro em número de vitórias: agora o britânico soma 43, duas a mais que Senna.


Revelação
Chefe da Mercedes
fala em motivação


No fim das contas, a F1 é um jogo de interesses e todas as partes buscam o melhor caminho para si. É nisso que também acredita Toto Wolff, director-desportivo da Mercedes e comandante da equipa bicampeã do mundo.

O dirigente austríaco voltou a se mostrar contrário à proposta apresentada por Bernie Ecclestone e Jean Todt sobre os motores alternativos e acredita que há alguma motivação ainda não revelada por trás de tudo isso.

Desde que a F1 adoptou os polémicos motores V6 turbo de 1,6 L para equiparem seus carros, em 2014, a categoria passou a ser amplamente dominada pela Mercedes. Não apenas pelos propulsores da montadora alemã, mas também pela equipa prateada, que neste período até 2015 garantiu quatro títulos mundiais, sendo dois de pilotos, com Lewis Hamilton, e outros dois do Mundial de Construtores.

Na posição de prima-dona do desporto, obviamente que a Mercedes se mostra contra qualquer medida que possa ameaçar o seu domínio. A última delas foi a proposta liderada por Bernie Ecclestone, chefe supremo da F1, e Jean Todt, presidente da FIA, de adopção de um motor alternativo com especificações semelhantes às da Indy a partir de 2017.

 Toto Wolff, director-desportivo da Mercedes e comandante da equipa bicampeão do mundo, é contrário à proposta e reforçou o seu posicionamento durante o último fim de semana em Interlagos, palco do GP do Brasil de F1.

Em entrevista colectiva acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO, o dirigente austríaco falou sobre o assunto que mais tem ganhado o noticiário nas últimas semanas — muito em razão da indefinição sobre a próxima fornecedora da Red Bull — e disse que há interesses ocultos por trás da proposta apresentada por Ecclestone e Todt.

“Acredito que, como em todas as partes, o compromisso é o caminho correcto a seguir. Não estamos numa posição em que queremos que se congele tudo; temos de trilhar o rumo certo pelo bem da F1”.


Alonso assume maus resultados

Na visão do bicampeão do mundo, “é ainda mais frustrante quando você está em segundo ou terceiro no pódio”. Sem citar nomes, Fernando Alonso fez menção à dupla da Mercedes como exemplo. Nico Rosberg e Lewis Hamilton viveram às turras a temporada 2015, com o alemão em melhor fase nesta parte final do campeonato, fazendo o britânico expressar sua frustração.

Fernando Alonso deixou para trás o tom crítico e ácido das críticas que fez à McLaren Honda em algumas provas do campeonato, como no Canadá e no Japão e adoptou a ironia e o bom humor para demonstrar o seu enfado com a falta de performance e resultados do MP4-30 no Brasil.

É uma forma diferente de lidar com a frustração e, na visão do bicampeão do mundo, alguns dos seus pares no grid sofrem de dor pior. Sem citar nomes, Alonso entende que Lewis Hamilton costuma reagir mal quando acaba sendo superado pelo seu companheiro de Mercedes, Nico Rosberg, como aconteceu nas duas últimas corridas, no México e no Brasil.

 “É verdade que estamos em uma temporada frustrante, mas estamos aprendendo muito. Acho que é ainda mais frustrante quando você está em segundo ou terceiro no pódio. Quando você vê algumas das caras dos campeões neste ano e alguns problemas entre companheiros de equipa, também percebe alguns momentos estranhos e imagens estranhas”, afirmou o piloto de 34 anos, que defendeu sua atitude no sábado do treino classificatório em Interlagos.

“A verdade é que não tenho certeza do que as pessoas esperam. Quando você abandona e está a procurar uma moto ou um carro de serviço para te levar de volta aos boxes, você precisa ficar em algum lugar. Acho que não faria nada de diferente”, declarou o veterano.

O facto é que Alonso não vê a hora de que chegue logo 2016. “Minha cabeça está no ano que vem”