Jornal dos Desportos

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Rússia quer GP nocturno

09 de Outubro, 2015

Os organizadores acreditam que uma mudança só deve acontecer em 2017

Fotografia: AFP

Depois de ser uma das cinco provas que sofreram alterações nos horários de partida devido às recomendações do painel que investigou as causas do acidente que resultou na morte de Jules Bianchi no GP do Japão do ano passado, a etapa da Rússia planeia uma alteração mais radical para os próximos anos: tornar-se a quarta corrida nocturna do calendário da Fórmula 1.

Actualmente, a prova tem inicio às 14h locais (16h00, em Angola), tendo sido adiantada em uma hora após a determinação de que as corridas tenham pelo menos a garantia de 4h de luz natural após o seu início para evitar perdas de visibilidade. No entanto, isso significa que o GP começa às 12h na Inglaterra e às 13h na maior parte da Europa, o que seria prejudicial para a audiência.

Esta semana, o governo russo anunciou que está a negociar a extensão do seu contrato além de 2020 e quer transformar a etapa, que estreou no calendário ano passado, em uma corrida nocturna para se tornar mais atractiva.

"No momento, estamos a negociar a extensão do contrato, que acaba em 2020, e também pensamos em mudar - tendo em vista que são corridas mais populares - a corrida de Sochi para o período nocturno",  disse o vice-primeiro ministro, Dmitry Kozak.

No entanto, os organizadores acreditam que uma mudança provavelmente só deve acontecer em 2017. Segundo o promotor da prova, Sergei Vorobyov, a adaptação do circuito já para o ano que vem é "improvável".

Actualmente, as provas do Bahrein, Abu Dhabi e Singapura são disputadas sob luz artificial.

MCLAREN PERTO
DO RECORDE NEGATIVO

A McLaren está a duas corridas de igualar a maior seca de vitórias da sua história, que aconteceu entre 1977 e 1981: naquela época, foram 53 corridas sem chegar ao lugar mais alto do pódio.

Hoje, são 51 GPs desde a última conquista e, com a perspectiva de melhora da actual situação da equipa apenas para a próxima temporada e cinco GPs para o final deste campeonato, é uma questão de tempo para que a marca negativa seja superada.

A última vitória da McLaren foi no GP do Brasil de 2012. De lá para cá, a equipa só chegou ao pódio em uma oportunidade, no GP da Austrália de 2014, com Kevin Magnussen e Button, que lucraram com uma punição a Daniel Ricciardo, da Red Bull.

Em 2015, o baixo rendimento do motor Honda tem sido o calcanhar-de-Aquiles da equipa, que enfrenta a pior temporada desde 1980, quando terminou na nona posição entre as equipas, mesma posição que ocupa actualmente.

De acordo com Fernando Alonso, a equipa sabe onde tem de melhorar, mas só vai conseguir ter ganhos reais ano que vem. "Será difícil ver algum grande progresso este ano porque nossas limitações são muito claras e é necessário tempo para ter a maioria dos ganhos. Mas estamos usando as últimas corridas para nos direccionar para o ano que vem."

Porém, o facto desta ser a terceira temporada sem vitórias mostra que a Honda não é o único dos problemas da McLaren. A equipa ficou de fora do pódio pela primeira vez desde 1980 na temporada de 2013, enquanto ocupou posições intermediárias na última temporada mesmo usando os motores Mercedes, os mais competitivos da categoria, com os quais outra cliente, a Williams, conquistou uma série de pódios.

Mesmo com as dificuldades, o CEO da equipa, Ron Dennis, segue acreditando na parceria com os japoneses. "Não consigo entender por que as pessoas não entendem que não dá para ser campeão como cliente - simplesmente não vai acontecer", justificou. "Temos de passar por essa fase de aprendizagem para ter um motor competitivo. Mas a Honda está comprometida e sabem o que tem de ser feito."


Líder do mundial
Hamilton quer brilhar na prova da Rússia


Lewis Hamilton é o grande favorito ao título do Mundial de Pilotos da Fórmula 1 em 2015. Já são 277 pontos para o britânico, 48 a mais que o seu colega da Mercedes, Nico Rosberg. Além disso, venceu mais da metade das provas da temporada (oito de 14), inclusive a última, no Japão. Para o GP da Rússia, neste domingo, então, o piloto só espera "mais do mesmo".

"Suzuka foi um fim de semana realmente especial para mim e um outro resultado fantástico para a equipa. Todos fizeram um trabalho incrível de novo e cada parte deste sucesso é merecido. O carro esteve inacreditável no Japão, então espero que seja mais do mesmo nas corridas restantes, começando por Sochi", declarou. Esta será apenas a segunda vez que o Circuito de Sochi receberá uma prova da Fórmula 1, sendo que a primeira, no ano passado, traz óptimas recordações a Hamilton. Na ocasião, o britânico cravou a pole e venceu a prova, seguido justamente de Rosberg, resultado que garantiu o Mundial de Construtores à Mercedes na época.

"Foi incrível vencer a primeira corrida da Fórmula 1 na Rússia e foi um momento fantástico para a equipa garantir o título naquele momento. Dedos cruzados para que possamos acrescentar a essas óptimas memórias neste fim de semana. Vou me esforçar ao máximo para que isso aconteça", garantiu.

Se Hamilton está a um passo do título, Rosberg tenta manter as esperanças. Segundo colocado em Suzuka, o alemão se apega à óptima prova que fez no Japão e às chances matemáticas para confiar que tirará a conquista de mais um Mundial de Pilotos das mãos do colega.

"Não estou desistindo da luta pelo campeonato, e ganhar posições em Suzuka de forma justa mostrou isso. Temos cinco corridas pela frente e apesar da diferença no campeonato para o Lewis ser grande, na minha cabeça definitivamente ainda não acabou. O jeito como toda a equipa se comportou este ano foi incrível, e temos o carro que precisamos para dar um passo à frente", declarou o alemão.


Convicção
Equipa da McLaren minimiza críticas


Éric Boullier, director de corridas da McLaren, negou que haja qualquer problema ou rachadura dentro da equipa na relação de trabalho com a Honda. O francês também defendeu Yasuhisa Arai, chefe da fabricante japonesa, e disse que pressão por resultados é algo normal.

Director de corridas da McLaren, Éric Boullier negou veemente que haja qualquer tipo de problema na relação com a Honda, a fornecedora de motor da equipa inglesa. Depois das reclamações públicas de Fernando Alonso no GP do Japão e a cobrança diária por melhorias na unidade de potência, o francês garantiu que não qualquer estremecimento quanto às relações de trabalho e que não houve uma reunião, após Suzuka, para tentar minimizar as frustrações dos pilotos.

 "Não houve reunião alguma sobre crise. Não há uma deterioração das relações. Isso não é verdade, para ser honesto", disse o dirigente em entrevista ao site da revista inglesa 'Autosport'.

"Em todos os níveis da organização McLaren-Honda, a engenharia, a parte técnica, tudo, não existe nada de errado. Há uma coesão absoluta dentro da equipa. No que diz respeito à gestão, o cenário é o mesmo, embora a pressão seja maior porque precisamos entregar resultados", completou.

 "Certamente, não podemos ficar onde estamos, não podemos competir com esse tipo de performance, mas enquanto houver pressão, não haverá problemas", emendou.

Questionado sobre o comprometimento da Honda, Boullier respondeu: "Eles estão comprometidos com a McLaren e com a F1 por muito, muito tempo. É um compromisso real e de longa duração. Eles têm reiterado isso muitas vezes."

 O director de corridas também saiu em defesa do chefe da Honda na F1, Yasuhisa Arai. "Estamos trabalhando bem com Arai, que é o responsável pela competição da Honda, e, enquanto continuarmos a falar, ouvir e ver que as coisas estão melhorando, então acho que está tudo bem".