Jornal dos Desportos

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Rui Humberto Teles deplora estado de actividade na Hula

03 de Fevereiro, 2018

Rui Humberto quer mais dinamismo da Associao local

Fotografia: ARIMATEIA BAPTISTA | EDIES NOVEMBRO

“É com muita mágoa que vejo o boxe a decair na Huíla”. Assim se manifestou Rui Humberto Teles, antigo treinador da selecção nacional, Interclube local e 1º de Maio de Benguela, nos anos 80 do século XX, contra a estratégia de fomentação e massificação dos clubes locais. O agente desportivo pretende ver mais dinamismo da Associação provincial de Boxe. 
\"Não existe boxe nesse momento na Huila. Não se vê o trabalho da Associação sobre o fomento e massificação da modalidade nos clubes\", disse.
Rui Humberto Teles sente-se traído pelas promessas feitas aquando do campeonato africano da Zona IV realizado no Lubango. o governo provincial fez grandes investimentos, como a melhoria do pavilhão da Nossa Senhora do Monte, que implicaria um outro dinamismo no boxe huilano. Porém, o evento não trouxe nenhum benefício à província.\"Os clubes huilanos carecem de apoios materiais para a massificação e deve-se prestar-se mais atenção aos atletas e treinadores desvinculados. É imprescindível os investimentos em recursos humanos e financeiros\", defendeu.
O antigo seleccionador salientou que se não se estruturar o programa de desenvolvimento de boxe nacional, nunca haverá pugilistas com qualidades exigidas nas competições internacionais. A revitalização feita no Interclube \"é uma mais-valia\".
\"Se o Interclube da Huila conseguir reanimar o boxe, vai ser bom para a província. Existem atletas locais com algumas qualidades que podem ir mais longe se trabalharem mais. Um clube não é suficiente para alavancar a competição\", referiu.
Rui Humberto Teles suspeita que detrás da iniciativa do Interclube possa haver também a do Sporting do Lubango. Revelou que sente \"saudades de dar treino\" e lança uma \"corda\" à equipa da Polícia Nacional.
\"Quem sabe senão estaria a juntar-me ao Interclube! Aguardo o primeiro passo do Interclube\", exteriorizou.
Rui Humberto Teles treinou a equipa de boxe do Interclube da Huíla entre 1980 e 1987. Depois, transferiu-se para 1º de Maio de Benguela entre 1981 e 1986. De 1983 a 1985, foi seleccionador nacional de boxe. Em 1986, exerceu o cargo de vice-presidente da Faboxe.
Formou pugilistas, com destaque para Pato, Jean Pierre, Ribeiro Dinis, Ângelo Mateus, Ângelo Almeida, Cuca, Kim Zé, Vicy, Pedro Domingos \"Kinda\", Tchivela, Daniel Cabango \"Lussa\", Max, Kiala, Mira Chagas, Estrela, entre outros.
GH| NO LUBANGO

NA FABOXE  
Ex-seleccionador quer organização


O ex-seleccionador nacional de boxe defende a suspensão da selecção nacional de todas as competições internacionais por um determinado período para permitir a massificação e a organização interna. Rui Humberto Teles aconselha a Federação Angolana de Boxe a cumprir um período sabático.
\"A Faboxe deveria isolar Angola das competições internacionais para promover a massificação. Depois da organização interna, o país pode competir com a qualidade técnica almejada. Um dos passos estratégicos para elevar a qualidade é a regionalização das competições\", disse.
O especialista lamenta a postura da actual direcção, em que privilegia a exibição nos eventos internacionais \"sem a qualidade técnica exigida\".
 A Faboxe não possui dinheiro suficiente para promover campeonatos nacionais. A concentração de uma equipa de 12 atletas durante oito dias é muito oneroso.\"Se optarmos por provas regionais, torna-se mais económico e vantajoso. Os clubes vão queixar-se menos vezes\", referiu.
Rui Humberto Teles revelou que tem apoio de colegas de profissão sobre a regionalização de provas e aumento de praticantes. O boxe não se pratica com oito ou 10 atletas. O clube deve dispor de 100 atletas, no mínimo.
\"Em Benguela, movimentávamos uma grande quantidade de atletas, dos quais um em aprendizagem e outros em competição. Os melhores integravam a equipa principal do 1º de Maio\", recordou.Rui Humberto Teles lamenta a \"destruição\" do Team Elite por questões internas da Faboxe.
\"O país perdeu um grande clube. Guerrearam contra um homem que disponibilizou gastar dinheiro do seu bolso para massificar o boxe. É muito triste para os amantes da modalidade\", disse.
GH | NO LUBANGO
 
DOS PUGILISTAS
Técnico critica qualidade

A qualidade e o nível técnico dos pugilistas da selecção nacional de boxe no Campeonato Africano da Zona IV, realizado no Lubango em 2017, e noutras provas internacionais, deixaram desapontado o antigo técnico. Rui Humberto Teles considera \"baixo\", apesar da presença do técnico cubano Enrique Carrion.
\"O boxe está em decadência no país. Fiquei desagradado com a qualidade dos nossos pugilistas no Africano realizado no Lubango. Antes daquele evento, pensei que o técnico cubano contratado a oito a dez anos estivesse a desenvolver um bom trabalho. Infelizmente, o nível competitivo diminui em relação aos anos anteriores\", disse.
A título de exemplo, disse que em 1986, na vestes de vice-presidente da Federação Angolana de Boxe, o Team Elite, 1º de Agosto e Interclube já exibiam boa qualidade técnica.
\"Os que representaram o país deixaram muito a desejar por falta de qualidade\", disse.
Para inverter o quadro, aconselha a Faboxe a gizar políticas viáveis e concretas para voltar a ter o protagonismo da década 80 do século XX. Sugere a união da família de boxe, investimento e aumento de praticantes. Luanda e Lobito não podem ser as únicas localidades no país a apostar no boxe. Entre 1983 a 1985, os campeonatos nacionais absorviam 200 atletas de todo o país.
\"Falta muita coisa na Federação. Os verdadeiros profissionais de boxe estão afastados. São os casos de Pambo Fernandes, Olavo Gamboa, entre outros. A família não está dentro das decisões na Faboxe. É notório o interesse de participar dos eventos internacionais, mas não se faz um boxe de boa qualidade. Isso torna difícil a obtenção de resultados positivos\", defende.
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CONSTATAÇÃO
Boxe profissional
requer honestidade


A guerra pela obtenção de lucro e a falta de honestidade dos promotores ditaram a paralisação do boxe profissional em Angola. A vice-presidência da Faboxe para o sector não teve respaldo das entidades competentes para continuar a promover a categoria. A revelação é de Rui Humberto Teles.
Em entrevista ao Jornal dos Desportos, o antigo dirigente assegurou que no seu tempo \"surgiram vários promotores de boxe profissional que queriam ganhar dinheiro\" e a sua instituição não teve apoio das entidades responsáveis. A situação descambou para o estado precário actual.
Lembrou que promovia o boxe profissional, mesmo sabendo que não se ganha muito dinheiro em Angola. Detrás do trabalho estava o desenvolvimento dos pugilistas.
\"Para competir nas provas internacionais, os atletas precisam de boa qualidade técnica. As pessoas foram gananciosas e o projecto morreu. Não houve honestidade de alguns promotores\", disse.O promotor de boxe profissional, Olavo Gamboa, vai voltar a organizar algumas galas, segundo Rui Humberto Teles, que suspeita a \"coragem\" para suportar o programa, pois \"não é fácil\".
O ressurgimento das galas de boxe profissional requer honestidade dos promotores. Recebiam patrocínios e não o revertiam a favor de gala. No passado, \"houve muitos problemas entre os atletas e os agentes promotores por falta de cumprimento dos contratos\".  Rui Humberto Teles revela que \"muitos atletas queixavam-se na hora de receber o dinheiro prometido\". Esse empecilho impediu a massificação do boxe profissional.
\"Deve-se pagar o dinheiro ao atleta ainda que for um valor pequeno acordado. É desonestidade quando não compensas os riscos dos pugilistas enfrentados durante a gala\", disse.Rui Humberto aguarda que a direcção de Carlos Luís engendre políticas de coerência para o bem do boxe profissional.
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