Jornal dos Desportos

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Modalidades

Seleco Paralmpica chega hoje ao Rio

Melo Clemente - 01 de Setembro, 2016

Atletas angolanos esto confiantes numa boa prestao

Fotografia: AFP

A Selecção Nacional Paralímpica de Atletismo deixa hoje a cidade de São Paulo, Brasil,  local onde cumpria a etapa derradeira do estágio pré-competitivo, rumando para o Rio de Janeiro, palco dos Jogos Paralímpicos, prova a decorrer de 7 a 18 do mês em curso.Depois de ter cumprido um estágio pré-competitivo de aproximadamente dez dias, em São Paulo, o combinado nacional parte esta manhã para o Rio de Janeiro, com os índices motivacionais em alta.

Adaptado ao clima daquele país da América do Sul, a comitiva angolana é recebida hoje no aeroporto do Rio de Janeiro, pelo secretário-geral do Comité Paralímpico Angolano (CPA), António Manuel da Luz, que lidera o grupo de avanço da delegação angolana. A Vila Paralímpica recebe desde ontem, as primeiras delegações que disputam a partir do dia 7 do mês em curso, os Jogos Paralímpicos.

O seleccionador nacional, José Manuel "Zemas", mostrou-se esperançado numa boa prestação do combinado nacional, não colocando de parte a luta pela conquista de medalhas."Apesar de termos no grupo, um atleta de 35 anos de idade, refiro-me ao Octávio dos Santos, os outros três integrantes são jovens. Trabalhamos com os olhos postos no futuro, ou seja, na prespectiva dos Jogos Paralímpicos de 2020, em Tóquio. Ainda assim, vamos para os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro lutar por medalhas", augurou José Manuel, em declarações ao Jornal dos Desportos.

O também coordenador para o atletismo, no Comité Paralímpico Angolano, enalteceu por outro lado, a entrega dos atletas durante o estágio pré-competitivo, quer em Cabo Verde, como em São Paulo."Creio que os estágios que realizamos, quer em São Paulo, quer em Cabo Verde, acabaram por ser benéficos para os atletas, que aproveitaram para melhorar as suas respectivas marcas.  Agora, vamos aguardar pelo início da competição para representarmos condignamente as cores da bandeira do nosso país", augurou o seleccionador nacional, José Manuel "Zemas".

Entretanto, das 23 modalidades que fazem parte dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, Angola está representada só na disciplina de atletismo, através dos atletas José Chamoleia, Octávio dos Santos, Esperança Gicasso e Bifila Buyo, todos da classe T 11 (deficientes visual total).Dos quatro atletas acima referenciados, o destaque recai sem sombras de dúvidas para o jovem José Chamoleia, de 19 anos de idade, atleta que tem dominado as provas de velocidade (100, 200 e 400 metros), quer a nível doméstico, quer a nível do continente africano, é por isso, a principal esperança de Angola nos Jogos.

José Chamoleia, Octávio dos Santos e Esperança Gicasso disputam as provas dos 100, 200 e 400 metros, ao passo que Bilila Buyo compete nas provas dos 400 e 1500. Angola está representar num evento do género, pela sexta vez, consecutiva. A estreia aconteceu em 1996, nos Jogos Paralímpicos de Atlanta,  com um atleta, no caso, o antigo velocista Ângelo Londoca.Seguiram-se as presenças em Sidney, 2000, Atenas, 2004, Beijing, 2008, e Londres, 2012.

Iniciativa
Campanha está em curso
para levar jovens aos Jogos


O Comité Rio 2016 está a apoiar uma campanha mundial de arrecadação de fundos, para ajudar 10.000 jovens brasileiros a acompanharem de perto os Jogos Paralímpicos. Ao lado do Comité Paralímpico Internacional (IPC, da sigla em inglês) e da Fundação Agitos, núcleo de desenvolvimento do IPC, o Rio 2016 garantiu seu total apoio à campanha FillTheSeats (ocupem os assentos, em inglês).

A campanha foi lançada na semana passada, por Greg Nugent, que foi o director de marketing do Comité Organizador dos Jogos Londres 2012, e rapidamente ganhou o apoio de diversos ícones do desporto Paralímpico, como as irmãs americanas Tatyana e Hannah McFadden, do atletismo.A meta inicial da iniciativa era arrecadar 15 mil dólares e viabilizar a ida de 500 jovens aos Jogos, mas devido ao grande sucesso inicial – mais de 20 mil dólares foram doados na primeira semana -, o Rio 2016 e o IPC incentivaram os organizadores a seguirem com a campanha para que mais ingressos fossem comprados para os adolescentes brasileiros.

“A nossa missão é organizar Jogos Paralímpicos excelentes, mas também garantir que todos tenham acesso aos Jogos. Essa iniciativa, certamente, vai-nos ajudar a alcançar este objectivo”, disse o presidente do Comité Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman.Até 10 mil ingressos podem ser comprados através da campanha, ao preço de 30 dólares cada – já incluídas as despesas com transporte e alimentação dos jovens. Os recursos estão  doados ao IPC e à Fundação Agitos. O Transforma, programa social dos Jogos Rio 2016, vai coordenar a campanha no Rio e identificar os jovens da cidade que recebem os ingressos. Uma equipa do programa  organiza o deslocação dos agraciados.

Périplo
Tocha Paralímpica passa por seis cidades


Criada sob o conceito de “Paixão e Transformação”, como a tocha Olímpica, mas com desenho e características próprias, a tocha Paralímpica Rio 2016 também tem um formato peculiar. Entre hoje, quinta-feira, e segunda-feira, vai estar acesa nas cidades de Brasília, Belém, Natal, São Paulo e Joinville, que representam as cinco regiões do Brasil.

Cada chama representa um valor dos Jogos Paralímpicos: Brasília – igualdade; Belém – determinação; Natal – inspiração; São Paulo – transformação, e Joinville – coragem. O valor para o Rio de Janeiro é a paixão.Outra inovação da tocha Paralímpica, é a possibilidade da participação de internautas de todo o mundo, através do Twitter. Basta o usuário postar uma mensagem, em sua conta na rede social, a utilizar a hashtag #ChamaParalímpica e o valor da cidade associada, para que  passe a integrar o mapa de calor, gerado de acordo com o volume de postagens.

 As tochas de cada cidade são acesas, a partir da energia enviada por mensagens.  Ao longo dos sete dias, a tocha passa por mãos de 745 condutores, percorre a distância de 250km.

Brasília: Rede SARAH, ICEP Brasil (Instituto Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência do Brasil), CEE Dev (Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais), CETEFE (Centro de Treinos em Educação Física Especial).

Belém: Pro Paz Sacramenta, Saber (Serviço de Atendimento em Reabilitação), CIIC (Centro Integrado de Inclusão e Cidadania), Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais), NEL Belém (Núcleo de Desporto e Lazer).

Natal: IERC (Instituto de Educação e Reabilitação de Cegos do Rio Grande do Norte), SADEF/RN (Sociedade Amigos dos Deficientes Físicos), Apae, Suvag RN (Sistema Universal Verbotonal de Audição Guberina), CAIC (Centro de Atenção Integrada à Criança) Adopte (Associação de Orientação aos Deficientes), Clínica Pedagógica Professor Heitor Carrilho.

São Paulo: CPB (Centro Paralímpico Brasileiro), onde vai ser aceso, CEU Caminho do Mar, Avenida Paulista, EMEBS (Escolas Municipais de Educação Bilingue para Surdos) Helen Keller, Fundação Dorina Nowill para Cegos, Apae, AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). A celebração vai ser no Parque do Ibirapuera.

Joinville: Zoobotânico, Mirante, Bombeiros Voluntários, Apae, Felej (Fundação de Desportos, Lazer e Eventos de Joinville), Ajidevi (Associação Joinvilense para Integração dos Deficientes Visuais).

Hoje
Vila abre as portas aos atletas


A Vila dos Atletas do Rio 2016 está de braços abertos, para os super atletas que disputam os Jogos Paralímpicos. A partir de quarta-feira  dia 31, as primeiras delegações desportivas começaram a chegar ao local que passam a chamar casa até o dia 18 de Setembro. Ao todo, 2.500 pessoas devem entrar nos apartamentos ao longo do dia.

Representantes das 162 delegações que competem nos Jogos Paralímpicos vão hospedar-se na Vila dos Atletas. Ontem, chegaram as delegações do Brasil, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá e Países Baixos, entre outros.A estrutura de 200 mil metros quadrados, conta com 31 prédios de até 17 andares e um total de 3.064 apartamentos. A expectativa é que cerca de 6 mil pessoas fiquem hospedadas no local, durante os Jogos Paralímpicos. Os apartamentos são completamente acessíveis e permitem a deslocação de atletas em cadeiras sem dificuldades. Há também espaço para receber cães-guias, frequentemente utilizados por deficientes visuais.

O espaço conta com todas as facilidades de que os atletas necessitem, como academia, refeitório e uma policlínica médica. A principal novidade em relação aos Jogos Olímpicos é o Centro de Reparos de Órteses e Próteses, que é operado pela Ottobock, patrocinadora do Comité Paralímpico Internacional (IPC, da sigla em inglês).As primeiras delegações mostram-se satisfeitos com as excelentes condições.

Os donos da festa
Conheça os melhores de cada modalidade (II)


Goalball:
Criado para reabilitação de veteranos de guerra, é disputado por atletas com deficiências visuais, que jogam vendados. No Rio 2016, 10 selecções masculinas e 10 femininas buscam o pódio, em jogos na Arena do Futuro.

Leomon Moreno da Silva (Brasil) – O brasileiro de 22 anos foi o principal destaque da Copa do Mundo de 2014, como o jogador que mais pontuou (51 golos), ajudou o Brasil a bater a Finlândia na final (9- 1). Em Londres 2012, ficou com a prata.
Erkki Miinala (Finlândia) – O finlandês foi essencial na equipa que tirou o ouro do Brasil em Londres 2012 e anotou 24 golos na Copa de 2014. Vai ser um dos adversários fortes dos brasileiros no Rio 2016.   

Halterofilismo: Estão em disputa dez categorias de peso, masculino e dez feminino, no Rio Centro, Pavilhão 2.
Sherif Othman (Egipto) – O mais forte atleta da modalidade, entre todas as categorias de peso, o egípcio de 33 anos levou o ouro em Pequim 2008, e Londres 2012, assim como os Campeonatos Mundial de 2010 e 2014, entre os homens até 56kg. Em 2015, Sherif subiu para 59kg e rapidamente bateu o recorde do britânico Ali Jawad.

Hipismo: Homens e mulheres  enfrentam-se em igualdade de condições no hipismo. No Rio 2016, são 10 provas individuais de adestramento e uma por equipas.

Marcos Fernandes Alves (Brasil) – Conhecido como Joca, é responsável pelas únicas medalhas do Brasil na categoria: duas de bronze em Pequim 2008. Aos 54 anos, o brasileiro também participou de Atenas 2004 e Londres 2012. Treina saltos desde os 10 anos e ficou paraplégico em 1985, num acidente de cavalo.

Judo: Disputado desde Seul 1988. No Rio 2016, judocas com deficiência visual lutam pelo pódio em sete categorias de peso masculino e seis feminino, na Arena Carioca 3.Eduardo Ávila Sánchez (México) – Medalhista de ouro em Pequim 2008 e bronze em Londres 2012, o mexicano também saiu vencedor da categoria até 81 quilos dos Jogos Parapan -Americanos 2015.

Ramona Brussig (Alemanha) – A judoca de 39 anos vai para sua quarta edição dos Jogos Paralímpicos e está determinada em manter o ritmo de medalhas. Em Atenas 2004 e Londres 2012, saiu com ouro, enquanto em Pequim 2008 ficou com prata na categoria até 52kg.

Natação
: São 151 provas que valem medalhas, com disputas masculinas e femininas, que acontece no Estádio Aquático Olímpico
Daniel Dias (Brasil) – Maior campeão Paralímpico do Brasil, com 15 medalhas, incluindo 10 de ouro. Tem índices nas seis provas individuais do Rio 2016 e já recebeu três prémios Laureus, considerado o Óscar dos desportos.

Verónica Almeida (Brasil) – Um ano após ouvir que tinha só mais um ano de vida, diagnosticada com uma doença que limita os movimentos das pernas, a baiana foi a Pequim e voltou com medalha de bronze nos 50m borboleta classe S7.

Remo: A estreia em Jogos Paralímpicos foi em Pequim 2008. Na Lagoa, Rodrigo de Freitas, vai haver uma prova masculina, uma feminina e duas mistas.Erik Horrie (Austrália) – Prata em Londres 2012, o australiano domina a classe AS, como tricampeão mundial. Moran Samuel (Israel) – a remadora demorou cinco anos para chegar ao primeiro título mundial em 2015. Foi indicada para a eleição de atleta do ano (2015).

Rugby em cadeira
de rodas:

 
Entre 14 e 18 de Setembro, na Arena Carioca 1, vão ser os jogos entre as selecções de rugby, introduzidos no programa Paralímpico em Sidney 2000. Curiosidade: As selecções podem mesclar homens e mulheres.Chuck Aoki (Estados Unidos) – Inspirado no filme Murderball, estreou-se na selecção do seu país em 2009 e já tornou-se um dos melhores do mundo. Foi peça -chave para a selecção do seu país conquistar o bronze no Mundial 2014.Ryley Batt (Austrália) – Tido como o melhor jogador de rugby, em cadeira de rodas, do mundo, é líder da selecção, ouro em Londres 2012 (anotou 160 pontos) e campeã mundial em 2014. Mesmo com 27 anos, já participou em três edições dos Jogos Paralímpicos.

Ténis de mesa: Os jogos estão distribuídos por todo o período dos Jogos Paralímpicos, entre 8 a 17 de Setembro, no Pavilhão 3 do Riocentro. São 29 pódios, de torneios individuais e por equipes.

Álvaro Valera (Espanha)
– Atleta mantém-se no topo das principais competições do mundo, Valera foi campeão mundial individual da classe 6 em 2014 e campeão europeu em 2015. Fora dos Jogos Paralímpicos desde Sidney 2000, volta no Rio 2016.

Lin Ma (China) – O chinês é considerado um dos melhores de todos os tempos. Na classe 9, foi campeão mundial em 2014 e campeão asiático em 2015. É o número 1 do mundo nessa classe, e desde que começou no desporto sempre esteve entre os cinco do mundo.

Bruna Alexandre (Brasil) – Com menos de 18 anos, Bruna já competiu em Londres 2012. Agora com 21 anos, a brasileira da classe 10 volta aos Jogos Paralímpicos, no Rio 2016.Entretanto,os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro venham asuperar os recordes obtidos nos jogos de Londres, em 2012.