Jornal dos Desportos

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Sharapova encerra carreira

29 de Fevereiro, 2020

Atleta russa assume que vai sentir falta do treinamento e da sua rotina diria

Fotografia: DR

As inúmeras lesões e batalhas contra o próprio corpo foram demais para Maria Sharapova. Dona de cinco títulos de Grand Slam e ex-número 1 do mundo, a tenista russa de 32 anos anunciou esta semana, que está a se despedir profissionalmente do desporto que começou a praticar quando tinha apenas quatro.
O anúncio foi feito em uma carta de despedida aos fãs publicada pelas revistas norte-americanas Vogue e Vanity Fair. “Como você deixa para trás a única vida que já conheceu? Como você se afasta das quadras em que treinou desde pequena, o jogo que você ama – um jogo que lhe trouxe lágrimas não contadas e alegrias indizíveis – um desporto em que você encontrou uma família, junto com fãs que se uniram atrás você por mais de 28 anos? Eu sou nova nisso, então por favor me perdoe. Ténis, estou me despedindo”, escreveu a russa.
Desde 2007, quando teve a sua primeira grave lesão no ombro direito (operado duas vezes), Sharapova batalhou com, pelo menos, outras nove lesões entre braço, cotovelo, coxa e tornozelo. Antes das contusões, conquistou o título de Wimbledon, em 2004, e o US Open de 2006. Já convivendo com elas, facturou o Aberto da Austrália, em 2008, e Roland Garros por duas vezes – em 2012 e 2014.
Em 2016 veio o pior momento da carreira da russa, que foi apanhada num exame antidoping realizado no Aberto da Austrália daquele ano com o uso de Meldonium, uma substância que tomava desde 2006, mas que se tornou proibida em 1 de Janeiro daquele ano. Ela acabou suspensa por dois anos, mas recorreu e viu a pena cair para 15 meses. Porém, desde o retorno a russa sofreu com lesões e nunca mais repetiu o ténis de antigamente. Na carta de despedida, Sharapova faz uma espécie de viagem pela própria carreira. Em Sochi, na Rússia, ela deu os primeiros passos no ténis aos quatro anos, inspirada pelo pai. Hoje, com 32, ela expressou gratidão ao desporto e garantiu que sentirá saudades da antiga rotina.
“Ao dar minha vida ao ténis, o ténis me deu uma vida. Sentirei falta todos os dias. Vou sentir falta do treinamento e da minha rotina diária: acordar de madrugada, amarrar o sapato esquerdo à direita e fechar o portão da quadra, antes de acertar minha primeira bola do dia. Vou sentir falta da minha equipa e dos meus treinadores. Vou sentir falta dos momentos sentados com meu pai no banco da quadra de treino. Os apertos de mão – ganhar ou perder – e os atletas, sabendo ou não, que me pressionaram a ser o meu melhor”, disse.
A russa termina a sua carreira profissional no ténis com 36 títulos e somando 21 semanas na liderança do ranking da WTA. Ela ainda conquistou uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. No seu último jogo foi derrotada pela croata Donna Vekic por 2 sets a 0 – com parciais de 6/3 e 6/4 -, em Janeiro, pela primeira ronda do Aberto da Austrália.