Jornal dos Desportos

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Rio2016 é dos mais limpos

18 de Fevereiro, 2016

FINA aposta na credibilidade dos atletas para reaver imagem

Fotografia: AFP

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro estão à porta,e a preocupação de constituir um exemplo faz que a Federação Internacional de Natação (FINA) adopte medidas que podem mexer com os atletas. Aos dez melhores do ranking mundial vão ser aumentados os números de testes anti-doping, em relação  a cada um dos 34 eventos do órgão mundial de natação, antes do Rio'2016.

Em declarações à BBC, Travis Tygart que é presidente da Agência Anti-doping dos Estados Unidos da América (USADA) afirmou que "os atletas vão ser testados mais de sete vezes até Agosto, mês previsto para a realização dos Jogos Olímpicos Rio'2016". Para o responsável, "a FINA merece muito crédito por abraçar a voz dos atletas limpos e a parceria com organizações nacionais independentes anti-doping, para implementar uma estratégia global pré -Rio que ajude a proteger o direito dos atletas e a integridade do desporto natação".

PAÍSES PREOCUPADOS
Em declarações à "BBC", alguns chefes de delegações devem ter expressado preocupação pelo facto de agências anti-doping de Brasil, China e Rússia não estarem envolvidas com a USADA para a realização de testes. Diversas nações, como o Reino Unido por exemplo, juntaram-se à agência norte-americana para o controlo de substâncias ilegais.

A maior preocupação é em torno da Rússia que convive com um escândalo de doping a envolver a sua Federação de Atletismo. Além disso, cinco nadadores russos foram apanhados nos testes anti-doping no final de 2013 e mais três desde então.

No último mês, em entrevista à revista "Sportcal", o director -executivo da FINA, Cornel Marculescu, afirmou que a natação russa está sob os olhares da entidade.
"Estamos a seguir de muito perto a natação na Rússia. Ainda têm dois ou três casos. Vamos continuar com uma atenção especial nessa federação", disse.

MORRE CHEFE
DO DOPING RUSSO

O ex - chefe da Agência Anti-doping da Rússia (Rusada), Nikita Kamayev, morreu no domingo de forma inesperada aos 50 anos de idade. Comandou a entidade quando estourou o escândalo de doping no atletismo do país, após o documentário exibido na TV alemã.

Após a polémica, o dirigente pediu demissão em Dezembro e estava afastado do desporto desde então. De acordo com Ramil Khabriyev que é ex - director -geral da Rusada, Kamayev sentiu-se mal enquanto esquiava.

"Infelizmente, morreu. Aparentemente, sofreu um ataque cardíaco fulminante", explicou.
Kamayev demitiu-se com outros quatro dirigentes da Rusada, após uma comissão independente da Agência Mundial Antidoping (WADA, em inglês) acusar a Rússia de violar os padrões de testes e permitir que atletas suspensos competissem no atletismo. Tanto a Rusada, quanto o laboratório de Moscovo foram suspensos após a exibição da reportagem alemã.

A morte de Kamayev apanhou de surpresa os executivos da Federação Internacional de Associações de Atletismo (IAAF) que planeavam uma visita de dois dias à Rússia para avaliar as medidas tomadas após a descoberta de doping em atletas do país.

À época da divulgação do relatório da WADA, em Novembro, o dirigente tinha comentado que a medida era "um total absurdo" e que ridicularizou as alegações como remanescentes da "época de James Bond".