Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

So Silvestre corre s com atletas nacionais

PEDRO FUTA - 28 de Dezembro, 2019

Mais uma vez, a São Silvestre de Luanda vai contar apenas com atletas nacionais devido à falta de divisas para os prémios dos potenciais vencedores estrangeiros. A 64ª edição acontece na próxima terça-feira revestida de baixas expectativas. Em declarações ao Jornal dos Desportos, o presidente da Federação Angolana de Atletismo, Bernardo João, disse que os prémios dos atletas nacionais estão garantidos. "Temos já garantido os prémios avaliados em seis milhões de kwanzas para os atletas nacionais e a compra de chips para aos atletas", disse. A organização estipulou para os atletas os prémios de 500 mil, 400 mil e 300 mil kwanzas para os três primeiros classificados. Os mesmos valores são atribuídos aos atletas paralímpicos. Bernardo João desmentiu as informações postas a circular por alguns órgãos que davam conta de que a sua instituição tem apenas quatro milhões de Kwanzas disponíveis. A Federação apenas "perdeu com os bancos " na luta pela aquisição de divisas. "Faltou apenas os 16 mil dólares norte-americanos para o pagamento dos atletas estrangeiros. Nesse momento, nenhum Banco nacional está a disponibilizar divisas. Fizemos de tudo para consegui-las, mas infelizmente não foi possível ", lamentou. Com a desvalorização da moeda angolana, a Federação perdeu vários patrocinadores, segundo Bernardo João. "Antes da implementação do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), a Federação tinha 20 patrocinadores. Com a implementação do imposto, houve a desvalorização da moeda e ficámos apenas com 10 por cento de patrocínios , desabafou.
Com a falta de divisas, a Federação Angolana de Atletismo descartou a responsabilidade das presenças dos atletas do Quénia, Uganda e Congo que já haviam confirmado as presenças. Assim, os seis quenianos, dois ugandeses e dois congoleses podem correr, mas sem a garantia de adquirir as divisas. A mesma situação estende-se aos corredores da zona 5, mormente, Namíbia, África do Sul, Botswana, Tanzânia, Zimbabwe,  São Tomé e Príncipe e Moçambique.
O dirigente  angolano assegurou que a Sport Zone financiou os kits para os corredores, a empresa Cuima disponibilizou a água e a Triunfal Seguros garante o seguro aos atletas.
A última vistoria ao percurso que vai acolher a 64ª edição da São Silvestre de Luanda acontece hoje. A equipa técnica da Federação Angolana de Atletismo e do Governo Provincial de Luanda passam "pente fino" em diferentes ruas da cidade capital. O grupo vai avaliar a qualidade do pavimento, a iluminação pública e os troncos das árvores.
Na última vistoria realizada segunda-feira, o grupo detectou constrangimentos que perigam o bom andamento dos atletas. Havia buracos no pavimento, troncos de árvores salientes e falta de iluminação na Avenida Ho-Chi-Min, resultante do roubo de um cabo de alta tensão numa extensão de mil metros.
O percurso parte do Largo da Mutamba, às 17h00, com passagens pelo Largo Serpa Pinto, Largo da Maianga, Avenidas Revolução de Outubro e Ho-Chi Mim, Largo 1º de Maio, Avenida Alameda Manuel Van- dúnem, Largo do Kinaxixi, Rua da Missão, Avenida 4 de Fevereiro, Largo do Baleizão e chegada ao Estádio dos Coqueiros.
Em 2017, a 62ª edição da São Silvestre de Luanda foi disputada por atletas nacionais. Simão Manuel, do 1º de Agosto, e Adelina Machado, do Interclube, foram os vencedores.