Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Senhoras deram cartas

14 de Agosto, 2013

A jamaicana Shelly-Anne Fraser-Pryce venceu sem surpresas a prova dos 100 planos nos Mundiais de Moscovo

Fotografia: AFP

A final feminina dos 400 metros foi o ponto alto da jornada de segunda-feira dos Mundiais de Atletismo, com o ouro a ser decidido por menos de um centésimo de segundo a favor da britânica Christine Ohuruogu. Amantle Montsho, do Botsuana, parecia ter a corrida totalmente controlada e cometeu o “pecado” de abrandar um pouco nos últimos metros, ao mesmo tempo que Ohuruogu, uma antiga campeã olímpica e do Mundo, acreditava e fazia a sua melhor corrida de sempre, lançou-se para a vitória na meta, com um recorde nacional de 49,41 segundos.

Foi necessário recorrer ao “photo-finish” para se atribuir uma vitória por milésimos de segundo, não percetível em tempo real e que obrigou as duas quatrocentistas a alguma espera angustiante, na pista, antes da celebração. Ao contrário das duas primeiras jornadas, o terceiro dia dos Mundiais de Moscovo trouxe algumas surpresas, como foi o caso dos 400 metros. Também do salto a vara, em que o favorito francês Renaud Lavillenie teve de se “vergar” à melhor prova do alemão, Raphael Holzdeppe, que já foi campeão do Mundo, mas de juniores.

O gaulês, campeão olímpico, tinha sete dos dez melhores saltos das duas últimas épocas e era a esperança para a França terminar com a “maldição” de nunca ter conseguido o ouro em Campeonatos do Mundo. Ainda não é desta vez que uma das melhores “escolas” de vara ganha em Mundiais. Tanto Lavillenie como Holdzeppe passaram os 5,89 metros - foram os únicos - e falharam a 5,96, com a vitória a sorrir ao germânico por ter menos derrubes no concurso (aliás, limpo até 5,89).

Sem surpresas, a excelente final de 100 metros femininos foi para a jamaicana Shelly-Anne Fraser-Pryce, que, com 10,71, se confirma como a mais rápida de 2013. Carmelita Jeter, dos EUA, campeã do Mundo, ficou-se pelo bronze, atrás da nova “coqueluche” da velocidade, Murielle Ahoure, da Costa do Marfim. A final do lançamento do peso feminino também decorreu de acordo com as previsões: um domínio absoluto e avassalador da neo-zelandesa Valerie Zili Adams, “crónica” vencedora de qualquer prova em que participe.

Segunda-feira, qualquer um dos seus quatro melhores lançamentos dava para o ouro. Ganhou com 20,88 metros, à frente da alemã Christina Schwanitz, com um recorde pessoal de 20,41. No martelo masculino, o polaco Pawel Fajdek surpreendeu e ganhou o ouro, com 81,97 metros, deixando a prata para o húngaro Kristian Pars, que era o grande favorito. O húngaro chegava a Moscovo com campeão olímpico e detentor de cinco das sete melhores marcas do ano, mas hoje não deu mais que para a prata, com 80,30.

Alguma surpresa, também, nos 110 metros barreiras, com o título a permanecer nos EUA, com David Oliver, que sucede a Jason Richardson. Ambos estavam numa pequena lista de candidatos a medalhas, tal como o seu compatriota Aries Merritt, o campeão olímpico.

Rússia soma sétimo título
no campeonato do Mundo 

A russa Elena Lashmanova ficou com a medalha de ouro na marcha de 20 km do Campeonato Mundial de Atletismo e manteve o bom desempenho do país na prova. A atleta garantiu o lugar mais alto no pódio após percorrer o percurso em 1h27,8. Com o resultado, Elena Lashmanova, que é a actual recordista mundial com 1h25,2, fez com que a Rússia vencesse a prova pela sétima vez consecutiva.

Nas últimas três competições, a medalha de ouro foi conquistada por Olga Kaniskina. Além da incrível marca de sete vitórias seguidas, o país obteve ainda uma dobradinha no pódio, já que a russa Anisya Kirdyapkina ficou com o segundo lugar, com o tempo de 1h27,11. A medalha de bronze foi conquistada pela chinesa Hong Lu (1h28,10).

Bolt tem imagem
espectacular na final

Quando Usain Bolt se preparava para disputar a final dos 100 metros do mundial de Atletismo, relâmpagos atingiram o céu de Moscovo e iluminaram o Estádio Olímpico. A prova foi realizada com a pista molhada devido à chuva, o que não atrapalhou o jamaicano. O campeão olímpico venceu a prova com 9,77 segundos e proporcionou belas imagens para os fotógrafos que por lá estavam. A fotografia que ganhou mais destaque foi feita por Olivier Morin, profissional da agência AFP, que captou o momento em que Usain Bolt atravessava a linha de chegada e, ao mesmo tempo, um relâmpago que rasgava o céu moscovita.

A imagem não só faz referência à velocidade do jamaicano, mas também conta com uma coincidência, já que “Bolt” significa “raio” em inglês.
Olivier Morin explicou à agência AFP como fez para tirar a foto. O fotógrafo contou que preparou cinco câmaras controladas à distância para que não perdesse o final da prova. Enquanto isso, alojou-se noutro ponto para fazer fotos manualmente. A fotografia de Usain Bolt com o relâmpago saiu justamente da quinta câmara que o profissional preparou.

“Depois de um momento vi quatro fotos com o raio no céu. Duas delas não estavam aproveitáveis porque a nuvem estava muito escura e o relâmpago difícil de ver. Mas com as outras imagens, graças a um pouco de sorte, o raio é nítido e visível. Consegui ‘a’ foto”, explicou Olivier Morin. O fotógrafo adoptou um discurso humilde e reconheceu que não havia como preparar ou prever uma imagem como aquela. “Imagino que se eu tentar novamente por um resultado similar nos próximos 50 anos, não vai acontecer de novo. Então só me dou crédito por um por cento desta fotografia”, afirmou o fotógrafo da AFP.