Jornal dos Desportos

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Thomas Bach elogia organizao

03 de Agosto, 2016

Presidente do Comit Olmpico Internacional est satisfeito com a organizao dos jogos

Fotografia: AFP

O presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, reconheceu nesta segunda-feira, a dois dias da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2016, que a preparação do evento no Rio de Janeiro foi "um desafio". No seu discurso, o dirigente também comentou a grave actual situação política e económica, citando um "país dividido".

"Foi uma viagem longa e desgastante para chegar aonde chegamos", declarou o dirigente na abertura da 129ª edição da reunião com os membros do COI, no Rio. “É emocionante estar aqui, a poucos dias da cerimónia de abertura dos primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul”, completou.

"Não é exagerado dizer que os brasileiros atravessaram momentos complicados. A crise política e económica do país é sem precedentes", ressaltou.
"Obviamente, essa situação gerou um desafio nos preparativos finais dos Jogos", enfatizou.

"Em um momento que o país está dividido politicamente, economicamente e socialmente, a transformação do Rio de Janeiro é realmente histórica. O Rio não estaria onde está hoje sem as Olimpíadas como um catalisador", completou.

"A história falará de um Rio de Janeiro antes dos Jogos Olímpicos e um Rio de Janeiro melhor depois dos Jogos Olímpicos", destacou Bach em seu discurso, no qual elogiou os dirigentes desportivos locais e as autoridades lideradas pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, presente na plateia.

"O seu compromisso e a sua energia sem limite fizeram a diferença. A sua visão foi sempre de que os Jogos Olímpicos eram um catalisador e que poderiam transformar a cidade. Hoje a sua visão pode se tornar realidade.

Obrigado prefeito por sua dedicação e ser um parceiro confiável", comentou.

COI corre contra o tempo

O COI e os organizadores dos Jogos Olímpicos disputam uma verdadeira corrida contra o tempo, a três dias da cerimónia de abertura do evento, na sexta-feira. É quase um ultimato. As dúvidas sobre a participação dos atletas russos precisam ser respondidas rapidamente, antes da abertura dos Jogos.

O ministro russo dos Desportos, Vitaly Mutko, afirmou segunda-feira que esperava uma resposta definitiva até terça-feira(ontem). "Espero que hoje ou amanhã todas as formalidades que permitam a nossa equipa disputar os Jogos sejam concluídas".

A decisão final pertence a uma comissão formada por três membros nomeados pelo Comité Olímpico Internacional (COI). O trio foi encarregado de analisar -e eventualmente vetar uma lista com os nomes dos atletas russos autorizados a competir pelas diversas federações internacionais de cada desporto. Os membros da comissão não poderão 'repescar' os atletas que já foram afastados por doping ou suspeita de doping.

Uma dificuldade extra: alguns atletas rejeitados de antemão optaram por recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), que no domingo ouviu as queixas de Vladimir Morozov e Nikita Lobintsev, dois dos sete nadadores russos afastados.

Nesta segunda-feira, a federação russa de levantamento de peso seguiu o mesmo caminho, apelando ao TAS contra a exclusão dos oito atletas do país que competiriam no Rio. O tempo é curto, apesar do escândalo de doping no desporto russo ter surgido há quase nove meses, em Novembro de 2015, após a descoberta de um sistema de trapaça organizada no atletismo.

Thomas Bach, presidente do COI, rejeitou no domingo qualquer responsabilidade em relação à lentidão do processo, colocando a culpa na demora para a publicação do relatório McLaren (18 de Julho), que desvendou o esquema de doping de Estado na Rússia.

Nesta segunda-feira, a Wada se defendeu das críticas, garantindo ter agido assim que recebeu "provas corroboradas", mas admitiu que "entende que o 'timing' (18 de Julho) da publicação do relatório McLaren foi desestabilizante para diversas entidades".

O tempo é curto também para a organização dos Jogos. Os atletas do mundo todo desembarcam no Rio num momento em que a Vila Olímpica não aparenta estar 100% pronta.
No dia da sua inauguração, em 24 de Julho, problemas de acabamento atingiam metade dos 31 edifícios, obrigando a contratação de cerca de 630 encanadores para acabar com vazamentos recorrentes.

"Quando cheguei no aeroporto (quinta-feira), decidi ir directo à Vila, sem sequer tomar banho ou fazer a barba antes", explicou Thomas Bach. "No local, conversando com atletas e chefes de delegação, senti que a impressão era positiva. As últimas obras foram realizadas nas últimas 24 horas e a Vila está agora fantástica".

Primeiros a chegar, os australianos foram obrigados a deixar a Vila momentaneamente. Na volta, seu edifício foi atingido por um pequeno incêndio, rapidamente controlado pelos bombeiros.

Em resumo, a organização ficou sem margem para erro, inclusive no acabamento de alguns locais que sediarão provas. No Parque Olímpico, são dados os últimos retoques de pintura e os últimos equipamentos estão sendo entregues.

A principal dúvida continua a ser a situação do Velódromo, entregue ao COI somente em final de Junho, impossibilitando a realização de um evento-teste antes do início das competições, previsto para 11 de Agosto.

ÍDOLO
Pelé sonha levar
tocha olímpica


O sonho de acender a tocha olímpica na Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos, a realizar na sexta-feira, ainda perpassa o imaginário do Rei do Futebol. Numa entrevista ao jornal francês Le Parisien, Pelé deixou claro a sua intenção em ser o último membro do revezamento do símbolo olímpico, além de se comparar ao jamaicano Usain Bolt.

"Seria uma honra. Quando o Brasil foi escolhido como sede, recebi a chama. Na abertura dos Jogos de Atlanta, eu conheci Muhammad Ali, que acendeu a pira. Essa é uma das minhas maiores lembranças. No meu país, seria uma grande possibilidade mas você sabe, eu não estou a pedir nada”, afirmou Pelé.O craque também lamentou por nunca ter participado da maior competição desportiva do mundo.