Jornal dos Desportos

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Seleces choram por Rabat

Simo Kibondo - 01 de Agosto, 2019

Delegao angolana est reduzida por falta de dinheiro

Fotografia: Jos Cola | Edies Novembro

Choros nas federações nacionais. As lágrimas correm nos rostos sem cessar. Tudo por um motivo: adeus aos Jogos Africanos de Rabat. Sem alternativa, os corredores enchem-se de lamentações a menos de 18 dias para o arranque da competição. O Comité Olímpico Angolano (COA), entidade responsável pela missão angolana, afastou algumas selecções nacionais do evento a realizar-se de 19 a 31 do corrente, em Marrocos, por indisponibilidade financeira.
Do leque das 16 selecções nacionais prevista, apenas 11 podem seguir viagem para Rabat. As sobreviventes não estão a salvo de todo. Há redução de efectivos. Os cortes estão a baralhar as delegações que se preparam desde Março último.
Estão com passaportes sem visto para Rabat as selecções de taekwondó, basquetebol, karaté, remo e tiro desportivo. A primeira não pagou as cotas junto da Federação Internacional da modalidade e as restantes estão excluídas por "os Jogos Africanos de Rabat não serem qualificativos para Jogos Olímpicos de Tóquio'2020".
As selecções com direito a desfilar na cerimónia de abertura em Rabat são as de xadrez, ciclismo, boxe, esgrima, andebol, judo, natação, atletismo, voleibol, vela e ginástica. A delegação de ciclismo vai contar apenas com o vice-presidente desportivo, Justiniano Araújo, na condição de acompanhante, e quatro atletas dos seis previstos. Está também de fora a presidente da Federação, Cremilde Rangel.
O chefe da missão angolana, Auxílio Jacob, está a merecer descontentamento dos dirigentes desportivos por ter elevado a fasquia nos contactos preliminares com as Federações nacionais em Março último. O membro do COA e também presidente da Federação Angolana de Ginástica é acusado de criar "falsas expectativas" aos agentes do desporto.
Durante o período subsequente ao primeiro contacto, Auxílio Jacob praticou "cortes atrás de cortes" nas delegações e terminou com afastamento de algumas selecções nacionais. À entrada da segunda quinzena de Julho, o chefe da missão angolana manifestou-se preocupado com a participação do país. O silêncio do Ministério da Juventude e Desporto sobre a disponibilidade financeira influenciou na decisão de acautelar a missão.
"Infelizmente, aguardamos pela confirmação do Ministério da Juventude e Desportos, entidade responsável pelo desbloqueio dos dinheiros para a missão. Pretendemos sair do país com as equipas formadas nos dias 2 e 3 de Agosto para o estágio em Portugal, mas não comprámos bilhetes de passagem algum", disse na altura Auxílio Jacob.
O principal calcanhar de Aquilles é a aquisição de divisas junto aos bancos comerciais. A quantidade obtida não é suficiente para levar as selecções nacionais inicialmente previstas. "Isso levou a direcção da missão angolana afastar muitas selecções. Não foi possível distribuir o pouco dinheiro a todos. O ditado que diz 'numa casa, onde come um dá para dois' não vincou", segundo uma fonte próxima à entidade.
As federações eleitas para os Jogos Africanos já começaram a receber a partir de 15 de Julho as tranches financeiras do orçamento de 2019. Pela tardia, as selecções de andebol e de ciclismo abortaram os estágios em Portugal. As duas equipas remarcaram a viagem para o palco da competição. Assim, devem embarcar no dia 17 do corrente.
A carência financeira teve impacto até nas negociações com a companhia de bandeira, a TAAG, que devia assegurar a transportação da delegação até Portugal. Auxílio Jacob falhou e o estágio pré-competitivo não deu certo, segundo a mesma fonte.