Jornal dos Desportos

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Rosberg garante que retirada é definitiva

24 de Março, 2017

Rosberg disse que o mundo do automobilismo é a sua paixão e que há muitas possibilidades de continuar a dar o seu contrebuto

Fotografia: AFP

O actual campeão mundial de Fórmula 1, Nico Rosberg, que anunciou a sua retirada poucos dias depois de vencer o título, descartou  voltar às pistas, mas admitiu que quer continuar ligado ao mundo do automobilismo.

\"Descarto voltar, esse capítulo está encerrado\", disse Rosberg em entrevista à revista \"Automotor und Sport\".

Rosberg disse que o mundo do automobilismo é a sua paixão e que há muitas possibilidades de seguir actuando, como treinar pilotos jovens ou trabalhar para patrocinadores.

O ex-piloto alemão disse que o finlandês Valtteri Bottas, seu substituto na Mercedes, é a \"solução perfeita\" para a equipa.

\"Ele encaixa humanamente lá e está incrivelmente motivado. Ele tem uma cabeça muito boa e os pés no chão, o que pode funcionar bem com Lewis (Hamilton). E isso não é tão fácil\", disse Rosberg.

O actual campeão mundial da categoria revelou que tem um encontro marcado com Bottas para dar dicas ao finlandês, mas disse que não contará segredos de Hamilton. \"Ele deve descobri-los por si próprio. Quero ser neutro. Faço isso para ajudar a equipa\", afirmou.

Rosberg conquistou o título mundial em Abu Dhabi, uma corrida decisiva em que terminou com a segunda posição, atrás de Hamilton, que também tinha chances de se sagrar campeão apesar de precisar de uma combinação pouco provável de resultados.

Hamilton tentou levar o tetracampeonato para casa até os últimos instantes da prova, uma postura que irritou Rosberg.

\"Eu tinha Monaco na minha cabeça, onde eu tinha deixado que ele passasse para ajudar a equipa. Ele fez o contrário\", revelou.

No entanto, a falta de colaboração do companheiro se transformou em uma alegria ainda maior por ter conquistado o título em condições incrivelmente difíceis, explicou Rosberg.

O ex-piloto alemão afirmou que segue contente com a decisão de ter se retirado, apesar de ter sido difícil deixar a Fórmula 1. Não fosse a conquista do título, Rosberg teria seguido na categoria. \"O sonho da minha vida de atleta era ser campeão do mundo na Fórmula 1. Tinha claro que, antes de conseguir o título, não voltaria para a casa. Quando o conquistei, tive a sensação que era o momento adequado para me retirar\", explicou Rosberg.

A retirada, porém, não envolveu o pai de Rosberg, Keke Rosberg, campeão mundial de Fórmula 1 em 1982, porque o piloto alemão não sabia como ele iria reagir. A tarefa de contar a decisão, então, ficou para a mãe de Nico.

\"Fico feliz se meu filho está feliz\", disse Keke sobre a decisão da retirada de Nico.


Nova época
Margem da Mercedes está diminuida 


Actual tricampeã do mundial de construtoras da Fórmula 1, a Mercedes inicia a defesa de mais um título amanhã, sexta-feira, com o começo do fim de semana do Grande Prémio da Austrália, primeiro da temporada. Chefe da equipa alemã, Toto Wolff acredita que em 2017 a disputa será melhor que nos últimos campeonatos.

“O que nós vimos em Barcelona é que a margem na frente da pista diminuiu. Ainda vamos ver como isso se dá em Melbourne, porque ainda não sabemos sobre o combustível, o peso ou a potência dos outros carros. Falamos com os pilotos, essas máquinas são violentas – exactamente como devem ser os carros da F1”, afirmou Wollf. Em 2017, a disputa não teve nem graça para a Mercedes. A equipa foi campeã antecipada do mundial de construtoras e terminou o ano com 765 pontos contra os 468 da segunda colocada, Red Bull. A equipa venceu 19 das 21 corridas disputadas.

“Levamos cada um de nossos rivais a sério e respeitamos as habilidades de cada equipa de achar aquele algo a mais. Eles estão cheios de pessoas muito inteligentes”, acrescentou o chefão da equipa.

Nos testes de pré-temporada disputados em Barcelona, na Catalunha, a Ferrari mostrou bastante competitividade e evolução em relação a 2016. A equipa finalizou as sessões com o melhor tempo já feito na pista, batido por Sebastian Vettel.

“Fizemos o melhor trabalho que podíamos ao longo do inverno e, se não formos os mais rápidos em Melbourne, precisaremos achar o porquê e o que precisamos para nos recolocar no topo. É um desafio que tomaremos com grande motivação e energia”, completou.

Depois de três temporadas soberanas com Lewis Hamilton e Nico Rosberg, a Mercedes terá o finlandês Valtteri Bottas na vaga do actual campeão Rosberg.


Revelação
Symonds acusa Ecclestone


Nome presente no meio da Fórmula 1 desde os anos 1980, o britânico Pat Symonds revelou uma informação curiosa em entrevista ao jornal francês L’Équipe. Segundo o ex-diretor da Williams, as mudanças no regulamento da categoria que permitiram reformulações aerodinâmicas e, consequentemente, mais velocidade, aconteceram por uma espécie de “birra” do então chefão da F1, Bernie Ecclestone.

“Fazer os carros cinco segundos mais rápidos por volta nessa temporada não tem nada a ver com melhorar o espetáculo. A ideia veio de Bernie no grupo de estratégia. Ele se sentiu insultado pelo facto de que um garoto de 17 anos como Verstappen pode correr e ter êxito na Fórmula 1”, afirmou Symonds.

O belga Max Verstappen foi a grande sensação da temporada de 2016. Com apenas 17 anos, o piloto foi “promovido” da Toro Rosso para a Red Bull na quinta corrida do circuito. No GP da Espanha, em Barcelona, logo na sua estreia, o garoto conseguiu sua primeira vitória após acidente entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton. Verstappen terminou o campeonato na quinta colocação, apenas oito pontos atrás da Ferrari do tetracampeão Sebastian Vettel.

Para 2017, a F1 recebeu mudanças em seu regulamento que permitiram diferenças na aerodinâmica dos carros, como a volta da “barbatana de tubarão” e a asa dupla, que trazem mais aderência nas curvas e, com isso, maior velocidade.

“Eles pensaram que, se os carros fossem cinco segundos mais rápidos, então seria mais difícil de pilotar, especialmente para um jovem. Mas os fatos se demonstraram o contrário. Pessoalmente não acho algo ruim ter um garoto de 17 anos pilotando na F1. Se o desporto quer atrair o público jovem, precisa de pilotos jovens”, completou o britânico.

Symonds surgiu na Fórmula 1 nos anos 1980, quando trabalhou na Toleman como engenheiro de corrida. O britânico seguiu na equipe através dos anos, continuando mesmo depois de sua venda à Benetton e, mais tarde, à Renault. Em 2008, era um dos dirigentes da equipe francesa quando foi deflagrado o escândalo sobre o acidente forjado do brasileiro Nelsinho Piquet.

Castigado  por cinco anos de qualquer desporto a motor, Pat voltou para a F1 em 2011, como consultor da Marussia. Seu último trabalho foi na Williams, de 2013 a 2015.