Jornal dos Desportos

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So Silvestre corre hoje em Luanda

Pedro Futa - 31 de Dezembro, 2018

Fotografia: Edies Novembro

Mais de dois mil participantes, entre atletas federados e não-federados, estão inscritos na 63ª edição da São Silvestre de Luanda, prova de atletismo que acontece hoje, a partir das 17h00, em várias artérias da cidade capital do país. Entre os estrangeiros convidados constam os etíopes Beyanesh Ayle e Tesfera Mosisa, o português Artur Rodrigues, os quenianos Edwaed Mbuni, Mokua Nyandusi e Nyabeca Gesare. A maior parte desses convidados começou a escalar Luanda, no sábado, dia 29.
Para essa edição a Federação Angolana de Atletismo (FAA) conta com patrocínios  das empresas Cuima, Total, Banco de Fomento de Angola (BFA) e da Ethiopian Airlines, que disponibilizou os bilhetes de passagens para os atletas estrangeiros.
Ao todo, o comité organizador arrecadou um montante de 35 mil dólares norte-americanos, além de 18 milhões de Kwanzas cedidos pelo Ministério da Juventude e Desportos (Minjud). Bernardo João , presidente da FAA, assegurou que os prémios não são cumulativos. Para esse feito, lembrou que os atletas nacionais são premiados numa classificação até o 10º lugar. O primeiro classificado recebe 500 mil Kwanzas, o segundo 400 mil e o terceiro 300 mil. O décimo classificado é agraciado com 15  mil. Os mesmos valores acima descritos são atribuídos aos atletas da classe paralímpica.
Por outro lado, os veteranos até o oitavo lugar recebem cada 30 mil Kwanzas. Já os estrangeiros gozam de uma prerrogativa: serão premiados com moeda da União Europeia. O primeiro classificado vai ser agraciado com três mil euros, o segundo com dois e o terceiro com mil, respectivamente.
Joaquim Dombaxi, membro da Comissão de Organização, garantiu em conferência de imprensa, no edifício Kilamba, que está tudo a postos para a realização desta 63ª edição da São Silvestre de Luanda. Assegurou que todas as Associações Provinciais enviam para essa corrida um dupla de fundistas cada. Aos populares a organização recomenda que se posicionam à berma da estrada, de acordo com as regras da IAAF, não devendo por isso movimentar-se de um lado para outro no momento da partida dos atletas.
Lembre-se que Manuel Simão e Adelaide Machado foram os vencedores da edição passada desta corrida pedestre de fim de ano.

O PERCURSO

A última vistoria ao percurso desta corrida pedestre de fim de ocorreu ontem. Para efeito, técnicos da Federação Angolana de Atletismo (FAA), Polícia Nacional e do Governo de Luanda procederam ao tapete preto que conferem os dez quilómetros.
O percurso, com início n Largo da Mutamba a partir das 17 horas, abarca ainda os Largos do Serpa Pinto e da Maianga, Avenida Ho Chi Mi, Largo das Heroínas, Largo 1º de Maio, Avenida Alameda Manuel, Largo do Kinaxixi, Rua da Missão, Rua Cirilo da Conceição, Avenida 4 de Fevereiro, Largo do Baleizão e até a meta que é o Estádio dos Coqueiros. A organização do certame garante, ainda, a montagem de sete postos de abastecimento de água para refrescamento dos corredores no Largo da Mutamba, Psiquiatria de Luanda, CDUA, Ho chi Mi (sede do MPLA), Farmácia Kinaxixi, Comando Geral da Polícia Nacional e no interior dos Coqueiros.


PROVA VISTA À LUPA
Do pódio de Louro
ao império etíope

Quando ao cair da tarde de hoje, segunda-feira, dia 31, se dar tiro de largada para a 63ª edição da São Silvestre, a corrida pedestre que percorre várias artérias da capital do país e habitualmente num percurso de 10 quilómetros, Angola pode, mais uma vez, espreitar o pódio da competição. Depois de em 1954, altura em que se abriu as hostilidades da competição, o angolano Isidoro Louro ter assumido a honra de ser o primeiro atleta a subir ao pódio da corrida que também já foi apelida por muitos de Demóstenes de Almeida, eis que a partir de 1979, os etíopes passaram a dominar de forma avassalador.
Isidoro Louro venceu sucessivamente as edições de 1954, 1955 e de 1956, abrindo, assim, o caminho para uma série de nove conquistas seguidas de atletas angolanos.
Logo a seguir, António Esperança triunfou em 1995, 1958, 1959 e 1960, um percurso de glórias que viria ser interrompido pelo também angolano, originário do Namibe, Joaquim Morais, dois anos depois. Nesse sentido, o antigo velocista da cidade da rara Welwitchia Mirábilis assumiu as honras da casa, subindo ao pódio nas edições de 1962 e 1963, respectivamente, já que no ano de 1961 a prova não se realizou.
Um ano depois, ou seja em 1964, o moçambicano António Repinga não deixou os seus créditos por mãos alheias, abrindo, desse modo, um ciclo de vitórias de atletas estrangeiros que se prolongaria por 11 anos. Depois da vitória de António Repinga em 1964, o português Manuel Oliveira subiu ao pódio nos dois anos subsequentes e em 1967 passou o testemunho para o seu compatriota Anacleto Pinto.
Já nos idos anos de 1968 e de 1969 os troféus da São Silvestre de Luanda foram para o sul-africano Franye Vanzyl e em 1970, o atleta Koos Kaizer voltou a fazer as honras para Portugal, pátria de Luís de Camões, que é o expoente máximo da lusofonia.
Em 1971 e 1972 o zimbabweano Bernardo Dzoma acabou por ser o herói da prova, vencendo as respectivas edições da São Silvestre. No ano seguinte, 1973, como que a provar a sua capacidade de “sprint” o sul-africano Franye Vanzyl reassumiu a conquista da prova, não dando margem de espaço aos seus oponentes. 
Em 1974, Upanga Holua volta a dar a alegria para o país. O fundista angolano venceu esta edição, mas um ano depois e numa altura em que a Nação enfrentava, ainda, a ressaca da conquista da sua Independência Nacional, assinalada a 11 de Novembro de 1975, o moçambicano José Muinga viria se tornar vencedor.
Depois seguiram-se dois triunfos em 1976 e 1977 de Serguey Osipov e Vacil Ivanenk, designadamente, ambos atletas originários da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Em 1978 ocorreu mais uma interrupção na corrida.
 
O DOMÍNIO ETÍOPE
    
Já a partir de 1979 começa império dos etíopes, cabendo neste ano a Berhanu Guirma as honras da subida ao lugar mais alto do pódio. O mesmo Berhanu Guirma, que abriria, assim, um ciclo de 20 anos de conquistas para corredores da Etiópia, voltou a triunfar nas edições de 1980, 1981 e de 1982, respectivamente.
Em 1983 subiu ao lugar mais alto do pódio o atleta português José Sena, para depois em 1984 e 1985, Bekele Debele e Hebite Negash voltarem a colocar a Etiópia na galeria dos países vencedores da São Silvestre de Luanda.
Manuel Matias, como que a provar que os portugueses também conseguiam fazer mossa em Angola, sobretudo pelos laços históricos entre os dois países, volta a assumir mais um título para a pátria ibérica em 1986.
Logo a seguir ocorre mais uma época em que os fundistas etíopes assumiram o domínio avassalador da corrida, vencendo as edições de 1987, 1988, 1989, 1990, 1991 e de 1992, sucessivamente, através de Telesa Fentessa, Malesse Faisa, Dube Gillo, Addis Segagy, Hajie Bulbula e Wergi Nogusu. Já nas edições de 1993 e de 1994, Tandai Chimusaca, do Zimbabwe, superou a concorrência.
Amagassafa Araya, outro atleta da Etiópia, volta subir o pódio em 1995, ano em que antecede a brilhante vitória de Aurélio Mitty em 1996, numa altura em que os angolanos já não triunfavam na prova por 22 anos.
Em 1997 a sagacidade dos atletas etíopes volta a imperar. Coube, nesse ano, ao velocista Abraham Asefa as honras do troféu de vencedor. Logo a seguir Abner Chipu volta a colocar os sul-africanos no pódio, depois de um jejum de 25 anos.
João Ntyamba, na época dos mais referenciados fundistas angolanos, arrebatou os troféus das edições de 1999 e 2000 desta corrida pedestre de fim de ano, que se converteu hoje por hoje numa marca do atletismo dentro das nossas fronteiras.
 
ALTERNÂNCIA
DO PÓDIO

 
A partir de 2001 e por um período que se estendeu por 15 anos começou uma alternância no pódio desta montra do atletismo nacional e internacional entre atletas etíopes, quenianos e eritreus, respectivamente. Nesse sentido, Yibeital Adamassu, da Etiópia, conquista edição de 2001, e John Korir, do Quénia, a de 2002. Não obstante este período de bonança para os etíopes, quenianos e eritreus, o angolano José Ndala ainda conseguiu-se intrometer-se pelo meio e vencer, com todo mérito, em 2003.
Em 2004 subiu ao pódio Zersnay Tadesse, da Eritreia, em 2005 Paul Tergat, do Quénia, enquanto em 2006 Tolossa Ambesse voltou a fazer a diferença na senda do domínio que se assume avassalador por parte dos velocistas da Etiópia
Na sequência desta alternância de conquistas, em 2007 o queniano Elijah Nyabuti volta a subir o pódio, abrindo depois o caminho para mais um ciclo de três conquistas consecutivas de fundistas etíopes. Ibrain Jeilan (2008), Ali Mohamed (2009) e Haile Gebrselassie (2010) foram os obreiros deste período de bonança para os etíopes.
Em 2011 o eritreu Zersenay Tadese triunfa na prova e no ano seguinte passa o testemunho para o etíope Atsedu Tesfaye, que com a conquista de 2012 eleva para 20 o número de troféus obtidos por atletas do seu país nesta corrida pedestre.
A demonstrar também que são fortes concorrentes dos etíopes, os atletas quenianos Stanley Blwot, Stephen Kibe e Alex Olitiptip, acabaram por fazer a diferença em 2013, 2014 e 2015, vencendo as edições destes anos. Em 2016, na prova que marcou a 61ª edição desta corrida pedestre de fim de ano, coube a Francisco Caluve as honras da casa. É importante, nesse particular, sublinhar que a referida edição contou apenas com a participação de atletas nacionais. Já em 2017, as honras da conquista da prova couberam mais uma vez a um angolano, no caso Simão Manuel, fundista do 1º de Agosto, ao cronometrar 31 minutos e 29 segundos.
Sérgio V. Dias


HISTORIAL
DOS VENCEDORES


ANO  NOME            PAIS
1954 Isidoro Louro    Angola
1955 Isidoro Louro    Angola
1956 Isidoro Louro    Angola
1957 A. Esperança    Angola
1958 A. Esperança    Angola
1959 A. Esperança    Angola
1960 A. Esperança    Angola
1962 J. Morais          Angola
1963 J. Morais          Angola
1964 A. Repinga       Moçambique
1965 M. Oliveira        Portugal
1966 M. Oliveira        Portugal
1967 A. Pinto           Portugal
1968 F. Vanzyl         África do Sul
1969 F. Vanzyl África do Sul
1970 Koos Kaizer Portugal
1971 B. Dzoma Zimbabwe
1972 B. Dzoma Zimbabwe
1973 F. Vanzyl África do Sul
1974 U. Holua Angola
1975 J. Muinga Moçambique
1976 S. Osipov URSS
1977 V. Ivanenk URSS
1979 B. Guirma Etiópia
1980 B. Guirma Etiópia
1981 B. Guirma Etiópia
1982 B. Guirma Etiópia
1983 José Sena Portugal
1984 B. Debele Etiópia
1985 H. Negash Etiópia
1986 M. Matias Portugal
1987 T. Fentessa Etiópia
1988 M. Faisa Etiópia
1989 Dube Gillo Etiópia
1990 A. Segagy Etiópia
1991 H. Bulbula Etiópia
1992 W. Nogusu Etiópia
1993 Chimusaca Zimbabwe
1994 Chimusaca Zimbabwe
1995 A.Araya Etiópia
1996 Aurélio Mitty Angola
1997 A. Asefa Etiópia
1998 Abner Chipu África dos Sul
1999 J. Ntyamba Angola
2000 J. Ntyamba Angola
2001 Adamassu Etiópia
2002 John Korir Quénia
2003 José Ndala Angola
2004 Z. Tadesse Eritreia
2005 Paul Tergat Quénia
2006 T. Ambesse Etiópia
2007 Elijah Nyabut Quénia
2008 Ibrain Jeilan Etiópia
2009 Ali Mohamed Etiópia
2010 Gebrselassie Etiópia
2011 Z. Tadese Eritreia
2012 A. Tesfaye Etiópia
2013 S. Blwot Quénia
2014 Stephen Kibe Quénia
2015 Alex Olitiptip Quénia
2016 F. Caluve Angola
2017 S. Manuel Angola