Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Rio abre disputas com as mulheres e discurso duro por igualdade de género

04 de Agosto, 2016

A luta por igualdade das mulheres do futebol brasileiro ocorre justamente nos Jogos com a maior participação feminina da história

Fotografia: AFP

A cerimónia de abertura oficial é apenas amanhã, sexta-feira, dia cinco, mas as disputas do Rio-2016 começam já na quarta. E com uma equipa brasileira a competir. A selecção feminina de futebol entrou em campo para defrontar  a China. E na mira da equipa do técnico Oswaldo Alvarez, o Vadão, o sonhado ouro não é o único objectivo.

As jogadoras de discursos firmes buscam mais que a medalha inédita. Na cabeça, ideias bem claras e uma luta por reconhecimento, crescimento da modalidade e, principalmente, igualdade de géneros dentro do desporto.E a luta por igualdade das meninas do futebol brasileiro ocorre justamente nos Jogos com a maior participação feminina da história: 45% dos atletas inscritos são mulheres (5.183 dos 11.458 atletas). A aparência de igualdade, no entanto, esbarra em outra estatística: somente 53 das 207 delegações terão o sexo feminino como maioria. A equipa do Brasil é um exemplo disso, com 209 mulheres e 259 homens.
“É vencer uma cultura de que mulher não pode praticar desporto.

Ainda sofremos muito preconceito. Tem muita gente, por exemplo, que diz que futebol não é coisa de mulher. Por que não? Não pode existir isso. Queremos jogar e vencer por isso também”, disse Cristiane, dando o tom do que será o primeiro dia de eventos.Comandado por Vadão, o Brasil entrará em campo com ­Barbara; Poliana (Fabiana), Monica, Rafaelle e Tamiris; Thaisa, Formiga, Andressa Alves e Debinha; Marta e Cristiane. As TVs Globo, Bandeirantes e Record transmitem o jogo. Além das mulheres brasileiras e chinesas, outras selecções entraram em campo nesta quarta.

PORTA-BANDEIRA LUTA
PELA SOBREVIVÊNCIA

Na mais recente votação, em 2013, por muito pouco a votação não teve efeito directo sobre uma das estrelas brasileiras da Rio 2016: o pentatlo moderno, em que compete Yane Marques, escolhida para carregar a bandeira do país sede na cerimónia de abertura, amanhã, sexta-feira, foi uma das modalidades na mira dos dirigentes do Comité Olímpico Internacional (COI) para ficar fora da Olimpíada de Tóquio, em 2020.

O pentatlo sobreviveu ao paredão, mas a ameaça pode voltar a rondar de perto modalidade, quando a assembleia do COI, que está sendo realizada no Rio de Janeiro, poderá votar pela inclusão provisória de até cinco desportos em Tóquio - surfe, skate, escalada artificial, karatê e beisebol. Uma inclusão, a princípio, provisória, mas que pode fazer uma senhora sombra sobre Yane - que ganhou bronze em Londres 2012 - e outros pentatletas.

Em 2103, quem acabou eliminada foi a luta olímpica, que eventualmente ganhou uma sobrevirá entre os 28 desportos olímpicos depois de muitas promessas de sua federação internacional para tornar o desporto mais dinâmico e atraente, tanto para a TV quando para as faixas mais jovens do público, um segmento que o COI considera crucial para o futuro do Movimento Olímpico.