Jornal dos Desportos

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Teorias "lunáticas" longe de Hamilton

03 de Maio, 2016

Lewis Hamilton está com problemas mecânicos desde a penúltima corrida

Fotografia: AFP

A vida de Lewis Hamilton, na presente época, está difícil. O tricampeão mundial atravessa momentos desagradáveis e especula-se a teoria da conspiração, dentro da Mercedes.

O piloto inglês sofreu problemas recorrentes no motor, nas últimas duas corridas. Enquanto vivia dificuldades, o companheiro de equipa, Nico Rosberg, aproveitou para vencer na China e na Rússia. Agora, o alemão construiu uma vantagem de 47 pontos na liderança do campeonato, após quatro etapas realizadas.

Lewis Hamilton não teve bons resultados nas duas primeiras etapas, devido a embates nas primeiras curvas na Austrália, e no Bahrein. Na classificação das etapas seguintes, perdeu pontos importantes após a sua unidade de potência apresentar problemas idênticos. A Mercedes trocou o motor do carro do inglês. Do outro lado da garagem, Rosberg ficou tranquilo em conquistar a pole position em ambas as provas.

Para aumentar a especulação da teoria da conspiração, Lewis Hamilton foi instruído a diminuir o ritmo, devido a um vazamento de água, quando transitou da décima posição para a segunda, no Grande Prémio da Rússia.

Para o chefe da Mercedes, Toto Wolff, é impensável imaginar que a equipa possa estar a  prejudicar o seu próprio piloto, cujo contrato vale até o final de 2018.
"Primeiro, não é de propósito. A equipa tem sofrido duras críticas nos medias sociais, com teorias da conspiração. A minha resposta é que nem quero saber quem é esse bando de lunáticos que acha que podemos prejudicar um nosso piloto, que foi duas vezes campeão connosco", atacou.

Toto Wolff ressaltou que a relação entre as partes continuam imaculadas: "Lewis não nos decepcionou e não o decepcionaríamos".
Wolff lembrou que na Rússia, Nico Rosberg também teve problemas.

"É um desporto mecânico e as avarias acontecem. Na verdade, Nico teve um problema no MGU-K e chegamos a pensar que não ia terminar a corrida. Estamos a trabalhar no limite do carro e do motor, para ter um carro competitivo. Por isso, vencemos as provas. Se se forçam os limites, às vezes, pode passar deles", justificou.

O chefe da Mercedes realçou que "é muito difícil levar à sério pessoas que estão deitadas na cama com o laptop ao colo a mandar mensagens a criticar-nos".
"Não estamos a levar isso a sério. Fico a imaginar o que passa pela cabeça dessas pessoas. Só estou a falar sobre isso, porque quero proteger esses homens", afirmou e referiu-se aos membros da equipa.

Para evitar um estrago ainda maior e ao menos garantir a presença de Lewis Hamilton no top-10 da grelha inicial, a Mercedes teve de mexer-se rápido. A equipa bicampeã do mundo precisou de correr contra o tempo para enviar imediatamente a Sochi novos componentes, para equipar o motor de Lewis Hamilton, sem que isso causasse uma punição com perda de lugares na grelha.

Para isso, a Mercedes accionou os seus funcionários na fábrica de Brixworth, na Inglaterra, distante cerca de 3.860 quilómetros da cidade russa e elaborou um complexo sistema de logística para garantir as peças montadas no carro de Hamilton antes da largada.

Toto Wolff revelou, passo a passo, o trabalho da equipa alemã para garantir Hamilton na corrida. O primeiro foi deixar as novas peças prontas para envio directo de Brixworth.
“Foi um grande esforço de muitas pessoas da equipa”, afirmou o dirigente austríaco.

O segundo passo consistiu em garantir o transporte das peças para Sochi. Para isso, Wolff contou com a ajuda de Niki Lauda, que além de presidente não -executivo da Mercedes, é empresário do sistema de aviação.

“Niki tentou organizar o avião e tínhamos várias opções. Tivemos de escolher qual ia descolar mais cedo”, contou o chefe da Mercedes.
O próximo problema a resolver era a aterragem no Aeroporto Internacional de Adler-Sóchi. “Alguém da nossa equipa e uma assistente que calhou de ser russa, resolveu a questão do aeroporto”, disse.

Em seguida, era preciso assegurar que as autoridades russas ajudassem para que as peças chegassem com rapidez do aeroporto ao circuito de Sochi, localizado no Parque Olímpico. Para isso, Wolff pediu a intervenção de Bernie Ecclestone. O chefe supremo da F1 atendeu ao apelo da Mercedes e resolveu o problema. Apenas 90 segundos depois que o avião aterrava em Sochi, com a caixa  que continha as peças já estava a caminho do circuito.

EQUIPA INGLESA
Combustível trama
monolugar de Alonso


A McLaren teve no Grande Prémio da Rússia a sua melhor performance na época'2016. Fernando Alonso, depois de ter largado em 14º lugar, cruzou a linha de chegada em sexto, e somou os seus primeiros pontos no ano. Jenson Button, depois de ter superado Carlos Sainz Jr. no fim da corrida, finalizou em décimo lugar. Na visão de Éric Boullier, o resultado em Sochi podia ter sido ainda melhor.

O engenheiro francês e director de corridas da McLaren revelou que o motor Honda consome muito combustível, muito mais que as outras fornecedoras da grelha, de modo que para terminar as corridas com gasolina no tanque, é preciso aliviar o pedal do acelerador. E na Rússia, o tempo perdido pela McLaren foi avaliado em 50s, o que permitia a Alonso lutar com a Williams do finlandês Valtteri Bottas.

Bottas, que terminou em quarto, finalizou com 52s829 de vantagem sobre Alonso. Boullier destacou a evolução da McLaren, mas disse que é preciso corrigir a deficiência para alcançar voos ainda mais altos, em 2016.

“Por motivos óbvios, somos a equipa que tem de economizar muito combustível. No fim da corrida podemos ver que Fernando era mais que 1s2, mais rápido por volta”, explicou o dirigente.

Boullier considerou que "sem ter de economizar combustível, a equipa devia ter 50s a menos no fim da corrida". Se analisar, estava "ali com a Williams". É esse tipo de avanço que a McLaren-Honda precisa de ter.

O director da McLaren lembrou que "o ritmo foi bom e os pilotos ficaram contentes com o equilíbrio do carro. Fernando divertiu-se”.
Boullier ficou mais satisfeito com a competitividade do MP4-31, sobretudo, em ritmo de corrida.

“Perder o Q3 por 0s1 foi um golpe, mas foi uma boa surpresa, a corrida. O nosso ritmo foi melhor que o esperado”, disse.
No Grande Prémio de Espanha, a equipa de engenheiros da Mclaren tem a missão de apresentar um carro com boa confiabilidade.