Jornal dos Desportos

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Só um milagre salva Schumacher

09 de Março, 2014

Membro da equipa Ferrari está em coma depois de sofrer uma queda aparatosa nos Alpes franceses onde se divertia com o filho Mick

Fotografia: AFP

Os médicos responsáveis pelo tratamento de Michael Schumacher estão pessimistas quanto à recuperação do ex-piloto alemão, de acordo com o jornal inglês “The Telegraph”. O diário publicou ontem que os especialistas acreditam que “apenas um milagre” pode salvar o heptacampeão mundial de Fórmula 1, internado há mais de dois meses em coma em consequência de um traumatismo craniano grave.

O diário publica o depoimento dado por um jornalista alemão que trabalha na cobertura do caso, segundo o qual a família Schumacher já foi informada de que “apenas um milagre” pode trazer o ex-piloto de volta. Outro jornalista revelou que os especialistas “foram directos: milagres às vezes acontecem, mas há pouca esperança de que algo ocorra neste caso”.

Michael Schumacher está em coma desde os últimos dias de 2013, quando sofreu um acidente enquanto esquiava nos Alpes franceses: após uma queda, bateu violentamente com a cabeça contra uma rocha, com tão forte o impacto que o capacete se partiu. Foi-lhe então induzido o coma para reduzir a actividade cerebral e permitir que a massa encefálica desinchasse. Desde então, o ex-piloto já foi submetido a duas intervenções cirúrgicas.

Após um mês de internamento, os médicos deram início ao processo de despertar, ao reduzir a administração dos medicamentos que induzem o coma.

A porta-voz do alemão informou na sexta-feira que, desde então, “a situação não foi alterada” e alertou que “qualquer informação não confirmada pela equipa de médicos ou pela equipa de Michael Schumacher deve ser considerada inválida”.Michael Schumacher nasceu a 3 de Janeiro de 1969 em Hurth-Hermulheim, na Alemanha. Tem 1,74m de altura, pesa 88 quilos e é casado com Corinna Schumacher, com quem tem dois fihos: Gina Maria e Mick.

GRANDES CONQUISTAS
Quando se fala em recordes na Fórmula 1, um nome vem à cabeça: Michael Schumacher. O alemão conquistou sete títulos na F1 (1994, 1995 - Benetton, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 - Ferrari), à frente do argentino Juan Manuel Fangio (5), do francês Alain Prost e do alemão Sebastian Vettel (4). Durante a carreira, participou em 307 Grandes Prémios, que resultaram em 68 pole positions, 68 abandonos, 91 vitórias, 155 pódios e 1566 pontos. A estreia ocorreu em 1991.

Schumacher é o piloto com o maior número de vitórias na F1 (91) e o que mais venceu numa única época ao lado de Vettel (13, em 2004). O alemão também é o que somou mais pontos na história da categoria (1.566) e o que foi campeão com mais antecedência (em 2002, após 11 das 17 corridas previstas).

Outra marca liderada por Schumacher diz respeito ao número de poles: 68, contra 65 do brasileiro Ayrton Senna, falecido em 1994. Sobre a sua relação com o tricampeão, um facto curioso aconteceu em 2000. Depois de vencer o GP de Monza e superar as 41 vitórias de Senna, Schumacher chorou copiosamente ao conseguir o feito. “Isto significa muito para mim. Desculpem-me...”, disse na altura.


NA FERRARI
Massa admite infelicidade


O piloto brasileiro Felipe Massa explicou a troca da Ferrari pela Williams esta época, que abre no próximo dia 16 com o Grande Prémio da Austrália, no circuito de Melbourne. O vice-campeão de 2008 classifica-se de “mais feliz, com menos pressão e a recomeçar a carreira mais relaxado, mais motivado”. Na Williams, Felipe Massa disse que se sente mais livre para trabalhar. 

“Sinto-me confortável, gostei do carro. Foi um óptimo trabalho que fizemos, uma vez que tudo o que falava, tentaram resolver. Vimos uma melhoria e isso deixou-me muito feliz, saber que tudo que eu dizia, fazíamos e melhorávamos”, salientou Massa em entrevista ao site oficial da Fórmula 1.O piloto fechou a sessão de testes em Jerez de la Frontera com o segundo melhor tempo dos quatro dias, atrás apenas de Kevin Magnussen, da McLaren.

No Bahrein, Massa ficou com o melhor tempo dos oito dias, mostrando a força do motor Mercedes. No final da sessão, confirmou a fórmula do sucesso.

“Se calhar, quanto mais feliz se está, melhor se trabalha. Provavelmente, quando não me sentia tão feliz, os resultados não surgiam, fosse por que motivo fosse. Tenho a certeza de que tem alguma coisa a ver com isso”, disse.

A escolha pela Williams também foi simples para Massa, que já esperava, antes mesmo do fim da última época, que os motores Mercedes estivessem em vantagem. Por isso, deu preferência à equipa: pelo motor, estrutura, respeito e pressão.

“A pressão é, definitivamente, menor. O piloto sente sempre a pressão, especialmente quando está numa posição competitiva. Mas, o modo como sente a pressão é diferente. A Ferrari é a equipa mais famosa da F1, portanto, a pressão é maior. Sinto-me mais descontraído na Williams, sinto o respeito das pessoas na equipa. Estou feliz”, completou o “novo” Felipe Massa.


A PARTIR DE 2014

América do Sul
vai ter Fórmula 4


O automobilismo sul-americano ganha em 2014 uma nova categoria: a Fórmula 4 Sudam. A iniciativa é da F4 Motorsports (Aruana SA), uma empresa uruguaia criada para promover a competição, e conta com as chancelas da FIA e da Codasur.

A F4 surge como uma alternativa à Fórmula 3 Sul-Americana, que sofria com o esvaziamento da grelha em relação a pilotos de países como a Argentina e o Uruguai – dos 18 carros que competiram em 2013, apenas três não foram conduzidos por brasileiros, sendo que nenhum deles (dois argentinos e um norte-americano) competiu a época completa. O campeonato tem como principal objectivo contar com pilotos de todo o continente para recuperar a antiga Fórmula 3 Sul-Americana, que se transformou em Fórmula 3 Brasil. O empresário Ricardo Tedeschi, um dos representantes da F4, comemorou o acordo.

“Todos os anos o karting brasileiro forma excelentes pilotos, mas que muitas vezes não têm oportunidade de fazer a transição para os monolugares, seja por falta de recursos financeiros ou impossibilidade de transferência para outro continente. A criação da F4 Sudam vem de encontro a essa necessidade”, disse Tedeschi.

O empresário assegurar que querem transformar a F4 “numa verdadeira escola para jovens de 15 e 16 anos”, e prometeu fornecer “instrução técnica, de pilotagem, orientação sobre o uso da telemetria, entre outras ferramentas”. O objectivo é preparar os pilotos para voos mais altos no futuro, segundo Ricardo Tedeschi.

A ideia é oferecer carros de baixo custo a todos os pilotos, com chassis da francesa Signatech em fibra de carbono, mudanças Sadev SL66 sequencial e motores Fiat de 150 cavalos, além de volante idêntico ao utilizado pelos carros da GP3. Assim, uma época completa da F4 Sudam deve custar 80 mil dólares (cerca de oito milhões de kwanzas).

“O pacote técnico e os custos são imbatíveis no que se refere às categorias semelhantes no mundo. Os pilotos precisavam de uma opção com um valor próximo ao investimento de uma época de kart, que proporcionasse projecção e experiência, mas sem necessidade de abandonar os compromissos com a escola ou mudança para outros países ainda muito jovens”, disse Luigi Di Nizo, outro representante da categoria.

“A categoria está a oferecer testes com valores bem atractivos para os pilotos na pista sede, em El Pinar (Uruguai). Nos próximos dias, quem quiser experimentar o carro vai pagar mil dólares (cem mil kwanzas) por aproximadamente 40 voltas. Isso é muito baixo, tendo em conta os valores praticados actualmente pelas categorias do automobilismo mundial”, concluiu.