Jornal dos Desportos

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Sebastian Coe Presidente da IAAF

20 de Agosto, 2015

Sebastien Coe eleito presidente

Fotografia: AFP

O britânico Sebastian Coe foi eleito ontem, quarta-feira, presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), batendo Sergey Bubka numa votação renhida. Coe conquistou 115 dos 207 votos dos membros das federações que compõem a IAAF, com Bubka a conseguir 92.Coe substitui, assim, Lamine Diack, o senegalês de 82 anos que deixa o cargo após 16 anos à frente do organismo.

Coe, campeão olímpico dos 1.500 metros em 1980 e 1984, conseguiu a proeza ainda não igualada de deter em simultâneo os recordes do Mundo dos 800, 1.000 e 1.500 metros.Além do currículo impressionante nas pistas, Coe organizou os Jogos Olímpicos de Londres, há três anos, e ocupa assento no Parlamento britânico desde 1992.Avessa a mudanças, a IAAF tem tido por regra mandatos "quase vitalícios", que chegaram aos 32 anos do sueco Sigfrid Edstom. O inglês Lord Burghley esteve 30 anos no posto, Diack e Nebiolo 16, só "destoando" os cinco anos do holandês Adriaan Paulen.

Coe recebe de "herança" a difícil gestão da polémica com os casos de dopagem, que atiraram de novo a modalidade para o centro das atenções, mas pelas piores razões. A polémica foi reacendida com as reportagens da ARD e do Sunday Times e causou uma "nuvem" de desconfiança sobre os principais resultados da primeira década deste século, uma imagem que Sebastian Coe já disse que quer ver melhorada.

COE ASSUME CARGO
O britânico Sebastian Coe manifestou-se "encantado por presidir ao melhor desporto do Mundo", nas primeiras declarações após assumir o cargo."Comecei a correr aos 11 anos. Depois, tive o prazer de entrar num estádio, competir em jogos olímpicos e de fazer parte da organização de Londres'2012. Agora, recebi uma medalha de ouro", comentou Coe na primeira conferência de imprensa após a eleição.

Coe garantiu que, durante o mandato, vai dedicar "todos os esforços para manter os valores e legados de Lamine Diack", num elogio ao seu antecessor.Questionado sobre os escândalos de doping que assolam actualmente o atletismo mundial, o novo presidente da IAAF considerou que o uso de substâncias ilegais "é um problema universal, de todos os desportos, que não atinge apenas o atletismo".

"Temos de reconhecer que a opinião generalizada é que há lacunas. Provavelmente, um sistema (de controlo) independente vai ajudar a acabar com as dúvidas", considerou o britânico, que na campanha defendeu a criação de uma agência anti-doping à margem da IAAF.Outra das prioridades do campeão olímpico dos 1.500 metros nos Jogos de Moscovo, em 1980, e Los Angeles, em 1984, é a reformulação dos calendários internacionais para garantir que mais provas concentrem a atenção mediática."Temos muita sorte, porque o atletismo é um desporto que pode disputar-se 12 meses por ano. Temos de assegurar que o calendário seja bem estruturado e que os grandes momentos da temporada cativem o público", explicou Sebastien Coe.

ATLETISMO
Pequim preparada
para Mundial 2015 
        

As ruas de Pequim já estão enfeitadas com os cartazes que anunciam o Campeonato Mundial de Atletismo e nos arredores do Estádio "Ninho do Pássaro" estão finalizados os preparativos para o arranque da competição a partir do dia 22 do corrente. Um grande painel colocado na entrada do emblemático Estádio que já viu Usain Bolt a fazer história com o seu tricampeonato nos Jogos Olímpicos de 2008 lembra hoje que faltam dois dias para o início do evento de atletismo mais importante do ano.

Com a contagem regressiva em andamento, a cidade intensifica os trabalhos para que todos os detalhes estejam prontos. Usain Bolt, Mo Farah, Allyson Felix e companhia já se encontram em Beijing para competir entre os dias 22 e 30 de Agosto. Ao redor do "Ninho do Pássaro" foram instalados os controlos de acesso e no centro de operações  os organizadores continuam a dar instruções aos voluntários.

O parque olímpico está cheia de cartazes com o logótipo da competição e os postes de luz das principais avenidas da cidade também exibem esse emblema. Com as ruas preparadas e decoradas, só falta que o céu esteja limpo para que os atletas possam correr, saltar e obter o pleno rendimento.O governo de Pequim anunciou  que a partir de hoje até 3 de Setembro está proibido a circulação de metade dos veículos particulares. 

Durante este período, a circulação de veículos com placas com números pares e ímpares alternam-se com o objectivo de reduzir a poluição atmosférica habitual na capital chinesa. Além disso, o número de veículos oficiais em circulação vai ser reduzido em 80 por cento, enquanto se vai aumentar o transporte público para que os moradores da cidade possam trabalhar e realizar as suas actividades quotidianas. As autoridades chinesas também disseram que vão acompanhar estas restrições ao trânsito com fechamentos totais ou parciais das fábricas mais poluentes.

100 MIL DÓLARES
POR CADA RECORDE

Os atletas que vão disputar o Campeonato Mundial de Atletismo, a partir do próximo sábado, em Pequim, têm motivação extra para atingirem resultados expressivos. A IAAF informou que vai dar como prémio 100 mil dólares norte-americanos aos atletas que baterem recordes mundiais na competição. Até o momento, foram registados 20 recordes em 32 anos de história dos Mundiais, sendo o último conquistado pela Jamaica, de Usain Bolt, na estafeta 4x100m em Daegu 2011. A entidade deixou claro que o Prémio vai ser dado somente se a marca anterior for superada e não igualada. A verba de 100 mil dólares é a mesma que foi paga durante o Mundial de Moscovo em 2013. Dois mil atletas são esperados.

DOPING
Cakir Alptekin está suspensa


A atleta turca Asli Cakir Alptekin está desde a passada segunda-feira suspensa por oito anos, devido a irregularidades no passaporte biológico, pelo que vai perder os títulos olímpico e europeu dos 1.500 metros conquistados em 2012.A suspensão da atleta, que em 2012 também se sagrou campeã europeia da distância, foi ratificada pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), depois de uma primeira suspensão decretada pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF).

Cakir foi suspensa provisoriamente em Maio de 2013, pela Federação Turca de atletismo por irregularidades no passaporte biológico. No entanto, em Dezembro, a Federação turca acabou por ilibar a atleta, mas a IAAF recorreu dessa decisão para o TAS. Os valores anormais detectados no passaporte biológico de Asli Cakir Alptekin correspondem ao período entre Julho de 2012 e Outubro de 2012.A decisão prevê a anulação de todos os resultados e prémios obtidos desde 29 de Julho de 2010, pelo que Asli Cakir Alptekin vai perder as medalhas de ouro conseguidas nos 1.500 metros nos Jogos Olímpicos Londres'2012 e nos Europeus do mesmo ano.Segundo o TAS, esta é a segunda infracção cometida pela atleta turca, após uma outra ocorrida em 2004.A suspensão termina a 9 de Janeiro de 2021, altura em que a atleta vai ter 35 anos.

Diack e Gabriel
cessaram funções

O ex-presidente da IAAF, Lamine Diack, e o secretário-geral, Essar Gabriel, cessaram quarta-feira as suas funções na instituição. Diack informou o Conselho na abertura do Congresso da IAAF que o secretário-geral tomou a decisão em Junho passado de não disputar um novo mandato.

DE ELITE
Federação veta publicação
sobre doping de atletas


A Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) impediu a publicação de um estudo no qual até um terço dos atletas de elite do mundo confessava ter violado regras anti-doping, afirmou o jornal britânico na sua edição de último domingo. A acusação partiu de pesquisadores ligados à Universidade de Tubingen, na Alemanha, a quem os atletas teriam feito a confissão em 2011, segundo a reportagem publicada.

A IAAF alegou que não divulgou a pesquisa, porque as discussões sobre a sua publicação ainda estavam "em andamento". Em nota enviada ao jornal alemão, a universidade informou que o "estudo é um projecto de pesquisa científica independente e que não havia sido comissionado pela IAAF". "A decisão da IAAF de atrasar a sua publicação por tanto tempo sem qualquer justificativa plausível é um grave atentado à liberdade de expressão", escreve.

O órgão desportivo limitou-se a afirmar que "as discussões ainda estão em andamento com a equipa de pesquisadores e o Wada (Agência Mundial Antidoping, o outro parceiro do projecto) sobre a publicação do material desoberto". Quatro anos atrás, uma equipa de pesquisadores da Universidade de Tubingen entrevistou centenas de atletas durante o campeonato mundial, que decorreu em Daegu, na Coreia do Sul. O estudo concluiu que 29 a 34 por cento dos 1,8 mil atletas haviam violado as regras anti-doping nos 12 meses anteriores, segundo a reportagem.

Um mês depois de colectar a informação, os pesquisadores foram obrigados a assinar um acordo de confidencialidade pelo qual não poderiam falar publicamente sobre o assunto, acrescentou o jornal. A emissora alemã ARD/WDR tiveram acesso a uma cópia integral do estudo. "Essas descobertas demonstram que o doping está consideravelmente difundido entre os atletas de elite e permanece em grande parte sem ser aferido, apesar dos actuais testes biológicos", conclui a pesquisa.

TESTES SUSPEITOS
As descobertas são similares às revelações que o jornal fez há cerca de 15 dias, quando teve acesso aos resultados de 12 mil exames de sangue de 5 mil atletas. Dois especialistas anti-doping de renome constataram que, entre 2001 e 2012, um terço das medalhas, incluindo 55 ouros, foram conquistados em provas de resistência nos Jogos Olímpicos e nos Campeonatos Mundiais por atletas com "testes suspeitos".

Na ocasião, a IAAF afirmou que as descobertas continham afirmações imprecisas. O estudo da universidade de Tubingen foi financiado através de um aporte de 50 mil libras da Wada que pretendia descobrir a extensão do uso de drogas e métodos para melhorar o desempenho. A pesquisa foi conduzida por 10 cientistas, dos quais dois de nacionalidade inglesa.

Embora não tenha tido qualquer envolvimento directo com o estudo, a IAAF podia vetar a publicação como contrapartida por ter permitido o acesso dos pesquisadores aos atletas em Daegu. Alguns dos dados chegaram a ser publicados pelo jornal norte-americano há dois anos, mas a IAAF conseguiu impedir a publicação do estudo completo, informou.

O responsável pela pesquisa, Rolf Ulrich, da Universidade de Tubingen, afirmou ao jornal britânico que ele e os seus colegas foram impedidos de discutir o trabalho que haviam realizado. Questionado sobre as razões que levam a não publicação do estudo, disse: "Por causa do impedimento da IAAF. Eles controlam a Wada e, por isso, bloquearam o acesso ao material".