Jornal dos Desportos

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Rssa abalada pelas medidas punitivas da AMA

12 de Dezembro, 2019

A Rssia no pode participar, em qualquer evento desportivo global, at 2023

A Rússia foi castigada com 4 anos de suspensão, de todos os eventos desportivos globais, de entre Tóquio 2020 e Mundial 2022. A presença no próximo Euro, em que St. Petersburgo é uma das cidades sede da prova, não está em causa.  A Rússia não pode participar, em qualquer evento desportivo global, até 2023. Foi o castigo aplicado, na segunda-feira, em Lausana, Suíça, pelo comité da Agência Mundial Antidopagem (AMA). Tratase do mais recente capítulo, no escândalo de doping, que envolve o país que está já desde 2015 sem competir no atletismo.
Em causa estão questões de doping levadas a cabo, com o apoio estatal, nos últimos seis anos - com participação activa do ministro dos Desportos e dos serviços secretos -, que envolvem a manipulação de amostras.
O esquema, descrito num relatório tornado público em 2016, elaborado pelo professor canadiano Richard McLaren, terá abrangido vários eventos, entre os Jogos Olímpicos de Londres 2012 e Sochi 2014 (Inverno), as Universíadas e os Mundiais de atletismo de 2013.
Em teoria, o castigo aplicado por “unanimidade”, como explicou o porta-voz da AMA, faz que a Rússia falhe os Jogos Olímpicos (JO) de Verão, em Tóquio, em 2020; os JO de Inverno, com palco em Pequim, em 2022; e os campeonatos do Mundo, durante esse prazo - incluindo o de futebol, a realizar no Qatar, em 2022.
Entretanto, na prática o cenário pode não ser bem esse. É, praticamente certo, que a bandeira russa não seja hasteada nas referidas competições, mas o castigo prevê a possibilidade dos atletas competirem sob bandeira neutra, caso provem que não estejam envolvidos nos programas de doping ou que as suas amostras não foram falsificadas.
 De acordo com a AMA, “os atletas que quiserem participar em Jogos Olímpicos ou Paraolímpicos, ou em qualquer outro evento abrangido pela decisão, têm de provar que não estão envolvidos nos programas de doping, descritos no relatório McLaren, ou que as suas amostras não foram falsificadas”.
Por exemplo, em 2016 quando a polémica rebentou, o Comité Olímpico Internacional (COI) colocou nas mãos das federações da modalidade a decisão de autorizar os atletas a participar nos Jogos do Rio 2016, embora, como independentes. Todavia, o Comité Paraolímpico Internacional (CPI) foi mais longe e proibiu a presença do país nos Jogos Paraolímpicos brasileiros.
Mais tarde, nos JO de Inverno de 2018, o país foi sancionado pelo COI e não foi autorizado a participar no evento, que se disputou em PyeongChang. Todavia, no seguimento do processo por manipulação de amostras de doping foi levantado às autoridades russas, a mais recente decisão tomada pela AMA, é ainda passível de recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), num prazo de 21 dias.
Na perspectiva do presidente da agência russa antidopagem, Iouri Ganous, o país não tem “nenhuma hipótese” de ganhar, caso venha a recorrer da exclusão - uma decisão que o dirigente considerou ser uma “tragédia” para os desportistas honestos.