Jornal dos Desportos

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Troca de pilotos na Mercedes

03 de Dezembro, 2015

Toto Wolff reprovou reclamações de Hamilton e Rosberg durante o campeonato

Fotografia: AFP

A Mercedes fez uma dura avaliação da sua época em 2015. Apesar de ter vencido e ter apresentado um desempenho ainda mais forte do que do último ano, a vitoriosa equipa prateada admitiu que pode mudar a dupla de pilotos, caso o relacionamento conturbado entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg intervenha de forma negativa na equipa, no próximo ano do Mundial. 

Em entrevista ao site norte-americano 'Motorsport.com', o chefe Toto Wolff reconheceu que o maior ponto fraco da equipa foi o comportamento dos dois pilotos, na relação entre si, e até mesmo com os membros da equipa. O austríaco afirmou que as dificuldades enfrentadas pela equipa, neste ano, não são mais aceitáveis, sempre que um dos pilotos perdesse.
"Enfrentámos muitos problemas aos domingos, mesmo com vitórias, sempre havia alguém que saía chateado.

E isso  passa para a equipa e precisamos de mudar em 2016", afirmou o dirigente. As declarações de Wolff surgem na esteira dos recentes desentendimentos e troca de farpas entre Hamilton e Rosberg. Insatisfeito por ver a reacção do alemão nessas três etapas da época, o tricampeão passou a queixar-se demais das estratégias da Mercedes,  dava a entender que em diversos momentos a equipa privilegiava o rival.

Apesar de tudo, o chefe da equipa prateada mostrou-se consciente de que ter dois pilotos competitivos, sempre vai exigir mais da cúpula, mas deixou claro que não pretende mais lidar com problemas como os enfrentados neste ano. "Tomámos a decisão de ter dois pilotos semelhantes e equilibrados, com o objectivo de fazer a equipa crescer o melhor e mais rápido possível. Foi uma decisão consciente feita há três anos", declarou Toto.

O responsável assegurou que doravante vão considerar, "se essa decisão ainda se encaixa na equipa", porquanto "a personalidade e carácter são ingredientes fundamentais para o sucesso da marca". "Se sentir que não estamos mais alinhados dentro do espírito e da filosofia da equipa, e isso por  consenso, poderemos considerar outro caminho em termos de dupla de pilotos", reconheceu o austríaco.

Questionado se essa mudança de filosofia também provocava eventualmente uma alteração na política de igualdade de condições da Mercedes, ou seja, a equipa passava a eleger um piloto número 1, o dirigente negou. "É importante ter dois pilotos rápidos e igualmente talentosos no carro. Queremos trabalhar com boas pessoais", respondeu. O contrato de Nico Rosberg com a Mercedes encerra ao fim de 2016, enquanto o de Lewis Hamilton termina depois da última corrida de 2018.

TROCA DE FARPAS
Alemão repudia
colega britânico


A relação entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton chegou ao clímax. Depois de se aturarem desde o karting e nas categorias intermédias, os pilotos alemão e britânico não encontram equilíbrio para amenizar a amizade. Na recta final do Mundial, as desavenças agitaram a imprensa. Rosberg está a aproveitar  o seu bom momento na F1. O alemão, que sofreu com o melhor ritmo de Lewis Hamilton na maior parte de 2015, deu a volta por cima nos três últimos Grandes Prémios do calendário, que acabaram em vitórias maiúsculas do alemão. Agora, o filho de Keke quer ver o rival descabelar-se para voltar ao alto do pódio.

Na sua coluna o jornal alemão ‘Bild’,Rosberg deu a entender que Lewis Hamilton  está a desesperar-se, apesar de garantir, o segundo título consecutivo e o terceiro da carreira.
“Preciso admitir que fiquei feliz ao ver o meu companheiro de equipa recorrer a alguns actos desesperados, como na última corrida.

Queria terminar a prova com uma paragem e não aceitou o conselho da equipa para encontrar outras formas de vencer a corrida", apontou Rosberg. A reacção de Nico Rosberg, todavia, veio muito tarde. Na maior parte do tempo, Nico foi um piloto apático, apenas à sombra de alguém que se colocou como forte candidato ao título em 2014. Mesmo com o super -carro da Mercedes, o “número 6” sofreu até para assegurar o vice -campeonato contra  Vettel.

Agora, tem a expectativa de que a época'2016 finalmente seja a da consagração. Já  a pensar no próximo ano, Rosberg revelou que não vai ser difícil habituar-se com o próximo carro da Mercedes. “Três vitórias e seis poles consecutivas. Significa que vou chegar à próxima época numa posição forte. A Flecha de Prata de 2016 é basicamente um desenvolvimento da actual”, finalizou.