Jornal dos Desportos

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Modalidades

Travessia da Baa do Lobito pode ser extinta do calendrio

Jlio Gaiano, no Lobito - 10 de Abril, 2013

Joaquim Pestana pede mais ateno das entidades competentes do desporto na provncia de Benguela

Fotografia: M. Machangongo

A direcção da Federação Angolana de Natação (FAN) estuda a possibilidade de retirar do seu calendário desportivo a tradicional Travessia da Baía do Lobito e o cancelamento da realização da Taça de Angola na piscina municipal do Lobito, provas que acontecem no mês de Abril de cada época desportiva.

O presidente do Conselho Técnico da FAN, Joaquim Pestana, revelou o facto ao Jornal dos Desportos e lamentou o estado letárgico em que se encontra a natação na província de Benguela. Na sua óptica, cabe às entidades locais empenharem-se a fundo de forma a inverter-se o quadro que “se afigura sombrio”.

“Está um quadro desolador. A natação, praticamente, não se faz sentir em Benguela. Isso não pode continuar. Alguém de direito tem de intervir no sentido de mudar o quadro. Há que se apostar na formação dos formadores, promovendo cursos, clinics e criar incentivos para se trabalhar na massificação, numa primeira instância. A natação está a morrer no Lobito e, pelos vistos, ninguém se interessa pela sua salvação. É um erro de estratégia para quem lida com a modalidade na província”, comentou.

No entender do dirigente federativo, a província de Benguela, concretamente, a cidade do Lobito, sempre se destacou na natação, rivalizando com a cidade de Luanda. Por isso, não faz sentido as entidades locais, no caso, a Direcção Provincial dos Desportos, permitir que a modalidade desapareça do cenário desportivo.
“Entendemos que haja prioridades no exercício dos programas de governação local. Contudo, não devemos esquecer que o desporto constitui mola impulsionadora no exercício de uma boa governação. Aliás, o exemplo vem do Chefe de Estado. Tem apoiado o desporto em toda a sua vertente. Acredito que em Benguela os dirigentes podem fazer o mesmo, seguindo o exemplo que vem do topo e nunca ficar pelas boas intenções”, lembrou.

Visivelmente agastado com o aparente cenário registado na cidade do Lobito, Joaquim Pestana foi peremptório em afirmar que na próxima edição a FAN só vai promover actividades desportivas na cidade do Lobito se tiver a certeza de que a província de Benguela vai fazer-se representar com os seus atletas nas duas provas, designadamente, a Taça de Angola e a Travessia da Baía do Lobito.

“Repare que para a tradicional Travessia da Baía do Lobito e para a Taça de Angola, apenas estiveram presentes nadadores de Luanda. Gostaríamos de ter alguém a representar a província. Não apareceu ninguém e, assim sendo, a FAN vai ter de repensar se valerá a pena continuar a promover eventos do género numa localidade em que não se fazem representar equipas da casa”, assegurou.

BAÍA DO LOBITO
Paulo Ribeiro domina travessia


O nadador do Clube Náutico da Ilha de Luanda, Paulo Ribeiro, conquistou a tradicional prova nacional absoluta de natação de dois mil metros “Travessia da Baía do Lobito”, ao totalizar 29min06seg.

O internacional ao serviço da CNIL bateu, na concorrência, o seu colega de equipa, Carlos Alberto (30min01seg) e Richard Fernandes (31min17seg), do 1º de Agosto.

Na classe feminina, o triunfo coube a Mariana Henriques (Clube Náutico de Luanda), com o registo de 36 minutos, superando as concorrentes Jéssica Ribeiro (37min26seg) e Ana Feliciano (39min22seg), numa prova em que apenas dez atravessaram com êxito os dois mil metros da baía do Lobito.

A prova ficou marcada por ausência gritante de nadadores da província de Benguela, facto que pode custar a exclusão da mesma do calendário das competições oficiais da Federação Angolana de Natação.


CNIL E 1º DE AGOSTO
REPARTEM TROFÉUS
 

A equipa masculina do Clube Náutico da Ilha de Luanda conquistou a Taça de Angola disputada no passado fim-de-semana na piscina municipal do Lobito, ao somar 15803 pontos. O 1º de Agosto quedou-se na segunda posição, com 13804 pontos, numa competição tida como a mais pobre de sempre em termos de concorrência.
Na classe feminina, o 1º de Agosto foi a mais forte na competição, tendo somado 11856 pontos contra os 10063 pontos da CNIL.

Apenas duas colectividades desportivas, CNIL e 1º de Agosto, marcaram presença no certame, para desagrado dos responsáveis da Federação Angolana de Natação, que condicionam a realização do certame, para o próximo ano, com a participação de equipas locais.
JÚLIO GAIANO