Jornal dos Desportos

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Tour de Frana comea a pedalar hoje

01 de Julho, 2017

Chris Froome pedala para o quarto ttulo

Fotografia: AFP

As inspirações das canções populares ganham hoje lugar no coração dos europeus. Os fãs espalhados pela Europa começam a viver nova história, quando se ouvir o tiro de largada para a 104ª edição do Tour de France na cidade de Dusseldorf, na Alemanha. Mais de 200 ciclistas, de 22 equipas, disputam a mais antiga e famosa prova do circuito mundial da União Ciclista Internacional.

Com início na Alemanha, o Tour de France passa pela Bélgica e Luxemburgo, antes de entrar em França. Ao todo são 21 etapas que perfazem um total de 3200 quilómetros. A chegada a Paris está marcada para 23 de Julho, na conhecida Avenida Champs -Elysées, um dos pontos turísticos da cidade.

Para Chris Froome, vencedor de 2016 e 2015, o dia de hoje começa com uma interrogação.  Sem nenhuma vitória expressiva na época, o britânico enfrenta críticas devido a sua forma. Colecciona um período sem vitórias. Os treinadores e o ciclista projectaram o Tour de France como a oportunidade para se recuperar. Embora a fase não seja boa, fala publicamente em conquistar o seu tetracampeonato. A tarefa não é fácil. O campeão em título vê o australiano Richie Porte como o principal favorito.

\"Vencer o Tour de France é o meu maior desafio. Certamente, não questiono a minha preparação. Fiz todo o possível para estar tudo pronto para Julho. Trabalhei duro, e fiz todos os treinos. Tudo correu na direcção certa. O meu peso está certo, onde precisa estar. Outras pessoas aumentaram o nível, o Richie é um deles. Tem a época da sua vida até agora, e foi o mais forte no Dauphine. Posso colocá-lo como favorito\", disse o bicampeão.

Chris Froome reconhece que trava uma grande rivalidade com Porte, mas enalteceu o bom desempenho do adversário. \"Mostrou ser o ciclista mais forte do pelotão, neste momento\", disse. Quinto classificado no ano passado, Richie Porte surge como forte candidato a levar o Tour, em 2017. O australiano parecia quase imbatível aos seus concorrentes, até o final do Criterium de Dauphiné,  França, ocorrida no início deste mês, mas perdeu a liderança na última etapa para Jacob Fuglsang.

Durante a conferência de imprensa, Chris Froome garantiu estar \"mais focado do que nunca\", quando respondia a questões incómodas. Um jornalista perguntou-lhe se tinha \"perdido a fome\" depois de três vitórias e insinuou que treinou menos na praia de Tenerife, Espanha.

\"Adorava ir à praia, mas quem te disse, está mal informado. A fome continua igual. Tenho muita disputa pela frente. Um quarto título é o que quero. Vai ser fabuloso\", respondeu Froome. O Tour de France é uma competição anual de ciclismo de estrada, realizada em França. A corrida foi organizada pela primeira vez em 1903, para aumentar as vendas do Jornal L\'Auto. Actualmente, a competição é gerida pela Amaury Sport.

À medida que o Tour de France ganha destaque e popularidade, alongou-se o percurso e a competição conta com ciclistas de todo o mundo. É um evento da UCI World Tour, o que significa que as equipas participantes são na sua maioria, UCI Pro Team. Tradicionalmente, a corrida é realizada no mês de Julho.

Enquanto a rota muda de edição para edição, o formato permanece  com provas de contra -relógio, passagens através de cadeias de montanhas dos Pirenéus e dos Alpes. A final acontece na Avenida de Champs -Elysées em Paris. Todas as etapas são cronometradas. Após o término de cada etapa, o tempo de cada ciclista é somado aos tempos das etapas anteriores. O ciclista com menor tempo total é o vencedor da corrida, ganha o cobiçado maillot jaune.

PERCURSO
As subidas mais difíceis


Marcado para hoje em Dusseldorf, na Alemanha, o Tour de France 2017 traz uma novidade em relação às suas edições anteriores: o percurso conta com 23 subidas, cinco a menos que o Tour de 2016. Apesar de menor quantidade, a dificuldade continua acentuada. Numa avaliação de rotas, constatou-se 10 subidas mais difíceis da competição.

Col de Peyresourde e Peyragudes: Parte importante do final da 12ª etapa do Tour, ambos os picos dos montes Pireneus, vêm em sequência no percurso. O primeiro, Peyresourde, é longo e uniforme, enquanto o segundo, Peyragudes, é curto e íngreme. Com pouca sombra, Peyresourde vai ser ainda mais difícil se o clima estiver quente.

Croix de Fer: Na 17ª etapa do Tour, o trecho da “Cruz de Ferro” diferencia-se de outras montanhas alpinas, pela falta de uniformidade. Com duas descidas ao meio do caminho, que vão permitir um descanso de ciclistas, a montanha ainda conta com uma altitude de mais de 2.000 metros.

Port de Balès: Também na 12ª etapa, a montanha da cordilheira Pirenéus tinha, até 2006, um acesso não pavimentado. Apesar da melhoria, o ambiente de Port de Balès continua nada acolhedor, com uma elevação de 1.755 metros. Mur de Péguerè: “Mur” é uma palavra francesa para “muralha”. Logo, dá para saber que o percurso será bem íngreme. O caminho dos ciclistas torna-se difícil nos últimos 3,5 quilómetros, quando a inclinação da subida fica mais acentuada. Essa parte do percurso está na 13ª etapa do Tour.

La Planche des Belles Filles: Localizada no nordeste de França e parte da quinta etapa do Tour, a subida é curta (6 km) mas ainda assim, bastante íngreme. Fez parte de  duas Voltas de França antes de 2017: em 2012, vencida por Chris Froome, e em 2014, vencida por Vicenzo Nibali.

Col de la Biche e Croix de Famban: Estreante dentro do percurso do Tour de France, a passagem entre os picos alpinos tem 10,5 km de comprimento, e está na nona etapa. A primeira metade do caminho é a mais difícil, e ao chegar no topo do pico, os competidores são premiados com uma bela visão dos Alpes.

Grand Colombier: Ainda na nona etapa, os ciclistas encontram as rotas para quatro montanhas na Grand Colombier. Na edição deste ano do Tour, só precisam de superar uma. É a mais difícil de todas. Por pelo menos, 3 dos 8,5 km da passagem, a inclinação é uma das mais acentuadas de toda a competição.

Col du Galibier: O Galibier presente na 17ª etapa, é nada mais do que a maior subida de todo o Tour de France 2017. Com quase 18 km, mais de 2.500 metros de elevação, é o ícone da competição desde a primeira utilização, em 1910. A passagem reserva até um prémio especial em dinheiro para o ciclista que chegar no seu topo, em primeiro lugar. Mont du Chat: Se o Colombier é o mais alto, o Mont du Chat é o mais íngreme pico do Tour. Parte da nona etapa, o percurso apareceu uma vez na competição, em 1974, e promete cansar os ciclistas ao longo dos seus desgastantes 8,7 quilómetros.

Col d’Izoard: Nos últimos anos, o Tour sempre escolhe uma subida marcante para a última semana da corrida, com o objectivo de tornar a passagem decisiva como momento estratégico para as equipas. Em 2017, os 14 quilómetros do Col d’Izoard fazem esse papel.
A primeira parte do pico não é tão ruim, apenas ameaçada por um cume rochoso, logo acima da pista; o problema está na segunda metade, que tem uma das mais íngremes e selvagens subidas da cordilheira dos Alpes.

TESTE POSITIVO PARA EPO
UCI suspende português


A União Ciclista Internacional (UCI) anunciou que o ciclista André Cardoso, da equipa Trek-Segafredo, foi suspenso provisoriamente por uso de EPO (eritropoietina), e perde o Tour de France. O atleta português foi apanhado com a substância proibida no organismo, durante uma amostra colectada no dia 18 deste mês, num teste fora de competição.

Cardoso, de 32 anos, pode pedir que a amostra seja reanalisada, mas a suspensão provisória tira -o do Tour de France. Podia disputar a principal competição do mundo, pela equipa Trek-Segafredo, que tem como estrela o espanhol Alberto Contador. O espanhol Haimar Zubeldia ocupa o lugar de Cardoso no Tour de France, de acordo com a equipa, em comunicado.

“Temos algumas novidades decepcionantes para compartilhar com a família do ciclismo. É com profundo desapontamento, que acabamos de saber que o nosso atleta André Cardoso testou positivo, para uma substância proibida. Diante da nossa política de tolerância zero, foi suspenso imediatamente”, esclareceu a Trek-Segafredo.

ZUBELDIA FAZ HISTÓRIA

O escalador espanhol Haimar Zubeldia, de 40 anos de idade, entrou à última hora na disputa do Tour de France,  compete pela sexta vez consecutiva no Tour com competidores quarentões. A série iniciou em 2012, com Jens Voigt e Chris Horner, a primeira vez que a prova contou com dois quarentões na mesma edição.

De recordar que em 2012, Zubeldia era companheiro de equipa de Voigt e Horner, e terminou o Tour de France em 6º lugar na classificação geral, aos 35 anos. Zubeldia é veterano no Tour de France. Disputou pela primeira vez na edição de 2001. Desde então, só não competiu na prova de 2010. Foi Top 10 em cinco edições, mas nunca venceu uma etapa. No ano passado, ficou em 16º.

HISTÓRIA
Na galeria dos campeões do Tour, Giuseppe Cerami é o mais velho vencedor entre os quarentões.

DEZ ANOS APÓS 1º TÍTULO
Contador regressa com “boas pernas”

Aos 34 anos, o espanhol Alberto Contador, da equipa Trek-Segafredo, comemora os dez anos do seu primeiro título no Tour de France, de volta ao pelotão. Campeão da prova em 2007, 2009 e 2010, este último título foi retirado por causa de doping, o ciclista mostra-se optimista com a competição deste ano.

“Estou a sentir-me bem e melhor do que no ano passado, e em anos anteriores. O perfil da corrida vai ser bom para mim”, disse à imprensa espanhola. Contador disse que em 2016, quando terminou a Dauphine, sentiu-se \"muito cansado\", mas nesta época está \"diferente\". \"Sinto as pernas melhores”, disse.

A sua preparação, para a 104ª edição do Tour de France, foi diferente das anteriores. “Fizemos tudo com mais calma e a intensidade veio só no final. As sensações e os números são bons”, afirmou. Nessa época, Contador foi vice na Vuelta a Andalucía, no Paris -Nice e no Volta da Catalunha, mas nem pensa em segundo lugar em França.

“Estou pronto para vencer. Se sair a pensar no segundo lugar, ou no pódio, não tinha motivação. Para mim, o Tour é a corrida mais importante do mundo, a primeira. O meu objectivo é a vitória”, disse. “Gosto de competir e de vencer, quando todos querem vencer. É a melhor motivação. Quero vencer sempre. Há muitos anos venci o Tour, pela última vez, mas não quero ganhar por este motivo. Quero ganhar porque é a corrida mais difícil que existe”, continuou.

Contador, único ciclista espanhol a vencer o Grand Tour, as três grandes corridas do ciclismo (Giro D’Itália, Tour de France e Volta a Espanha), numa galeria que reúne seis nomes, vai enfrentar Chris Froome (Sky), Richie Porte (BMC), Nairo Quintana (Movistar) e Fabio Aru (Astana), para ficar nos nomes mais óbvios entre os favoritos. “Ainda tenho boas pernas”, garante.

Sobre Froome, tricampeão do Tour e principal adversário, o espanhol afirmou: “Teve menos resultados do que noutros anos, mas creio que vai estar forte no Tour. Vai ser importante também ver como vai estar a sua equipa”.

DESPIQUE
Potenciais candidatos ao título

A luta pelo troféu, a 23 de Julho em Paris, coloca Richie Porte na pole position. Para obter o título, o australiano tem de superar as pedaladas de Chris Froome, e de Nairo Quintana. Além dos três, sete outros nomes são potenciais candidatos a erguer a camisola amarela, no final do Tour de France.

Conheça os ciclistas com maior oportunidade de vencer a competição francesa. Richie Porte (BMC Racing): Quinto colocado no ano passado, o australiano surge como forte candidato a levar o Tour deste ano. Porte parecia quase imbatível para os concorrentes, até o final da corrida de Daphiné, França, ocorrida no início deste mês, mas perdeu a liderança geral na última etapa para Jacob Fuglsang. Mesmo sem o título, Porte promete entrar na luta pelo lugar mais alto do pódio em Paris.

Chris Froome (Team Sky): Actual campeão, Froome ainda é um dos ciclistas mais respeitados e teve momentos de brilho, durante o circuito de Daphiné, mas não foi páreo para Richie Porte, especialmente, nas etapas de montanha. Já há um tempo não é um atleta invencível. As suas performances recentes deixam a equipa preocupada. Froome ainda assim aparece entre os destaques para o Tour de France.

Nairo Quintana (Movistar): Com uma boa reputação dentro da sua equipa, o colombiano de 27 anos fixa as suas esperanças de surpreender durante o Tour na actual fase decepcionante de Froome e na derrota no fim de Porte em Daphiné. No ano passado, Quintana chegou em terceiro lugar no Tour de France.

Alberto Contador (Trek Segafredo): Contador não esteve bem em Daphiné, o que torna difícil  prever como vai ser o seu desempenho, no Tour de France. No entanto, a ousadia, os ataques de tirar o fôlego e a fama do espanhol de 34 anos, colocam-no como um dos favoritos antes da corrida. Em 2016, o ciclista da Trek  nem sequer chegou entre os 10 primeiros.

Dan Martin (Quick-Step Floors): O irlandês terminou Daphiné em segundo lugar, aparece entre os cinco competidores favoritos pela boa ascensão nessa época, disposto a atacar os primeiros colocados. Martin terminou o Tour de France de 2016 em 9º lugar. Alejandro Valverde (Movistar): Sem correr há mais de dois meses, o espanhol de 37 anos também aparece como uma incógnita, antes do Tour deste ano. No entanto, o entusiasmo de Valverde coloca-o em posição de lutar pelos primeiros lugares; afinal, no Liège -Bastogne -Liège de Abril, foi o vencedor. Em 2016, chegou na 6ª posição em Paris.

Romain Bardet (AG2R La Mondiale): Segundo classificado no Tour de France, da última época, Bardet está estabilizado e disciplinado o suficiente para obter outro bom resultado na corrida mais famosa do ano. O seu desempenho nas montanhas é animador, apesar de ainda ter de melhorar antes da largada em Dusseldorf, o francês possui uma expectativa considerável nas suas costas.

Fabio Aru (Astana Team): O quinto lugar em Daphiné deu um ânimo a mais, ao italiano de 26 anos, que não competia desde o começo de Março. A sua consistência ao final do último circuito foi o suficiente para colocá-lo entre os destacáveis, antes do Tour de France. Porém, as suas memórias recentes de França, não são muito boas: Aru esteve longe dos primeiros colocados na edição de 2016 do Tour.

Louis Meintjes (UAE Emirates): Outro que tem como ponto forte o desempenho nas etapas de montanha, o sul-africano de 25 anos parece estar a atingir o auge da época, na hora certa para lutar entre os primeiros no famoso circuito ciclista. Em 2016, Meintjes chegou na oitava classificação em Paris.

Jakob Fuglsang (Astana Team): Não dá para deixar o vencedor de Daphiné fora da lista. Depois de um desempenho impecável na última corrida, em que superou Richie Porte, o suíço naturalizado dinamarquês de 32 anos viu a confiança aumentar proporcionalmente à expectativa, de cima da sua participação. É importante ressaltar que Fuglsang teve a maior vitória da sua carreira em Daphiné; logo, não tem um histórico de favorito. Em 2016, terminou o Tour de France na 128ª posição.