Jornal dos Desportos

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Sayovo desfalca selecção nacional

22 de Abril, 2015

José Sayovo quer apoios para acabar com as enfermidades

Fotografia: Nuno Flash

A selecção nacional paralímpica participa amanhã no Open-Brasil Caixa Lotarias, em São Paulo, sem a sua principal estrela da especialidade de velocidade, José Sayovo, acossado de problemas de saúde desde o regresso dos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012.

Em declarações a Angop, José Sayovo afirmou que tem estado afectado por paludismo, febre tifóide e hipertensão arterial com frequência. A situação médica já o impediu de participar do meeting internacional de Tunis, em Março.

O recordista mundial e paralímpico assegurou que numa das provas dos Jogos Olímpicos de Londres correu afectado por febre tifóide, por levar às costas as cores da bandeira nacional.

“Sou um atleta de nome internacional. Portanto, quando participo em provas não é apenas o meu nome que fica em jogo, mas também o de Angola”, disse com orgulho.

O velocista de 43 anos de idade ressaltou, que desde então, o seu estado de saúde não tem melhorado e o Comité Paralímpico Angolano tem conhecimento da sua situação de saúde.

O especialista solicita apoios às entidades competentes para uma total recuperação. O regresso às pista tem de ser feito nas melhores condições físicas e mentais, conforme José Sayovo.

O técnico nacional, José Manuel, afirmou que José Sayovo não foi convocado por não treinar nos últimos dois anos, por motivos de saúde, apesar das inúmeras intervenções do Comité Paralímpico Angolano para ajudar na solução. José Manuel lamenta a situação e revela que contava com o atleta para as provas de 400 metros, tendo em conta os seus 43 anos de idade.

“A nossa ideia foi apostar nele (Sayovo) para os 400 metros nos Jogos Paralímpicos de 2016, trabalhar muito a resistência e a velocidade”, frisou o antigo especialista dos 110 e 400 metros barreiras, salto em comprimento e triplo salto.

José Sayovo é o atleta paralímpico mais medalhado em Angola, com subidas ao pódio em três ocasiões consecutivas nos Jogos Paralímpicos de Atenas'2014, Beijing'2008 e Londres'2012.
O velocista nascido em 1973, no município da Catabola, província do Bié, acumula um pecúlio de 48 medalhas, sendo 25 de ouro, 21 de prata e duas de bronze.

OBJECTIVO NO BRASIL

Quanto à participação da selecção nacional no Open-Brasil Caixa Lotarias, a realizar-se em São Paulo, o seleccionador nacional, José Manuel, assegurou que o objectivo fundamental é habituar os jovens atletas à alta competição, para além de obtenção de marcas de acesso às competições qualificativas aos Jogos Paralímpicos do Rio'2016.

O treinador defende a participação regular dos atletas nas provas de alto nível, porquanto “só se tornam fortes desde que compitam com fortes”.
O coordenador técnico de atletismo adaptado em Angola realçou que a selecção nacional é composta maioritariamente por jovens, cuja idade média é de 20 anos e constam do grupo de mais de 30 atletas catalogados pelo Comité Paralímpico Angolano, visando os pódios nos Jogos Paralímpicos de 2020 e 2024.