Jornal dos Desportos

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TAS julga Casos do Rio'2016

03 de Março, 2016

Vários atletas russos foram apanhados em testes anti-doping em Londres'2012

Fotografia: AFP

Contrariamente às edições anteriores, o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS, sigla em inglês) vai julgar em primeira instância os casos de atletas envolvidos no doping, em detrimento do Comité Olímpico Internacional (COI). A intenção é reforçar a independência da luta anti-doping nos Jogos Olímpicos do Rio'2016.

O porta-voz do COI, Mark Adams, disse que "esta medida tem como objectivo proteger os atletas limpos e a nova divisão anti-doping do TAS vai substituir a comissão anti-doping do COI".A novidade faz parte do pacote de reformas da Agenda'2020, iniciado em 2014 pelo presidente do COI, Thomas Bach, para dar mais transparência à entidade. Em comunicado oficial enviado à imprensa, Bach celebrou a mudança.

"A decisão representa o apoio à política do COI de tolerância zero na luta contra o doping e na protecção dos atletas limpos. Anti-doping independentes cumprem a decisão do Conselho Executivo do COI tomada há três meses, após a proposta da Cúpula Olímpica", escreveu. Os casos de doping nos Jogos Olímpicos costumavam ser julgados por uma comissão de disciplina do COI, que organizava as audiências dos atletas apanhados e decidia das sanções, inclusive possíveis retiradas de medalhas.

Com a nova medida, aprovada na terça-feira pela Comissão Executiva do COI, os casos vão ser levados a um pequeno grupo de juízes do TAS que se vai reunir no local dos Jogos.Os atletas podem recorrer das punições perante outra divisão do TAS, que também vai estar no Rio de Janeiro e vai ser formada por outros juízes.

Normalmente, o Tribunal Arbitral do Desporto é a instituição de maior jurisdição do desporto mundial, actua apenas na sua sede em Lausanne, na Suíça, e é accionado em última instância para recorrer das decisões.Ainda segundo o comunicado oficial do COI, a WADA (Agência Anti-doping Mundial, na sigla em inglês) vai ficar responsável por testar os atletas fora do período de competição para tornar os exames mais efectivos.

COI
“Ainda sem evidências de corrupção”


A investigação sobre a compra de votos nas escolhas das cidades -sedes dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, e 2020 em Tóquio, não tem nenhuma evidência para merecer o apoio do Comité Olímpico Internacional (COI).Em nota oficial, o COI disse ter pedido às autoridades francesas para fazerem parte das investigações sobre a corrupção no atletismo, o que podia  espalhar-se para a escolha das cidades - sedes dos Jogos Olímpicos.

Em declarações publicadas pela agência "AP", o porta-voz do COI afirmou que não há nada que a entidade possa fazer por ora, pois nenhuma evidência foi apresentada. "É muito fácil falar sobre a questão, mas ninguém tem nenhuma evidência. Não há nada que possa ser feito por nós. Nesse momento, não há nenhuma atitude", disse.

Mark Adams ressaltou as estruturas competentes e o funcionamento da instituição: "Temos estruturas. Temos uma Comissão Independente de Ética. Mas até agora não há nenhuma evidência. Quando chegarem as provas, vamos agir sobre elas", assegurou.O Comité Rio'2016 afirmou que venceu a disputa para sediar os Jogos Olímpicos, porque tinha o melhor projecto entre os concorrentes. A entidade descartou qualquer possibilidade de fraude na disputa de 2009, contra Madrid, Tóquio e Chicago.

"O Rio de Janeiro ganhou o direito de sediar os Jogos, porque tinha o melhor projecto. A diferença de votos no final, 66 - 32 (contra Madrid), exclui qualquer possibilidade de uma eleição que pudesse estar viciada", disse à Reuters por telefone o director de Comunicação do Comité Rio 2016, Mário Andrade.

ESTADOS UNIDOS
Vendedor de liamba disputa vaga para o Rio


A história vem dos Estados Unidos da América. Na perspectiva de encontrar uma vaga para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro'2016, um norte-americano de 28 anos decidiu participar numa maratona em 2013. Com a inscrição feita, tudo corria bem. Durante a preparação, contraiu uma lesão que fez com que as corridas fossem substituídas pelo comércio de liamba. O vendedor profissional de maconha para fins medicinais disputou as classificativas em situação caótica e terminou o percurso completo em último lugar.

A corrida aconteceu em Los Angeles e teve 105 homens inscritos. Barnicle terminou na 105ª posição com o tempo de 3h45min34, ou seja, 20 minutos depois da última mulher cruzar a linha de chegada. O comerciante não alimentava esperanças de conseguir algo melhor que isso, mas o passado como corredor e uma lenda na família motivaram-no a terminar a prova.

Antes de se lesionar seriamente na panturrilha direita, treinou com o italiano Renato Canova, renomado técnico de maratonistas. O seu melhor tempo na meia -maratona foi 1h02min43 e  ainda fez os 5.000m em 13min36s02.Em declarações à Runner's World, Barnicle contou: "Perto do Natal do ano passado, pensei: eu estou classificado para a prova, vivo em Los Angeles e só preciso renovar a minha associação à Federação de Atletismo. Vai ser muito divertido".

Apesar de ainda sofrer com a lesão na panturrilha, treinou com um grupo durante algumas semanas para a maratona. A maior motivação foi uma lenda familiar. Os seus parentes contavam que uma avó tinha disputado a classificação para os Jogos Olímpicos na década de 1930, mas nunca encontrou nenhum registo.

"Então pensei: quero que alguém da minha família possa dizer que já estivemos a lutar por uma vaga olímpica. Então aqui estou", justificou Barnicle.Além desse "presente" para a família, o vendedor de maconha ganhou na maratona muitas cãimbras, dores nas pernas e uma respiração mais do que ofegante, segundo a Runner's World. E também o privilégio de dizer que correu uma maratona que valia vaga para o Rio'2016.

PROVA DE 100 METROS
Justin Gatlin bate recorde


Um vídeo de Justin Gatlin feito em 2011 tem “viralizado” na internet. Na imagem, o norte-americano bate o recorde mundial dos 100m, que pertence a Usain Bolt. A marca só foi alcançada porque Gatlin contou com uma enorme ajuda de cinco ventiladores de alta potência para anotar 9s45, 0s13 mais rápido que a marca de Bolt.

A tentativa não passou de uma brincadeira de um canal de televisão japonês. Justin Gatlin continua a tentar superar Bolt. No Mundial de 2015, o norte-americano terminou em segundo lugar nas provas de 100m e 200m, enquanto o jamaicano ficou com a vitória em ambos. Os dois agora vão encontrar-se nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.