Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Soweto promete processar dirigentes

Helder Jeremias - 03 de Fevereiro, 2020

O ex- campeão provincial de motocross de Luanda, Carlos Soweto, prometeu levar à justiça qualquer membro associado que levantar falsas alegações, que digam respeito a transparência da sua gestão enquanto presidente da Associação Provincial, cujo mandato foi interrompido no princípio do ano passado, com a entrada em funções de uma Comissão de Gestão.
Em declarações ao Jornal dos Desportos, o antigo piloto dos 250cc mostrou-se agastado pelo facto de terem circulado informações em determinados círculos, dando conta de que a sua gestão ficou marcada pela falta de transparência nas questões técnicas e administrativas, quando, segundo afirma, foi graças ao seu empenho e dedicação, que a instituição consegui se reorganizar para gerir vários problemas que colocavam em causa a própria sobrevivência da modalidade.Entre os problemas mais candentes, Carlos Soweto sublinha o facto do espaço onde se localiza o circuito Jorge Varela estar a ser cobiçado por personalidades de grande influência na sociedade, com o objectivo de lá erguerem um projecto urbanístico de grande vulto, sem uma contrapartida que se reflicta no benefício da associação e os seus veteranos.
Carlos Soweto socorre-se de um vasto acervo documental, para comprovar que sempre cumpriu com os cânones da gestão, quer dos recursos financeiros quer dos aspectos técnicos, com aprovação colegial de todos os actos dos corpos gestores, pelo que \"tudo está disponível para qualquer consulta, em caso de dúvidas que possam, eventualmente persistir\".
A actual Comissão de Gestão, frisou o dirigente desportivo, \"não tem legitimidade\" para continuar a se manter nas rédeas do motocrosse, uma vez que não foi empossada pelo Ministério da Juventude e Desportos após a sua criação, algo que, desde logo, lhe retira toda autoridade para continuar a gerir os meios da associação e \"divulgar informações com base em meras especulações, pois, em termos legais, eu ainda sou o presidente legítimo, já que não houve um processo que revogasse o mandato do nosso elenco \". 
\"O meu afastamento da associação foi por livre iniciativa, em virtude de conflitos de interesse que existe no seio de determinados segmentos da organização. Desta forma, gostaria de dizer que são falsas as alegações de que eu tenha sido afastado pelos associados, devido a problemas de má gestão. Que fique bem claro: qualquer pessoa que procurar manchar o meu bom nome com falsas acusações será alvo de um processo jurídico, porque ninguém tem o direito de causar danos a reputação que eu construí com esforço e dedicação, quer como atleta, quer como dirigente\", advertiu Carlos Soweto.
O antigo craque da categoria rainha é de opinião, que \"a poupa suja deve ser lavada em casa\", ou seja os problemas têm que ser resolvidos com sapiência, na medida em que os nossos detractores procuram criar desunião no nosso meio para levar adiante os seus projectos, \"tais como retirar o circuito da nossa posse sem um acordo com respaldo, em benefício do motocrosse e seus associados\".
Questionado sobre o seu vínculo com a Escola de Motocrosse de Viana, dirigida pelo empresário Carlos Moreira, cuja meta é o lançamento da primeira edição do Campeonato Regional de Calumbo, nas proximidades do Zango -5, Soweto foi peremptório em afirmar que \"estou pronto para ajudar qualquer iniciativa que tem como fim a massificação do motocrosse.
Por isso não vejo como não abraçar um projecto, que poderá ajudar o nosso desporto a se desenvolver cada vez mais. Fui eu que dei o voto de confiança para que o Carlos Moreira fosse o coordenador da comissão de gestão, da qual se afastou por discordar de algumas práticas. Hoje que ele me convidou, para lhe apoiar na implementação do seu novo projecto, não tem como negar\", revelou Carlos Soweto.

REACÇÃO
Talaia exige reparação  do seu prestígio

O ex-vice presidente da Associação Provincial de Motocrosse de Luanda, Roberto Talaia, negou de forma categórica as acusações, segundo as quais os recursos financeiros do órgão reitor da modalidade na capital são depositados na sua conta pessoal.
Com um semblante carregado, Roberto Talaia comprovou que os meios financeiros alocados para fins de competição e outros apoios, são depositados na conta oficial da associação, tal como os regulamentos orientam, pelo que houve uma má interpretação por parte do então coordenador da comissão de gestão, Carlos Moreira, cuja demissão do cargo teve como pretexto "a gestão dos dinheiros por mãos alheias".
Considerado um dos principais esteios do motocrosse nacional, Roberto Talaia continua a emprestar a sua experiência às gerações mais novas, de maneira que pede que o seu "bom nome deve ser salvaguardado", sob pena de accionar mecanismos legais, para que a verdade seja reposta de forma pragmática.
"Nunca fui secretário-geral e não é verdade, que o dinheiro da associação tem sido depositado numa conta com o meu nome. Estou profundamente chateado com este tipo de acusações, que podem lesar o meu nome e da minha família. Sempre me pautei por uma conduta digna, por isso, quem quiser me prejudicar estará sujeito a ser processado judicialmente", advertiu Roberto Talaia.
Indigitado para coordenar a Comissão de Gestão, Carlos Moreira organizou a jornada inaugural da época transacta do Provincial, coadjuvado por Osvaldo Gouveia. No entanto, Moreira defendia que os valores para a realização do GP de Caconda, na Huíla, deveriam ser depositados numa contra da referida comissão, tendo colocado o seu lugar a disposição, o qual foi ocupado por Osvaldo Gouveia.