Jornal dos Desportos

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Tiger Woods volta a rugir

25 de Abril, 2019

Depois de mais de uma dcada de resultados medocres Tiger Woods volta surpreendentemente a recuperar a sua forma competitiva

Fotografia: Dr

É tido quase de forma unânime como a maior lenda da história do golfe mundial, mas viu o brilho empalidecer na última década, por entre escândalos pessoais e lesões crónicas. No último domingo, porém, deu uma demonstração cabal de que os dias de glória ainda não estão definitivamente esfumados.
É oficial: o Tigre voltou a rugir. Depois de mais de uma década de resultados medíocres, polvilhados com lesões e dores crónicas e escândalos pessoais, Tiger Woods conquistou um major - e não qualquer major: a maior lenda da história do golfe mundial triunfou no Masters Augusta, o principal torneio do calendário anual.
É o regresso à ribalta do golfista que mais tempo passou na liderança do ranking mundial (de Agosto de 1999 a Setembro de 2004 e de Junho de 2005 a Outubro de 2010, num total de 545 semanas). Ainda há dois anos, Tiger Woods estava fora do top-500 e ponderava seriamente colocar um ponto final na carreira, numa altura em que lidava com uma adição de comprimidos motivada por dores crónicas nas costas e numa perna.
Chegou a ser detido na Florida por conduzir sob o efeito de substâncias, com o vídeo desse momento a tornar-se viral nas redes sociais - onde era possível ver uma sombra do homem que uma década antes estava no topo do mundo: um Tiger Woods a cambalear, completamente desorientado e quase sem se conseguir aguentar em pé.
Poucas semanas antes desse triste episódio, o golfista, então com 43 anos, havia emitido um comunicado onde confessava estar a receber tratamento profissional e a tomar comprimidos para superar dores horríveis nas costas e insónias. Logo depois, seria operado pela quarta vez às costas no espaço de cinco anos, admitindo que o fim da carreira podia estar para breve.

Mais de 120 traições


A era de glória de Tiger Woods começou em 1997, apenas um ano depois de ter começado a jogar no circuito profissional. Eldrick Tont Woods - Tiger por desígnio do pai, que atribuíra essa alcunha a um amigo que com ele havia servido na guerra do Vietname - tinha 21 anos e conquistou, em Abril desse ano, o seu primeiro major: precisamente o Masters de Augusta, tornando-se o mais jovem de sempre a consegui-lo.
Dois meses depois, chegava ao topo do ranking mundial - a mais rápida ascensão de sempre. As vitórias foram-se seguindo a um ritmo alucinante e em 2000, com 24 anos, Tiger Woods passava a ser o mais jovem de sempre a vencer um Grand Slam (todos os quatro maiores torneios do circuito). Tudo lhe corria sobre rodas e ninguém lhe conseguia antever dias difíceis - mesmo com a morte do pai em Maio de 2006, que o levou a tirar algum tempo para si durante um par de meses.
Os triunfos continuaram a surgir até 2008, quando apareceu a primeira operação ao joelho. Viria, ainda assim, a ganhar o US Open, mas teria de ser novamente operado logo depois. Começava aí o declínio desportivo, mas acima de tudo pessoal.
A um acidente de carro, ocorrido após uma grave discussão com a mulher e mãe dos seus filhos, a modelo sueca Elin Nordegren, o primeiro desportista bilionário da história viu rebentar um escândalo em torno da sua vida pessoal, com várias mulheres a garantirem à comunicação social terem tido casos com o golfista.
Na sequência dessas revelações, Tiger Woods anunciou uma pausa na carreira, admitindo entretanto ser viciado em sexo e ter tido casos com mais de 120 mulheres enquanto era casado com Elin. Uma confissão que lhe custou qualquer coisa como 50 milhões de dólares em patrocínios e também a relação com a esquiadora Lindsey Vonn.

A queda e o regresso triunfal

Os anos que se seguiram viram um Tigre a rugir cada vez menos. Tiger Woods foi participando nalguns torneios, com poucas vitórias e muitas paragens por lesão pelo meio, fosse nas costas (só de 2012 a 2017 foram quatro as cirurgias), nos pulsos ou nas pernas. Houve, no circuito profissional, quem antevisse o final da carreira. \"Até pode voltar e fazer uns jogos, mas com a quantidade de problemas que tem tido.... vai ser duro\", dizia, por exemplo, Jack Nicklaus, o recordista de títulos em majors (18).
A verdade é que Tiger desafiou as previsões e voltou a competir. Ou melhor: voltou a vencer. Depois de um segundo e um sexto lugares em torneios na primeira metade de 2018, terminou em segundo no PGA Championship, o último dos majors do ano - foi o seu melhor resultado em nove anos -, com a última volta a ser a sua melhor de sempre num dos torneios principais.