Jornal dos Desportos

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Tcnico moambicano assume luta pelo passe

11 de Novembro, 2019

Fotografia: MELO CLEMENTE | EDIES NOVEMBRO

Com apenas 37 anos de idade, o novo seleccionador moçambicano, Leonel Manhique, que substituiu o técnico espanhol, Julian Ernandes, está fortemente apostado em conquistar um dos passes de acesso ao Torneio Pré-Olímpico de Fevereiro de 2020, prova que terá como palco a cidade espanhola de Tenerife.  Desde o dia 31 de Outubro último que assumiu os destinos da Selecção sénior feminina de Moçambique, o jovem treinador trabalha de forma árdua de forma a alcançar o tão esperado passe, cuja luta terá  lugar de 14 a 17 do mês em curso, no velhinho Pavilhão do Maxaquene.
Com uma base constituída pelas jogadoras que conquistaram o quarto lugar no Afrobasket, prova disputada em Dakar, capital senegalesa, o técnico do país anfitrião vai aproveitar o factor casa, para tentar a qualificação ao Torneio Pré-Olímpico.
O facto de conhecer a maior parte das jogadoras, com quem trabalhou, fundamentalmente, a nível dos escalões de formação, constitui um triunfo para o jovem treinador, que pretende fazer história com o seu país.  A três dias do arranque da competição, a Selecção de Moçambique faz nesta altura os últimos acertos, a fim de estar em grande durante o Torneio de Pré-qualificação zona africana.
Em entrevista ao Jornal dos Desportos, Leonel Manhique, que tem como adjunta a antiga internacional moçambicana, Deolinda Nguléla, assegurou que as meninas estão preparadas para encarar da melhor maneira o Torneio.
“Estamos praticamente a setenta e cinco por cento da nossa preparação. Acredito que, até ao dia do arranque da competição, estaremos em pleno para disputar de forma tranquila a prova de extrema importância para todas as selecções. Felizmente, a preparação tem corrido bem. Dia após dia, estamos a corrigir alguns erros, potenciar as jogadoras para que possam aparecer altamente competitivas. O nosso grande objectivo passa pela conquista de um dos passes de acesso ao Torneio Pré-Olímpio”, asseverou Leonel Manhique.
Apesar de estar inserido no Grupo A, juntamente com a Nigéria, actual campeã africana, Leonel Manhique considera que as três selecções estão em condições de assegurar a qualificação.
“Acredito que todas as selecções vão entrar para esta competição em igualdade de circunstâncias. Portanto, os rankings não jogam e é com este pensamento que vamos entrar para a competição, reconhecendo, como é evidente, o potencial das demais selecções”, disse.
As moçambicanas realizaram até aqui cinco jogos de controlo, que serviram para aferir o potencial das jogadoras que estão altamente moralizaras, já que vão puder contar com o apoio incondicional do público.
“Fizemos até aqui cinco jogos de controlo, que no meu entender são suficientes. Aproveitámos os jogos de controlo para corrigir algumas debilidades. Acredito que, nesta fase, restam poucas coisas para se fazer”, disse.
Leonel Manhique enalteceu o apoio recebido dos membros da federação e apelou o público a marcar presença no pavilhão do Maxaquene para apoiar a Selecção.
“Felizmente, temos contado com o apoio da federação. Espero que o nosso público compareça em massa, para nos apoiar durante a competição”, finalizou o jovem treinador.

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Competição passa despercebida

A sensivelmente três dias do arranque do Torneio de Pré-qualificação zona africana, o desconhecimento é total no seio dos moçambicanos residentes em Maputo, cidade que alberga a competição. A falta de painéis publicitários nas principais artérias da cidade de Maputo, que ontem festejou os 132 anos de existência, aliado à fraca divulgação nos meios de comunicação social local, tem contribuído para o desconhecimento do público.
Aliás, até a preparação da Selecção de Moçambique, quarta classificada no Afrobasket, prova disputada em Dakar, Senegal, não tem sido acompanhada de forma milimétrica pela comunicação social local. Daí, a razão do desconhecimento da população, que prefere debater nos bares as últimas eleições realizadas recentemente.
Ontem, com os maputenses a festejarem os 132 anos de existência da cidade, a reportagem do Jornal dos Desportos saiu à rua para medir a pulsação, relativamente ao Torneio de Pré-qualificação.
Joana Domingos, funcionária pública, foi  a nossa primeira entrevistada e mostrou-se surpreendida.
“Sinceramente, não sabia que a cidade de Maputo vai acolher esta semana um torneio de basquetebol. Depois das eleições, as pessoas estavam focalizadas nos festejos dos 132 anos da nossa cidade”, disse.
O mesmo discurso foi apresentado por João Carlos Alberto, estudante universitário.
“É novidade para mim. O desporto em Moçambique tem baixado muito por falta de apoios, razão pela qual as pessoas estão a dissociar-se do fenómeno desporto”, justificou o jovem universitário. Maria Fernanda, professora de educação física, acredita que a faltarem dois dias a comunicação social fará o barulho necessário para mobilizar o público.
“Gostamos de deixar tudo para o último dia. Tenho a certeza, que quando faltarem dois dias para o início da prova, a nossa comunicação social vai começar a fazer apelos ao público a fim de marcarem presença no pavilhão do Maxaquene”.                                 

REVELAÇÂO
Maxaquene
recebe obras de restauro


O velhinho Pavilhão do Maxaquene, recinto que vai acolher as partidas dos grupos A e B do Torneio de Pré-qualificação zona africana, vai beneficiar de obras de restauro. O facto foi revelado ontem ao Jornal dos Desportos pelo presidente da Federação de Basquetebol de Moçambique, Francisco Mabjaia.
“Os jogos do torneio de pré-qualificação vão decorrer todos no Pavilhão do Maxaquene. Portanto, o Comité Organizador vai realizar obras de beneficiação, para que todos os intervenientes, directo e  indirecto, possam sentir-se bem nas mais variadas zonas do recinto”, frisou.
Francisco Mabjaia assegurou, por outro lado, que as obras não serão muito profundas, dado que restam poucos dias para o arranque da competição.
“Infelizmente, durante o final de semana, não conseguimos mexer, porque o recinto foi alugado por uma igreja, razão pela qual, só a partir de segunda-feira (hoje) é que vamos começar a mexê-la”, assegurou Francisco Mabjaia, cuja liderança é fortemente contestada.
Os hotéis, onde as delegações estrangeiras vão hospedar-se, estão todos identificados.
“As unidades hoteleiras para as selecções participantes, assim como para os membros da Fiba-Afrique, estão já identificados e esperam pela chegada dos hóspedes”.                                     

EM PARALELO
Fiba promove
acção formativa

A Fiba-Afrique, organismo que tutela a modalidade no continente, vai promover uma acção de refrescamento à margem do Torneio de Pré-qualificação zona africana, prova a decorrer de 14 a 17 do mês em curso. A acção formativa será dirigida aos delegados das várias comissões da Fiba-Afrique para a renovação das respectivas carteiras, segundo apurou o Jornal dos Desportos, junto de uma fonte próxima do Comité Organizador.
O angolano António Celestino Sofrimento Manuel, ou simplesmente, Tony Sofrimento, será um dos formandos. O assessor para as relações internacionais do presidente de direcção da Federação Angolana de Basquetebol, que renunciou ao cargo recentemente, deve desembarcar nas próximas horas em Maputo.