Jornal dos Desportos

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Modalidades

Sauber busca melhoria na China

08 de Abril, 2016

Apesar de a equipa negar a situação tem consequências no desempenho na pista

Fotografia: AFP

Em situação financeira complicada, a equipa da Sauber, do brasileiro Felipe Nasr, chegou a ser alvo de rumores que colocaram em dúvida a sua presença na próxima etapa do Campeonato do Mundo de Fórmula-1, a decorrer na China. Apesar da equipa negar a possibilidade, a situação ruim está a se reflectir no desempenho na pista.

Depois de ter optado por fazer apenas um grande desenvolvimento no carro durante o campeonato do ano passado, perdendo terreno ao longo do ano, a equipa atrasou o lançamento do modelo deste ano e já é a formação que menos cresceu nos últimos 12 meses.

No comparativo entre os melhores tempos obtidos por cada equipa nos GPs do Bahrein de 2015 e 2016, a equipa segura a "lanterna vermelha" entre os que mais evoluíram, com um tempo somente 1s897 melhor.

A líder absoluta da tabela é a Manor, que melhorou em mais de 5s9 o seu tempo de volta. McLaren e Mercedes cresceram mais de 3s, enquanto a equipa mais próxima da Sauber é a Williams, que melhorou 2s45 na comparação com a mesma prova o ano passado.

Em Fevereiro, quando houve um atraso de um dia nos salários, a justificação era de que um conjunto de circunstâncias alterara o fluxo de caixa da equipa, culminando com uma transferência monetária internacional que não se concretizou na data estimada.

No Bahrein, chamou a atenção o facto de Monisha Kaltenborn não estar à frente da equipa, mesmo escolhida para a conferência de imprensa da FIA. A dirigente é uma das críticas mais ferrenhas à maneira como o lucro da categoria é dividido. Enquanto as melhores equipas, que já teriam cotas maiores devido à posição do mundial de construtores, ganham quantias extras por uma cláusula negociada unilateralmente chamada de "valor histórico", os menos cotados acabam com premiações bem menores.

Outra prova da situação difícil é a falta de peças novas no carro. No Bahrein, Felipe Nasr usou diversas partes de 2015 no seu carro e reclamou bastante pelo seu comportamento.

"O carro está terrível!", chegou a exclamar via rádio para a equipa, antes de reconhecer que "há algo de errado com o carro que temos de analisar antes do GP da China". A etapa será realizada dia 17 de Abril.

SALVAÇÃO
A solução para os problemas da equipa, que se firmou na Fórmula 1 como berço de talentos, viria das mãos da Ferrari. Parceira histórica, a equipa vermelha entraria como facilitadora para que a Sauber fosse comprada pela Alfa Romeo.

O CEO da Ferrari e do Grupo Fiat, do qual a Alfa Romeo faz parte, Sergio Marchionne, afirmou recentemente que existe o interesse de que a marca volte à Fórmula 1, ao salientando ao mesmo tempo a dificuldade em montar uma equipa do zero. A solução, portanto, seria adquirir o controlo de alguma estrutura existente.

"Seria difícil para a Alfa Romeo voltar sem o apoio da outra equipa. Uma associação seria o ideal", declarou o italiano. "É incrível como a Alfa continua no coração das pessoas. Por isso, estamos a pensar em trazê-la de volta às corridas, como concorrente. É importante para a marca voltar."


Nos  motores
Renault e Honda melhoram performance


As lutas por posição no GP do Bahrein deixaram claro: os dias em que a F-1 tinha um motor muito superior aos demais ficaram para trás, com a evolução especialmente da Renault e Honda. Tanto, que o Ferrari de 2015, usado somente pela Toro Rosso, já é o mais fraco.

"Vocês podem não saber isso, mas o motor com menos potência é na verdade a Ferrari da Toro Rosso", revelou o director técnico da Mercedes, Paddy Lowe, à ESPN. "A Renault e o Honda não estão muito atrás do Ferrari e do Mercedes, então não existe muita diferença entre as unidades de potência."

Ainda assim, a Toro Rosso consegue ter bons resultados neste início de ano, como o sexto lugar de Max Verstappen no GP do Bahrein, uma pista de longas rectas, em que a potência do motor conta bastante. Isso só demonstra a qualidade do carro da equipa, ainda que a expectativa seja de que, com o desenvolvimento das demais unidades, o holandês e o seu companheiro Carlos Sainz tenham menos possibilidades de chegar nos pontos neste tipo de pista.

O próprio Verstappen admitiu que a tendência é que a Toro Rosso tenha dificuldades de superar a Red Bull nas corridas, diferentemente da expectativa que havia no início do ano. E isso se deve ao salto feito pela Renault desde a temporada passada.

"Honestamente, não fiquei surpreso", disse o holandês. "A Red Bull tem um grande carro e, com este motor, eles deram um grande salto."


Classificação
Equipas pressionam parceiros


As negociações de logo mais entre as equipas, a FIA, a FOM e a Pirelli sobre um eventual novo sistema de classificação serão bastante tensas, já que as equipas estão a pressionar pelo regresso do modelo usado até o ano passado, de acordo com a revista inglesa "Autosport".

Já os dirigentes querem o formato agregado para a definição da grelha de partida. Diante do impasse, a F1 corre o risco de optar por manter o actual método da "dança das cadeiras".

A novela em que se transformou a busca por um formato definitivo de classificação na F1 vai ganhar um novo capítulo, quando as equipas e os dirigentes do Mundial voltam a se reunir para decidir sobre que modelo de treino deverá ser adoptado para o resto da temporada. E, ao que parece, essa decisão não será das mais fáceis.

De acordo com reportagem do site da revista inglesa 'Autosport', as equipas devem rejeitar o sistema de classificação agregado na votação de logo mais, que vai acontecer por meio de teleconferência. A proposta para o novo formato foi discutida no Bahrein, no último fim de semana, durante um encontro entre Jean Todt, presidente da FIA, Bernie Ecclestone, representante da FOM, a Pirelli e as equipas.

Um processo de avaliação do sistema já foi realizado, mas, segundo a publicação, as equipas são totalmente contra — acontece que, neste momento, qualquer mudança no regulamento precisa de um acordo unânime entre as partes. E as equipas não estão sozinhos nessa. Sebastian Vettel lidera o coro contrário ao modelo. "É uma má ideia ", disse o tetracampeão em Sakhir.

A proposta apresentada pelos dirigentes segue a essência do que foi o formato de classificação até o ano passado.


Michael Schumacher
Ex-presidente da Ferrari
confiante na recuperação


O ex-presidente da Ferrari na época em que Schumacher foi campeão do Mundo, Luca di Montezemolo falou sobre a situação de saúde do alemão. O ex-dirigente disse estar confiante na recuperação de seu "parceiro".

"Estou muito confiante na recuperação de Michael. Eu digo com força e convicção Michael ainda é para mim um parceiro de vida: por 11 anos nós ganhamos muito e tínhamos 'filhos' com as nossas vitórias. a sua força é a grande capacidade de reagir e estou muito confiante", disse.

"Eu quero enfatizar isso porque no passado algumas das minhas palavras foram mal interpretadas. Estou convencido de que ele busca dentro de si a força para lutar e ir para casa. Estar cercado pela sua família será crucial para sua recuperação", completou.

Schumacher contina a sua recuperação do acidente que sofreu no fim de 2013. Ele estava a esquiar quando bateu a cabeça e acabou desacordado.
Em Fevereiro deste ano, Montezemolo chegou a dizer que "não tinha notícias muito boas" sobre o alemão.