Jornal dos Desportos

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Rosberg revela ansiedade

23 de Novembro, 2016

Nico Rosberg está próximo de erguer o troféu de campeão mundial

Fotografia: AFP

O fecho da época 2016 da Fórmula 1 está revestida de grande expectativa. A rivalidade dentro da Mercedes chegou ao pico com pendor positivo a Nico Rosberg. O alemão garantiu que não pretende mudar em nada a forma de observar o fim de semana decisivo em Abu Dhabi. O líder do Mundial vai disputar a etapa árabe como qualquer outra corrida. Rosberg está muito perto de conquistar o primeiro título na F1 e precisa de um terceiro lugar para ficar com a sonhada taça.

Após a etapa do Brasil, onde foi segundo classificado, o piloto da Mercedes admitiu que não sabia que estratégia adoptaria para a mais importante corrida da sua carreira até aqui. Rosberg está com 12 pontos de vantagem sobre Lewis Hamilton.Sobre a prova de Yas Marina, Nico Rosberg disse que a ideia é terminar o fim de semana com um vitória. Para o efeito, prometeu dar tudo de si para fechar o campeonato da melhor maneira. O filho de Keke Rosberg disse que brincou, quando se referiu a "corrida a corrida", após a prova de Interlagos.

"Quanto mais penso nisso, não me parece tão louco quanto soa. Tenho mesmo de tratar isso como qualquer outra corrida. Fazer um bom trabalho num grande fim de semana é sempre um desafio", completou. Rosberg destacou que "nada é fácil neste desporto" e "isso não vais ser diferente" por ainda ter tudo para obter um "bom resultado em Abu Dhabi". Por fim, o alemão lembrou do triunfo no ano passado. "Do ano passado, tenho óptimas lembranças nesta pista e também é um lugar em que sempre fui forte. Tenho todas as razões para me sentir confiante. Quanto mais perto fica do fim de semana, mais animado me sinto", concluiu.

HAMILTON ADMITE
TER SONHO BAIXO

Abu Dhabi já está pronta para a batalha final da época 2016 do Mundial de F1. Nico Rosberg chega ao circuito de Yas Marina com 367 pontos, 12 a mais em relação a Lewis Hamilton. O britânico ainda ostenta oportunidades matemáticas de título, mas para chegar ao tetracampeonato teria de vencer a prova e ver Nico terminar de quarto lugar para trás. Um cenário muito difícil de acontecer, como o próprio Hamilton reconhece.

“Não foi uma época perfeita e tenho oportunidades bastante impossíveis, não importa o que faça neste fim de semana. Mas não posso e não vou desistir”, declarou o piloto.Hamilton disse que "nunca se sabe o que pode acontecer, por mais improvável que possa ser". "Estou orgulhoso de mim e do que alcancei. Sinto que dei tudo de mim e fiz o meu melhor”, afirmou o dono de nove vitórias na época, assim como Rosberg, mas com 11 poles, contra oito do rival.

Lewis Hamilton teve uma época muito mais atribulada, como o erro na largada em Monza, o problema de motor na China, Rússia e na Malásia. Esses cenários resultaram na perda de vitórias quase certa. O toque de Valtteri Bottas no seu carro na largada do GP do Bahrein foi outro motivo do fracasso. No fim das contas, Nico foi mais eficiente ao tirar proveito dos problemas de Hamilton e construiu uma vantagem que lhe parece decisiva nesta altura do campeonato.

Mas Hamilton não desiste de lutar pelo título. Seja como for, no domingo, o britânico está muito feliz com o trabalho desenvolvido pela Mercedes. “Aconteça o que acontecer, estou orgulhoso de todos que fizeram parte deste sucesso que compartilhamos ao longo dos últimos anos. Estou a abordar este fim de semana da mesma forma que faço em cada corrida. Quero vencer e vou dar tudo para terminar a época no topo”, garantiu.

Lewis chega a Abu Dhabi impulsionado pela vitória no GP do Brasil, na realização de um sonho para o piloto, que quis triunfar no circuito onde o seu maior ídolo, Ayrton Senna, fez história. Feliz por vencer em Interlagos, Hamilton enalteceu a história com a Mercedes, que já vem desde 2013, e disse estar pronto para muito mais no futuro. “Vencer finalmente no Brasil foi um momento que nunca vou esquecer. Estou em um bom lugar agora. Estou a sentir-me super forte neste carro incrível, que todos nas fábricas trabalharam duro para nos dar. Tive 31 vitórias em quatro anos com esta equipa até agora, o que é louco. Sou muito grato pela grande oportunidade que me deram. Vamos continuar a fazer história juntos”, concluiu.

NO CALENDÁRIO
Bernie busca acordo para Singapura


Nos últimos dias, Bernie Ecclestone criticou os organizadores do Grande Prémio de Singapura e afirmou que a cidade-estado "não quer mais o seu GP" e sugeriu até mesmo ingratidão por parte dos promotores do evento. Mas o chefão da F1 voltou atrás nas suas declarações e deixou claro que tem muito interesse em manter a corrida nocturna, ainda mais com a perda iminente do GP da Malásia do calendário.

À revista alemã ‘Auto Motor und Sport’, Ecclestone mostrou-se insatisfeito com a postura das fábricas e afirmou, por exemplo, que “a Mercedes vai parar, quando for conveniente para ela e isso é algo que já vimos antes: olhe para Honda, BMW e Toyota. Partem quando a F1 fez o trabalho por eles. Não existe a gratidão”.
Ecclestone estendeu a sua posição a outros agentes.

“É a mesma coisa com os organizadores. Veja o que fizemos por Singapura. Sim, o GP custou muito dinheiro para Singapura, mas também lhes demos muito dinheiro. De repente, Singapura era muito mais do que só um aeroporto para onde ir e de onde partir. Agora, acreditam que cumpriram o seu objectivo e não querem mais um GP”, disse.Ao falar com o diário local ‘Straits Times’, o patrão da F1 mudou o tom ao falar sobre os rumos do evento. “Todo o mundo está feliz por estar em Singapura e não queremos perdê-lo”.

“As minhas palavras foram tomadas de uma forma divertida. O que disse foi simples: ainda não foi tomada uma decisão. Há negociações e vai haver uma solução em breve, seguramente, antes do fim do ano. Queremos renovar a longo prazo. Vamos ver o que vai acontecer”, complementou Bernie Ecclestone.O GP nocturno de Cingapura já se tornou uma das provas mais esperadas do calendário. Com a retirada iminente do GP da Malásia, Bernie Ecclestone deixou claro que não vai medir esforços para manter ao menos uma das corridas no rico sudeste da Ásia

LIDERANÇA DA F1
Toto Wolff descarta suceder Ecclestone


Torger Christian Wolff, ou simplesmente Toto Wolff, é um homem com influência cada vez maior no paddock da F1. Depois de se converter em accionista da Williams, o austríaco, hoje com 44 anos, assumiu o lugar de Norbert Haug como director-desportivo da Mercedes ao fim de 2013, numa reestruturação comandada pela marca alemã que ajudou muito no domínio da F1 actual e nos títulos conquistados desde a época 2014.

Com todo o trabalho feito na equipa que se tornou a soberana na categoria desde a adopção da nova ‘Era Turbo’, em 2014, além de definir os rumos de outros tantos pilotos, como os jovens Pascal Wehrlein e Esteban Ocon, vinculados à Mercedes, acaba sendo natural que o trabalho bem-sucedido de Wolff o credencie a substituir o chefão da F1, Bernie Ecclestone, no futuro. Mas Toto deixou claro que não tem interesse em ser o sucessor do britânico, hoje com 86 anos.

Em entrevista ao diário francês ‘Le Figaro’, o austríaco disse que a função de Bernie é complexa demais e indicou que o seu desejo é de continuar na Mercedes. Toto busca renovar o seu contrato para continuar no comando da equipa, que se sagrou tricampeã do Mundial de Construtores.“Não. Não sonho em comandar a F1. Isso é mais difícil do que as pessoas que criticam Bernie imaginam”, comentou o dirigente austríaco. “Adaptar o desporto ao universo digital e gerar benefício é muito complexo. Prefiro que seja outro quem solucione o problema. Tenho de manter a minha atenção no desenvolvimento da minha equipa”, justificou o chefe da Mercedes na F1.

GP DE ABU DHABI
Bons motivos para assistir


Finalmente, a F1 chega a derradeira etapa em 2016 e ainda com o título por decidir. Nico Rosberg e Lewis Hamilton vão para Yas Marina separados por 12 pontos, o que se converte em uma grande vantagem para o alemão, que precisa de apenas um terceiro lugar para ficar com a taça. Além da decisão do Mundial, o GP tem mais outras razões para não perder a última corrida da época.

UM DUELO NO DESERTO

Mais uma vez, Abu Dhabi é o palco da decisão do título da F1. Como tem sido a tónica dos últimos anos, apenas Nico Rosberg e Lewis Hamilton têm oportunidades de conquistar a mais sonhada taça do desporto a motor no mundo. Só que, desta vez, é o alemão quem chega com a faca e o queijo nas mãos. Rosberg venceu mais corridas em 2016 bastante consistente e tem apenas um abandono no campeonato todo. Na liderança da tabela, o piloto tem 367 pontos contra 355 do rival inglês. Na prática, Nico precisa de somente um terceiro lugar para erguer o troféu de campeão pela primeira vez na carreira.Do outro lado da grelha, está Hamilton. A época do britânico, embora vitoriosa, é marcada por uma série de acidentes, erros e falta de confiabilidade do carro da Mercedes. O tricampeão sofreu no início do ano, quando enfrentou falhas em largadas e também com danos seguidos no motor alemão. Assim, Rosberg venceu as quatro primeiras etapas, enquanto Lewis só conseguiu reagir mesmo após o GP de Monaco.O inglês chegou a figurar na liderança do campeonato, após o fim da primeira parte da época, mas Rosberg voltou das férias de verão na Europa revigorado e conseguiu uma sequência de triunfos que o colocou à frente de novo. Ainda assim, Hamilton tentou acompanhar o ritmo do adversário, mas a quebra do motor na Malásia atrapalhou os planos do britânico, que se viu muito atrás do rival.Hamilton vem de uma série de vitórias nesta fase final do campeonato, mas ainda precisa contar com a sorte na tentativa de tirar a taça do companheiro de Mercedes.

OS INTRUSOS

Ainda que a disputa do título esteja entre os dois pilotos da Mercedes, ambos não estão sozinhos na luta por uma vitória em Abu Dhabi neste fim de semana. A Red Bull já se coloca em um papel decisivo para os dois postulantes à taça. A equipa austríaca é a segunda grande força do campeonato, venceu duas vezes neste ano e põe-se, por meio de estratégias inteligentes, sempre como uma ameaça aos prateados. Junte-se aí também a óptima fase vivida pelo jovem Max Verstappen na F1. Dono de uma pilotagem agressiva, o holandês foi o nome da corrida em Interlagos, onde deu pequeno espectáculo na chuva. Com uma vitória na época, Max está em quinto no Mundial e está apenas cinco pontos de Sebastian Vettel, da Ferrari, o quarto colocado. Ou seja, a motivação também é para fechar o campeonato atrás do companheiro de equipa.Daniel Ricciardo, por sua vez, também vem de uma época bastante consistente, com apenas um abandono e um triunfo. O australiano já garantiu o terceiro posto na época, com 246 pontos. Ao todo, a equipa dos energéticos subiu ao pódio 15 vezes neste ano.

A BRIGA PERIFÉRICA
Enquanto o título de pilotos está entre as mãos Nico Rosberg e Lewis Hamilton, o campeonato de Construtores, embora decidido a favor da Mercedes, ainda tem lá o seu charme. Isso porque algumas posições importantes ainda estão em aberto, especialmente no que diz respeito ao dinheiro dos prémios. Esse é o caso da disputa entre a Force India e a Williams. Os indianos já superaram os ingleses há alguns meses, mas o posto de quarto lugar no Mundial continua indefinido. A equipa chefiada por Vijay Mallya está em quarto, com 163 pontos contra 136 da esquadra de Grove. Só que os primeiros parecem estar em vantagem. Na última corrida, no Brasil, a Force India viu-se em condições de colocar Sergio Pérez na quarta posição e Nico Hulkenberg, enquanto a Williams sequer pontuou. A outra luta interessante para se acompanhar em Abu Dhabi é da colocação final do Mundial de Construtores. A batalha está entre a Sauber e a Manor neste momento. As duas estão separadas por mais um ponto, especialmente, depois que os suíços foram capazes de entrar no top-10 no GP do Brasil, com o nono lugar de Felipe Nasr. Parece pouco, mas o décimo lugar no campeonato gera um prémio extra de aproximadamente 20 milhões de dólares, algo que nenhuma das duas equipas pode se dar ao luxo de ficar sem.

MAIS UM ADEUS
É bem verdade que Felipe Massa viveu uma das despedidas mais emocionantes da história da F1 em Interlagos, na semana passada.Mas ainda resta uma última prova na maior das categorias e, com certeza, novas homenagens devem acontecer no fim de semana. Só que Felipe não será o único a dizer adeus ao Mundial. Jenson Button também vai fazer a sua última prova em Abu Dhabi.Prestes a iniciar um ano sabático, o campeão mundial de 2009 disse estar ansioso para viver o adeus do que foi boa parte da sua vida até agora e até vai levar família e amigos para festejar no Médio Oriente.