Jornal dos Desportos

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Um grande duelo de gerações diferentes

23 de Abril, 2015

Moto GP-confronto Rossi e Márquez

Fotografia: AFP

O GP da Argentina mostrou a Marc Márquez, o que  Valentino Rossi é capaz. Como os dois têm a mesma óptica em relação às corridas, o relacionamento extra-pista não deve ser afectado, mas a disputa deve ficar cada vez mais acentuada.

Valentino Rossi tem uma missão difícil em 2015. Se quiser chegar ao décimo título da carreira, o italiano vai ter de enfrentar um “monstro,” que de certa forma, ele mesmo ajudou a criar.

 A missão de Marc Márquez, por outro lado, não é nada mais fácil. Se nos últimos anos o espanhol venceu três dos quatro confrontos directos que teve com o multicampeão - Laguna Seca em 2013 e Qatar e Jerez em 2014 —, a prova de Termas de Río Hondo mostrou que o menino prodígio ainda não tinha conhecido a extensão do poder de piloto de Tavullia.

Rossi é um capítulo à parte na história do motociclismo. Nesses 20 anos no Mundial de Motovelocidade, o italiano mostrou as mais diversas camadas de seu talento: capacidade de concentração, habilidade no confronto corpo a corpo, poder de reacção e a força mental de poucos. Ao longo da sua carreira, Rossi conseguiu destruir rivais. De forma permanente.

 Em 2004, por exemplo, Sete Gibernau viu Valentino “definir” o futuro da sua carreira DEPOIS  do GP do Qatar. Naquele fim de semana, um dos mecânicos do italiano limpou a posição de largada do hoje multicampeão, mas o incidente foi reportado à direcção de prova pelo rival e Valentino acabou por ficar no último posto da grelha.

 Mais tarde, de cabeça quente, Rossi sofreu uma queda e abandonou a disputa, com Gibernau a cruzar a linha de chegada em primeiro. Naquela noite, durante o jantar, Vale decidiu que o rival já tinha vencido o suficiente e não mais ia subir ao topo do pódio da Moto GP. E ele nunca mais subiu. 

Com Max Biaggi a situação foi parecida. O “corsário” dizia para quem quisesse ouvir que Rossi vencia por conta da boa moto da equipa de fábrica da Honda. Em 2004, quando Valentino assumiu uma Yamaha que até então ninguém queria, uma vitória na primeira corrida, na África do Sul, sobre o então (3) mostrou que não era a máquina que fazia a diferença.

Rossi sempre foi mestre em identificar os momentos em que reforçar a sua força se fosse necessário. Assim como fez com Biaggi e Gibernau, Valentino também deu seu recado a Casey Stoner — quando quebrou uma sequência vitoriosa do australiano na clássica corrida de Laguna Seca de 2008 — e, mais tarde, a Jorge Lorenzo — em uma lendária disputa na pista de Barcelona em 2009.Desta vez, o carteiro de Tavullia foi entregar a correspondência directamente em Cervera.
 E o aviso foi claro: ele está na luta e não pode haver concessões.

 Depois de conquistar o último título, em 2009, Valentino fez uma longa viagem às profundezas do inferno, mas mostrou em Santiago del Estero que está de volta ao céu.

 O grande problema é que as façanhas de Rossi são das mais conhecidas. Márquez nunca escondeu que tinha no italiano uma referência e os jogos mentais que beneficiaram o italiano no passado, não vão fazer efeito sobre o espanhol. O irmão de Álex já mostrou que é mais forte do que isso. Que tem a cabeça no lugar.
De certa forma, Rossi vai enfrentar em 2015 um “monstro” que ele mesmo ajudou a criar. Aluno aplicado, Márquez estudou as técnicas — não só de Rossi, mas de todos os grandes — e não tem a menor vergonha de pôr em prática aquilo que aprendeu com os seus antecessores, como mostrou no saca-rolhas de Laguna Seca em 2013.

 Além de lutar contra alguém que conhece os seus métodos — pelos menos aqueles do passado —, Rossi vive outra situação diferente em 2015: desta vez, ele vai disputar o título com alguém por quem nutre certa afeição. No mundo das corridas, é difícil colocar em dois pilotos o rótulo de “amigos” mas neste caso, é notório o bom relacionamento dos dois. E isso, não deve mudar por conta do que aconteceu domingo na Argentina.

 Rossi e Márquez são iguais no que diz respeito à filosofia da corrida. O que acontece na pista, fica na pista. E a dupla também é chegada num desafio. Quanto mais difícil, mais eles se destacam.

 No último fim de semana, Márquez foi criticado por não se  ter  conformado com a segunda posição. Ora, o que ele fez não foi nada diferente do que tem estado a fazer nos últimos anos e nada diferente do que o próprio Valentino podia fazer.


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