Jornal dos Desportos

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Trnsito automvel atrapalha quase todos

Geraldo Qiala, jornalista da ANGOP - 03 de Agosto, 2016

A primeira comitiva a apanhar o susto e se manifestou foi a seleco espanhola

Fotografia: AFP

Se em condições normais já era difícil circular na cidade do Rio de Janeiro, agora com o aproximar da abertura dos Jogos Olímpicos nesta cidade brasileira tudo parece parado...nas quatro rodas e aumentam as caminhadas. Andar de carro no epicentro da maior manifestação desportiva do mundo neste momento está sofrível.

Troços que eram percorridos em 20 minutos de veículo automóvel nos últimos dois dias passaram a ser consumidas em duas horas. Para atenuar a situação, as autoridades estaduais do Rio de Janeiro criaram linhas especiais de circulação, mas a medida até nesta segunda-feira se revelou ineficiente.

Em consequência disso, algumas comitivas estão sob alerta e estudam formas de evitar que o congestionamento atrapalhe seus planos de treinamento ou de deslocação da Vila Olímpica até aos palcos das competições.

A primeira comitiva a apanhar o susto e se manifestou foi a selecção espanhola, adversária de Angola nas preliminares do Grupo A do torneio de andebol feminino, que viu seu treino atrasar por 20 minutos. Tudo porque ficou “presa” e logo a seguir a esse percalço surgiram várias perguntas, sendo a mais comum: “se fosse no jogo?”.

A reclamação ganhou proporções internacionais, depois que a treinadora da equipa, Noelia Oncina, apontou atrasos repetidos na deslocação da Vila ao Parque Olímpico, que receberá de 5 a 21 deste mês a competição.

A distância entre a Vila dos Atletas e a quadra anexa à Arena do Futuro, no Parque Olímpico da Barra, não chega sequer a 3 quilómetros. Além da curta distância, a faixa destinada só aos atletas e autoridades também já está em funcionamento.

Ainda assim, nem isso foi capaz de fazer com que a adversária de Angola conseguisse chegar no seu treino na hora exacta. Marcado para as 12horas de segunda-feira, só iniciou às 12h20, com 20 minutos de atraso. Cumprindo as regras da organização, a equipa da Espanha teve de deixar o local às 13h50 e por isso perdeu parte do trabalho.

“Não é a primeira vez que acontece. No outro dia perdemos 10 minutos, chegamos atrasados por conta do trânsito. E agora, nem com a via olímpica, chegamos no horário. Perdemos 20 minutos de treino e tivemos que desocupar a quadra. Atrapalha o treino, mas ainda é contornável. Mas e se fosse um jogo? Perderíamos parte do aquecimento? Isso não pode acontecer numa partida”, concluiu a ex-andebolista e técnica espanhola.

Enquanto as espanholas se queixam, do lado angolano tudo tranquilo e já leva oito treino desde que chegou à Vila Olímpica, facto que deixa o treinador-adjunto Edgar Neto e chefe da delegação, Ilídio Cândido.

Em breves declarações à Angop, o técnico referiu que “as meninas estão a treinar bem, só faltam os jogos. Oito sessões foram cumpridas”, ao passo que o dirigente reconheceu, abordado sobre a questão do trânsito, que “aqui (no Rio) tudo é distante”.

Preocupações à parte, a festa nas ruas é visível e as enchentes nas praias de Copacabana e Barra da Tijuca não passam despercebidas aos olhos e ouvidos de quem faz ou fez do Rio de Janeiro a sua “casa” para sentir de perto o calor dos cariocas, eufóricos e convidativos, sempre abertos para conversar sobre tudo que se pareça com a sua cultura e de outros.

Mais do que isso, além de aumentar o interesse pela informação de outros povos, as cores dos países presentes também fazem colorir as principais avenidas, restaurantes e calçadões “vestidos” a rigor para assinalar a realização na cidade do Cristo Redentor da festa que une diversas nações por uma causa nobre: unidade pelo desporto e fair-play.