Jornal dos Desportos

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Renault tem mais "fichas" para gastar

21 de Março, 2015

Regulamento prevê até 32 tokens para alterar peças da unidade de potência

Fotografia: AFP

Em meio a duras críticas da Red Bull, devido aos problemas de confiabilidade e a falta de rendimento, a Renault ao menos recebeu uma boa notícia: é a fornecedora de motores que mais pode desenvolver-se até o final do ano.

A contagem vem da divulgação do número de alterações, feitas pelos três fabricantes, que estavam na Fórmula 1 desde o ano passado. O regulamento prevê que cada um deles use até 32 tokens, para alterar peças da unidade de potência. Antes do  início da época, a Mercedes foi a que mais mudou o motor em relação a 2014, com 25 alterações. A Ferrari usou 22 tokens e a Renault, 20.

O token é uma espécie de moeda, que dão pesos diferentes à mudanças em cada parte do motor. Por exemplo: se uma equipa decide mudar seu sistema de recuperação de energia cinética, o KERS, pode gastar dois tokens.

A unidade de potência é formada, no total, por 66 tokens, ou seja, em 2015, 48 por cento do motor pode ser alterado. Cada fornecedor escolhe o que quer mudar, desde que só use os 32 permitidos.

Essa permissão de desenvolvimento ao longo da época foi pleiteada depois  da Ferrari descobrir uma brecha no regulamento: ao contrário do texto de 2014, as regras de 2015 obrigavam a que os motores fossem homologados, mas não estipulava uma data. A partir daí, foram estabelecidas as bases do desenvolvimento.

RENAUT SOB PRESSÃO

É bom que a Renault comece a gastar as suas “fichas”: os franceses foram duramente criticados pela Red Bull após o motor de Daniel Ricciardo quebrar com apenas 50 km de uso, devido a problemas de dirigibilidade – o australiano relata que o carro acelera de repente ao meio das curvas. O consultor da Red Bull, Helmut Marko, chegou a garantir que “o trabalho foi redistribuído e todos os testes serão feitos em Graz (Áustria). A Renault fica a dizer maravilhas sobre os testes em Paris, mas eles nunca aparecem na pista. Isso tem de mudar.”

Até o pai de Max Verstappen, Jos, reclamou do motor Renault, que o piloto  usa na Toro Rorro e que quebrou na estreia, na Austrália. “As coisas claramente não estão em ordem. A Renault precisa de trabalhar mais forte. É frustrante para Max. É bom que ele esteja a  ganhar experiência na F-1, mas se ele estivesse com outra marca de motores, podia realmente causar uma boa impressão”, disparou.

Entretanto, a Honda, por estrear-se neste ano, não devia ter direito a usar nenhum dos 32 tokens. Tinha de homologar o motor dia 28 de Fevereiro e continuar com o mesmo equipamento até ao final do ano, como aconteceu com os rivais no ano passado. Após os japoneses reclamarem, a FIA abriu uma brecha: ao chegarem a Austrália, iam tirar uma média dos tokens ainda não utilizados pelos três fabricantes (ou seja, o que era actualizado pelos demais ao longo do ano) e esse ia ser o número ao qual a Honda tinha direito.

Após a divulgação dos tokens usados por Mercedes, Renault e Ferrari, a média ficou em 22,3. Como foi acordado que o número da Honda era arredondado para baixo, os japoneses ganharam a permissão de usar nove tokens durante a época.

Barrichello faz revelações

Rubens Barrichello afirmou que merecia ter ganho um dos sete títulos mundiais conquistados por Michael Schumacher, de quem foi colega de equipa na Ferrari.
“Ajudei o Schumacher a vencer por diversas vezes. Dos seus sete títulos, um devia ser meu”, afirmou o antigo piloto em declarações a TV Bandeirantes, do Brasil.
Ainda assim, Barrichello teceu elogios ao alemão, que recorde-se, continua a recuperar de um grave acidente que sofreu enquanto esquiava nos Alpes.
“Tínhamos uma relação próxima. Foi o melhor piloto que já existiu, sem dúvida”, concluiu.