Jornal dos Desportos

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Segurana faz pas gastar mais dinheiro

04 de Agosto, 2016

Policial Internacional das Olimpadas), no centro do Rio.

Fotografia: AFP

Uma mudança na operação das máquinas de raio-X fez o governo brasileiro aumentar em 10 milhões de dólares o seu gasto com o plano de segurança dos Jogos Olímpicos. O motivo do custo extra foi o cancelamento de última hora de um contrato com a empresa que iria operar as máquinas, substituindo o pessoal contratado por policiais aposentados reconvocados ao serviço.

Dois dias de operação foram suficientes para o Comité Organizador Rio-2016 verificar que a empresa contratada pelo governo federal para realizar as revistas de bolsas e mochilas na entrada das instalações olímpicas, a Artel Recursos Humanos, não estava dando conta do recado.Esse quadro fez com que o próprio Comité anunciasse, no último dia 25, que não tinha condição de continuar trabalhando com a empresa contratada pelo governo. A Artel, de Santa Catarina, assinou em Junho um contrato de dois milhões com a Sesge (Secretaria Extraordinária de Segurança de Grandes Eventos) para operar os aparelhos de raio-X nas entradas de instalações da Olimpíada.

A empresa, porém, nunca havia trabalhado na organização de grandes eventos nem tem experiência em segurança. Segundo seu cadastro na Receita Federal, a Artel é uma companhia de pequeno porte. Oficialmente, a companhia iniciou seu trabalho na Rio-2016 no dia 23, um dia após a última varredura de segurança no Parque Olímpico. No mesmo dia, o UOL Esporte verificou que os aparelhos de raio-X não funcionaram no Parque Olímpico. Já no dia seguinte, a fila para revista de jornalistas na entrada dos centros de mídia chegou a 40 minutos.

Ao Ministério da Justiça, responsável pela contratação original, restou cancelar o acordo com a Artel. O problema é que o governo já havia pago 17,5 milhões deste valor à empresa, que, por sua vez, não irá devolver o montante a não ser que a União obtenha uma ordem judicial para tanto - caso haja a acção, o resultado poderá demorar anos.

Como há uma Olimpíada pela frente, o governo contratou emergencialmente, ao custo de 20 milhões, uma equipa de ex-policiais para fazer o trabalho. Na última terça-feira, o ministro da Justiça, Alexandre de Morares, falou sobre o assunto durante a inauguração do CCPI (Centro de Cooperação Policial Internacional das Olimpíadas), no centro do Rio.

"A empresa inicialmente contratada (Artel) incorreu em inadimplemento, ou seja, não entregou o trabalho para que foi contratada. Iremos cobrar os valores devidos de volta. Por ora, contratamos policiais aposentados para operar o raio-x, que darão conta do recado trazendo mais segurança ainda, já que são muito bem treinados para o serviço", afirmou.