Jornal dos Desportos

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Ricciardo bate a Mercedes

27 de Maio, 2016

Daniel Ricciardo foi a surpresa no segundo treino livre do fim de semana do GP de Mônaco

Fotografia: AFP

Hoje é dia de mais uma sessão de treinos livres e as atenções, pela primeira vez, vão para a Red Bull, depois de longos meses do domínio da Mercedes. Depois de conquistar a vitória da jornada anterior, em Mugello, a Red Bull voltou a dominar ontem a segunda sessão de treinos livres em Monte Carlo, palco para o Grande Prémio de Monaco. Daniel Ricciardo levou a aceleração ao máximo e estabeleceu 1min14s607, o único tempo abaixo de 1min15s.

O resultado é considerado surpreendente, já que a Mercedes sempre pintam os circuitos como favoritas. Lewis Hamilton e Nico Rosberg podem ter "escondido o jogo" para poupar o equipamento. Os pilotos da Mercedes preferiram fazer simulações em ritmo de corridas sem explorar ao máximo o potencial do melhor carro da grelha.

Assim, Ricciardo aproveitou a grande performance do RB12 com a nova especificação do motor Renault (TAG Heuer) para ser o único piloto do dia a andar abaixo de 1min15s, deixando os dois carros prateados para trás.

Assim como Ricciardo, Hamilton marcou o seu melhor tempo com pneus ultra-macios, mas ficou a 0s606 do tempo do australiano. Nico Rosberg fechou o top-3 com 1min15s506. A performance, no fim das contas, mostra o quanto a Red Bull evoluiu. Na contramão, a Ferrari ficou bem para trás. Kimi Raikkonen ficou em sétimo e Sebastian Vettel apenas em nono. Em Monaco, onde o chassi faz mais diferença do que o motor, a Red Bull tem grande vantagem.

Tanto que Max Verstappen foi o quarto colocado com o outro carro da Red Bull. Na sequência vieram as duas Toro Rosso, reconhecidamente carros com óptimo chassi: Daniil Kvyat foi o quinto, à frente de Carlos Sainz.

PRIMEIRA SESSÃO

A primeira batalha entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg, depois do acidente entre os dois na primeira volta do GP da Espanha, foi vencida pelo tricampeão. O britânico liderou o primeiro treino livre do GP de Monaco. Hamilton foi o mais veloz, enquanto Rosberg demorou para conseguir extrair um bom tempo da sua Mercedes e só chegou à segunda posição após a metade do treino

 O furo no pneu comprometeu a última volta e o inglês não deixou de ter um susto. Lewis Hamilton e Nico Rosberg travaram um duelo intenso na busca pelo melhor tempo da sessão, com ambos a chegar muito perto do tempo da pole position do ano passado, que foi de 1min15s098, alcançado pelo inglês.

No fim, o tricampeão do mundo anotou 1min15s537 como a melhor marca ao usar os novos pneus ultra-macios, a grande novidade da Pirelli para 2016. Hamilton foi 0s101 mais rápido que Rosberg.

As duas Mercedes conseguiram obter uma boa vantagem sobre a Red Bull e a Ferrari, que lutam pela segunda força no Principado. Sebastian Vettel anotou 1min15s956 na sua melhor passagem e conseguiu afastar Daniel Ricciardo e Max Verstappen, quarto e quinto colocados. O alemão ficou em terceiro lugar, enquanto Ricciardo superou Verstappen.

O vencedor da última prova não tem o novo motor da Renault à disposição. Como só havia uma peça, a equipa decidiu atribuir a Ricciardo para tirar a vantagem nesta prova.

Daniil Kvyat, com a Toro Rosso, também apareceu bem e anotou o sexto melhor tempo da sessão e superou as Force India de Nico Hülkenberg e Sergio Pérez. A sessão ficou marcada também pelas batidas de dois pilotos: Felipe Massa e de Jolyon Palmer.


UM ANO APÓS MORTE
Família de Bianchi processa a F1


Em 2014, Jules Bianchi fez sua grande corrida da carreira meteórica na F1. Ao chegar em nono e marcar os dois únicos dois pontos da história da Manor/Marussia, Bianchi salvou a equipa da falência e mostrou o talento do qual não se duvidava. Mas o futuro brilhante não chegou e, ontem, a família de Jules entrou com um processo contra FIA, F1 e Marussia pela morte do francês.

Como certamente não é novidade, Bianchi sofreu um acidente muito grave no GP do Japão daquele mesmo ano de 2014. As lesões na cabeça provenientes da desaceleração brusca, após a batida num guincho de resgate que recuperava a Sauber batida de Adrian Sutil, mandaram-no imediatamente para a coma do qual só saiu nove meses depois: morto.

A FIA logo instaurou um painel para investigar as causas da morte e os resultados inocentaram todo o mundo menos o próprio Jules.

Inconformada com a falta de culpados e acções para coibir que algo semelhante aconteça no futuro, a família Bianchi decidiu por uma acção judicial.

"Queremos justiça para Jules e queremos estabelecer a verdade sobre as decisões que levaram à batida do nosso filho no Grande Prémio do Japão em 2014. Como família, temos muitas questões sem resposta e sentimos como se a batida e a morte de Jules pudessem ter sido evitadas se uma série de erros não tivessem sido cometidos", disse Philippe Bianchi, pai de Jules.

Em carta aos acusados, um dos advogados da família Bianchi, no caso, Julian Chamberlayne, explicou o sentimento dos Bianchi.

"A morte de Jules Bianchi era evitável. O Painel de Investigação montado pela FIA fez várias recomendações para melhorar a segurança na F1, mas falhou em identificar onde os erros foram cometidos na situação que levou à morte de Jules", falou. "Foi surpreendente e estressante para a família Bianchi que o painel da FIA, apesar de numerar vários factores que contribuíram, culpou Jules. A família Bianchi está determinada com este processo judicial, que deve exigir respostas e que tomem responsabilidades pelos actos cometidos", prosseguiu.

O advogado encerrou: "Isso é importante se os pilotos de hoje e do futuro quiserem ter confiança que a segurança vai ser colocada à frente no desporto. Se fosse este o caso em Suzuka, Jules Bianchi provavelmente ainda estaria vivo e a competir no desporto que amava". A família está em Monaco, onde o filho vai receber homenagens da F1.


WILLIAMS
Massa bate FW38 no guard-rail


Terminou cedo, muito cedo a participação de Felipe Massa mo primeiro treino livre do Grande Prémio de Monaco de F1.

O brasileiro, com apenas 25 minutos de sessão, perdeu o controlo do seu Williams FW38 na saída da curva Sainte Devote, a primeira do tradicional circuito urbano, e bateu no guard-rail. Toda a lateral esquerda do seu carro ficou danificado. O brasileiro não sofreu ferimentos e logo desceu do carro. A direcção de prova accionou o safety-car virtual para que os outros pilotos adoptassem um ritmo mais lento na pista e permitir que o carro de Felipe fosse retirado do local para a sequência do treino.

Como seu FW38 ficou bastante danificado, Massa encerrou prematuramente a sua participação na sessão, quando ocupava o quinto lugar. No fim das contas, após a retomada do treino, o brasileiro terminou com o 19º melhor tempo: 1min18s746.


PARA GP Do MóNACO
Previsão de chuva anima pilotos


O GP de Monaco tem a fama de corrida decidida em grande parte no sábado: como é muito difícil ultrapassar no Principado, a posição de largada é fundamental. Mas a etapa deste final de semana pode ser mais interessante pela previsão de chuva para o domingo.

Os pilotos não sabem se comemoram ou não. Afinal, chuva em Monaco ao mesmo tempo que aumenta as oportunidades, também pode ser um atalho para o muro.

Perguntado se acredita que a chuva pode ser algo bom para a Williams, Felipe Massa brincou: "Respondo-te domingo, depois da corrida". A equipa não tem um bom histórico em pista molhada, mas o desenvolvimento feito nesta época visou justamente melhorar o carro neste ponto.

"Numa corrida com chuva em Monaco, tudo pode acontecer para qualquer um. Se for para ajudar, que chova. Vamos ver se pode acontecer alguma coisa para nos ajudar nesse final de semana", disse o brasileiro.Quem parece mais animado com a perspectiva de chuva é Felipe Nasr. O brasileiro sabe que seria uma oportunidade importante para a Sauber.

"Acho que vai misturar. Quando mudam as condições, muda para todo o mundo e pode pegar alguém de surpresa. E aqui é uma pista em que tudo pode acontecer. Na posição em que a gente está, temos de contar com o factor sorte para termos uma oportunidade de chegar perto da zona de pontuação", disse o jovem.


MCLAREN
Ron Dennis elogia Stoffel Vandoorne


A McLaren não está minimamente disposta a perder Stoffel Vandoorne. O presidente do grupo, Ron Dennis, lançou um aviso às equipas rivais a garantir que o piloto belga não vai deixar a estrutura de Woking.

No início do mês, Stoffel Vandoorne admitiu que era alvo do interesse das outras equipas da grelha, mas afirmou que a sua prioridade era garantir um posto de titular na McLaren. Stoffel acredita que tem boas oportunidades de atingir o seu objectivo.

Actuais titulares da equipa britânica, Fernando Alonso e Jenson Button, têm as situações contratuais distintas. O vínculo do asturiano com a equipa inglesa vai até 2017, mas o do britânico termina no fim desta época.

Embora garanta que ainda não tomou uma decisão sobre o line-up do próximo ano, Ron Dennis elogiou Stoffel Vandoorne e colocou o piloto como “parte integral do futuro da McLaren Honda”.

“Stoffel é um jovem extremamente talentoso, inteligente e trabalhador, com um enorme potencial, e alguém que sabe como vencer”, comentou Dennis.

O dirigente deixou um aviso aos principais adversários: “Como tal, é uma parte integral do futuro da McLaren Honda e qualquer outra equipa que ache que pode roubá-lo de nós está a cometer um enorme erro”.

Ron Dennis assegurou: "No que diz respeito ao nosso line-up de 2017, ainda não estamos prontos para definir ou anunciar, mas podem descansar que Stoffel não está à venda”. Campeão da GP2 no ano passado, Stoffel Vandoorne disputa actualmente a Super Formula japonesa. Em Abril passado, o belga fez uma estreia bem sucedida na F1, quando foi escolhido para substituir o lesionado Fernando Alonso.

No Grande Prémio do Bahrein, Stoffel Vandoorne superou Jenson Button nas classificativas da grelha de partida e depois somou os primeiros pontos da McLaren no ano com um décimo posto em Sakhir.



HISTÓRIA Do MóNACO
Coulthard luta contra Montoya


David Coulthard pode não ter passado perto de ser campeão mundial, mas, ao menos em termos de vitórias, deu-se bem nas corridas importantes. Uma delas é o GP de Monaco, o qual venceu duas vezes na carreira. O começo de 2002 não estava a ser fácil para a McLaren, que vira a ascensão da Williams como a segunda força da grelha.

Até então, haviam sido cinco vitórias de Michael Schumacher e uma do seu irmão, Ralf. E era novamente a Williams, e não a McLaren, que amanhecia como candidata a derrotar a Ferrari no dia 26 de Maio, em Monaco.

A pole-position era do colombiano Juan Pablo Montoya, mas a história mudou no apagar das luzes, com Coulthard a pular para a primeira posição. A partir de então, o escocês foi atacado durante toda a prova. Primeiro, por Montoya, que abandonaria na metade da disputa com o motor quebrado. Depois, por Michael, que terminou 1s atrás na bandeira axadrezada.

Coulthard liderou as 78 voltas. “Não é muito agradável olhar no retrovisor e ter esses dois atrás, mas é melhor que seja assim do que ver os dois à minha frente”, afirmou o vencedor.

Michael Schumacher ainda disse que se divertiu a ver Montoya: “Estava a roçar em alguns guard-rails, travar as rodas e ficar de lado. Achava eu que ia perder o controlo, mas, no final, não. Manteve-se concentrado o tempo todo”.

A vitória foi a única de Coulthard e da McLaren em 2002. A penúltima da carreira do escocês na F1. Voltou a ganhar na abertura do campeonato de 2003, em Melbourne.