Jornal dos Desportos

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Terminou ontem o zonal africano

Gaud?ncio Hamelay, no Lubango - 01 de Maio, 2017

Competição contou com a participação de três países que compõem a zona

Fotografia: Jornal dos Desportos! Edições Novembro

Fraca adesão de países participantes no Campeonato Africano de Boxe da Zona IV, obrigou a organização a encerrar ontem, inicialmente previsto para hoje,  na cidade do Lubango,  província da Huíla, o evento que movimentou 34 pugilistas, em ambos os sexos, de Angola (anfitriã), África do Sul e Zimbabwe.

Depois da disputa do segundo dia de combates, a competição que inicialmente devia decorrer de 28 de Abril a 1 do corrente mês, foi antecipado o termo para ontem à noite, no Pavilhão Multiusos  Nossa Senhora do Monte.
 
A ausência dos países integrantes da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), sobretudo Botswana, Lesoto, Madagáscar, Malawi, Namíbia, Suazilândia, Tanzânia, Ilhas Seychelles, Moçambique e Maurícias, que confirmaram a participação e não compareceram, constitui o ponto negativo do africano da Zona IV.

 O supervisor da Associação Internacional de Boxe (AIBA), Luiz Bosselli, justificou que a maioria dos países não participaram no evento por dificuldades financeiras , para além das dificuldades que encontraram  na obtenção de visto de entrada para Angola. Um outro motivo, deveu-se a antecipação do Campeonato Africano que acontece este mês de Maio, na República do Congo Brazzaville, que serve de apuramento para o mundial da modalidade.

Luiz Bosselli realçou que as condições técnicas e administrativas postas à disposição da organização, foram excelentes, todavia, lamentou a ausência desses países.

 “O grau de organização preparado foi bom, que proporcionaram aos visitantes. Mas a ausência de outros países foi a parte triste do evento. Era a expectativa de todos, termos no Lubango, mais pugilistas de várias países. Mas tal situação não aconteceu porque lamentavelmente existe alguns aspectos que fogem ao nosso controlo, assim como também da Federação, Associação, do governo e todos outros envolvidos no processo de organização”, indicou.

Lembrou que os países efectuaram as  inscrições, mas o problema depois foi cumprir com isso. “Então, nós criamos uma expectativa. Criamos uma organização muito boa e forte à espera que eles cumprissem com aquilo que foi determinado, com o registo das inscrições e simplesmente as selecções não aparecem. Então, dão um grau de decepção e tristeza, porque é lamentável a organização aguardar por uma quantidade boa de países”, salientou Luiz Bosseli.

Ontem, no encerramento disputaram--se os combates em feminino na categoria os 54 kg, que opôs a pugilista zimbabueana Mililisa Matanhire com  a atleta sul-africana Bongiwe Colani. Nos 75 kg Carroline Dube (Zimbabwe) lutou com a angolana Glória de Deus). No sector masculino Trade Nkomozabo (Zimbabwe) defrontou o atleta angolano Miguel Kembo, na categoria dos 49 kg.  Nos 52 kg Wiseman Tshuma (Zimbabwe) entrou em acção com Siyabulela Mphongoshe (África do Sul). Casper Mnkandla (Zimbabwe) pelejou com Manuel André (Angola) nos 56 kg. 

Para os 60 kg, Zibusiso Nyoni (Zimbabwe) lutou com Francisco Gomes (Angola). O combate dos 64 kg, envolveu o atleta Brendon Denes (Zimbabwe) contra Asanda Gingqi (África do Sul). Reeman Mabvongwi (Zimbabwe) defrontou o angolano Raimundo Vidal na categoria dos 75 kg. Nos 81 Kg Clever Sithole (Zimbabwe) lutou com Menayami Mbimbi (Angola). Os angolanos Naftal Goma e Pamelo Nsioma combateram entre si na categoria dos 69 kg. Para a categoria dos 91 kg, Carlos Massia (Angola) lutou com o seu companheiro Tumba Silva, nos 91 kg.

DOMÍNIO
Sul-africanos dominam segundo dia de prova


Os pugilistas sul-africanos dominaram o segundo dia de competições, em ambos os sexos, realizados no sábado à noite, no Pavilhão Multiusos  Nossa Senhora do Monte, no Lubango.

 Os sul-africanos entram muito bem no ringue. Como resultado disso, ganharam no cômputo geral, por 4-2, a selecção de Angola. Deste modo, em feminino Nadina Mbaki (Angola) perdeu por decisão unânime com a sul-africana Nomusa Ngema. Noutro combate, a angolana Suzana Estêvão  entrou bem no combate até aos últimos minutos com vantagem, acabou por  perder diante da atleta sul-africana, Sibongile Tyokolo, por decisão dividida na categoria dos 69 kg.

Suzana Estêvão, justificou que a sua derrota deveu-se à chegada tardia no Lubango, e o factor clima totalmente diferente do de Luanda. “Também tivemos pouco tempo de treino. No tocante às adversárias, só tive o clima como meu adversário. De resto não tem nada contra as adversárias”, disse. Prometeu trabalhar para os próximos combates e compromissos. “Não vou parar por aqui. Este campeonato só me deu ambições de treinar muito, para chegar mais distante. O objectivo é chegar aos jogos africanos e posteriormente, ir ao mundial de boxe”, garantiu. 

 Em masculino o sul-africano Bongani Noncele, triunfou por abandono do angolano Evanilson Rocha, nos 52kg. Na categoria dos 60 kg Francisco Gomes (Angola perdeu diante do sul-africano Asanda Gingqi, por decisão unânime. Pamelo Nsioma (Angola) venceu o sul-africano Shervantaigh Koopman, por decisão dividida na categoria dos 69 kg. Hmenayami Mbimbi (Angola) perdeu frente a Luvuyo Sizani (África do Sul) na categoria dos 81kg por decisão dividida. Enquanto nos 91kg Tumba Silva ganhou por unânime o seu compatriota Ferdinando Pedro. 

DESEMPENHO
Angolanas continuam
sem triunfar

A Selecção Nacional de boxe em sénior feminino continua sem conquistar nenhuma vitória no Campeonato Africano de boxe, que decorreu até ontem, no Lubango. Ontem, antes da disputa do último dia da prova do sector feminino, o combinado nacional   somou apenas derrotas diante das pugilistas sul-africanas. Enrique Carrión, técnico principal da Selecção Nacional de boxe, sénior masculino, explicou que em feminino as atletas são todas novas,  nenhuma delas possui 10 combate.

 “Esta, é a primeira competição internacional que fazem. E, não estava previsto competir neste zonal, mas como veio só a África do Sul, com o sector feminino, e não tinham com quem competir, então decidiu-se chamar as atletas angolana de Luanda para o Lubango para combater. Como podem ver durante os combates, as nossas atletas demonstraram ao que esteve ao seu alcance”, justificou.

Argumentou que os atletas acusaram cansaço apesar de demonstraram auto-confiança no ringue durante os combates, factor que permitiu que perdessemos por 4-2, favoráveis aos sul-africanos, no cômputo geral. “Em feminino perdemos todos os combates. Mas em masculino estamos em vantagem. No primeiro dia ganhamos três e hoje ,sábado, ganhamos dois, que totalizam cinco pontos. E, eles 1. Estamos em vantagem de 5-3. Pareceu-me ter havido  confiança da jornada inaugural. Muitos subiram no ringue auto-confiantes”, referiu.

Por exemplo na categoria dos 52kg, na primeira derrota do dia que Angola obteve em masculino, competiu um atleta de apenas 17 anos, Evanilson Rocha, na categoria dos 52 kg, em estado febril. Reconheceu, que nos demais combates, os atletas acusaram o cansaço e afirmou que o principal foi terem cumprido o objectivo de participar. “Viemos e combatemos com a África do Sul, uma potência no boxe a nível da zona IV, e o resultado foi favorável a Angola, em masculino”, assegurou.
Gaudêncio Hamelay , Lubango